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Valéria Aparecida Nogueira deixou o comando da Secretaria de Saúde de VG após cerca de cinco meses no comando da pasta
A Prefeitura de Várzea Grande (área metropolitana de Cuiabá) começou a semana com duas áreas estratégicas atingidas por mudanças simultâneas, no primeiro escalão.
A secretária municipal de Saúde, Valéria Aparecida Nogueira, deixou o cargo, após cerca de cinco meses no comando da pasta, enquanto o secretário de Governo, Silvio Fidélis, foi afastado por 90 dias por determinação judicial.
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A combinação das duas situações amplia a instabilidade administrativa enfrentada pela prefeita Flávia Moretti (PL), justamente quando o município atravessa uma crise financeira e tenta reorganizar serviços essenciais – entre eles saúde, abastecimento de água e transporte.
Valéria teve o pedido de exoneração aceito na sexta-feira (14).
Sua saída não ocorreu isoladamente. Também deixaram a pasta a subsecretária Luiza Boabaid de Carvalho Couto Vilela e o superintendente administrativo, Gabriel Henrique Pereira de Figueiredo.
Os atos de exoneração foram assinados pela secretária-chefe de Gabinete, Ana Helena Paroli.
A solução inicialmente encontrada pela administração seria entregar interinamente o comando da Saúde a Silvio Fidélis, que acumulava a Secretaria de Governo. A alternativa, porém, durou poucas horas.
O juiz Francisco Ney Gaíva, da 2ª Vara Especializada da Fazenda Pública de Várzea Grande, determinou o afastamento cautelar de Fidélis por 90 dias.
Com a decisão, a Prefeitura perdeu simultaneamente o titular da Secretaria de Governo e o nome que havia sido escolhido para assumir provisoriamente a Saúde.
CONTRATO DE R$ 6,2 MILHÕES — O afastamento de Fidélis foi determinado em uma ação popular que questiona a execução de um contrato de transporte escolar firmado pelo município.
A ação aponta possível prejuízo de R$ 6,22 milhões aos cofres públicos.
A medida determinada pela Justiça é cautelar e não representa condenação do secretário.
A saída de Valéria e o afastamento de Fidélis têm naturezas diferentes.
Enquanto a secretária da Saúde pediu exoneração, o titular do Governo foi retirado temporariamente do cargo por ordem judicial.
Politicamente, porém, os dois episódios produzem um mesmo efeito imediato: obrigam Flávia Moretti a reorganizar áreas importantes da administração em meio a uma sucessão de dificuldades enfrentadas pela Prefeitura.
SAÚDE — A troca no comando ocorre em uma das áreas de maior pressão sobre o município.
Valéria permaneceu aproximadamente cinco meses à frente da Saúde.
Com sua saída e a de outros dois integrantes da estrutura administrativa da pasta, a Prefeitura precisa recompor parte da cúpula responsável pela gestão do sistema municipal.
A mudança ocorre ainda no primeiro ano de reorganização administrativa promovida pela atual gestão e em um momento no qual a Prefeitura enfrenta restrições financeiras.
CRISE FINANCEIRA — Em julho, Flávia decretou situação de calamidade financeira e fiscal e adotou medidas de contenção de despesas.
Naquele período, a prefeita chegou a admitir a possibilidade de cortes de servidores e relatou dificuldades para manter compromissos da administração.
O cenário inclui ainda problemas históricos de Várzea Grande, como o abastecimento de água, além da pressão provocada por dívidas e decisões judiciais sobre as contas municipais.
As mudanças desta semana acrescentam agora uma crise administrativa ao problema financeiro.
O próprio governador Otaviano Pivetta (Republicanos), durante o lançamento de sua campanha no domingo (16), voltou a colocar a situação de Várzea Grande no debate político.
Ele criticou administrações anteriores e afirmou que o município chegou a uma condição que considera precária, mencionando especialmente os problemas de abastecimento de água.
PRIMEIRO ESCALÃO — A saída de Valéria e o afastamento de Fidélis reforçam a necessidade de um balanço das alterações promovidas no primeiro escalão desde o início da administração de Flávia Moretti.
A atual gestão já passou por mudanças, controvérsias e pressões em diferentes áreas.
Mais recentemente, o Departamento de Água e Esgoto (DAE) entrou no centro de uma crise depois da divulgação de um vídeo envolvendo o diretor-presidente da autarquia, Rogerinho Dakar.
Flávia afirmou que passaria a acompanhar mais diretamente o órgão.
O episódio ganhou repercussão justamente em meio às cobranças por solução para a falta de água que atinge bairros da cidade.
Por enquanto, o fato objetivo é que a semana começou com duas baixas importantes: a Saúde perdeu sua titular e outros dois integrantes de sua estrutura administrativa, enquanto a Secretaria de Governo ficou sem seu comandante por decisão judicial.
Para uma administração que já enfrenta uma crise fiscal e cobranças crescentes sobre serviços públicos, a necessidade de recompor simultaneamente duas áreas estratégicas abre uma nova frente de dificuldades no Paço Couto Magalhães.
Há também movimentos políticos envolvendo integrantes da administração em plena campanha eleitoral, aumentando a necessidade de Flávia administrar simultaneamente a estrutura da Prefeitura e as diferentes posições políticas existentes dentro do grupo que a levou ao poder.





