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Debate expõe diferenças entre candidatos ao Governo de MT


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Natasha, Pivetta e Wellington no primeiro debate dos candidatos ao governo da campanha de 2026

O primeiro debate entre os três principais candidatos ao Governo de Mato Grosso elevou a temperatura da campanha e colocou o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) no centro do confronto.

Mesmo sem liderar as pesquisas de intenção de voto, o candidato à reeleição concentrou ataques de Wellington Fagundes (PL) e Natasha Slhessarenko (PSD), mas não adotou postura defensiva: partiu para cima, principalmente do senador, em uma troca de acusações que passou por obras rodoviárias, corrupção, DNIT, mineração e antigos governos.

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O embate mais duro ocorreu entre Pivetta e Wellington.

Ao questionar o senador sobre mineração, o governador acabou recebendo como resposta uma acusação contra seu grupo político.

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Wellington citou investigação envolvendo o ex-governador Mauro Mendes e cobrou uma posição do atual chefe do Executivo.

“Essa meia dúzia, essa panelinha do seu Governo… Você não quer admitir que a Polícia Federal está investigando? Faltam policiais”, disparou Wellington.

Pivetta reagiu afirmando que o adversário “costumeiramente falta com a verdade” e subiu ainda mais o tom.

“O senhor é parlamentar e falastrão de carreira”, atacou.

“VOLTAR À CENA DO CRIME?” – O confronto ganhou novos contornos no segundo bloco, quando Pivetta associou Wellington ao Governo do ex-governador Silval Barbosa, e citou Sinézio, atual chefe de gabinete do senador.

“Em sete anos e meio nós concluímos sete mil quilômetros de novas rodovias. O senhor foi parceiro do Silval nas secretarias de Obras, com o seu chefe de gabinete atual, Sinézio, que foi delatado. O senhor quer voltar à cena do crime?”, questionou Pivetta.

Wellington rebateu afirmando que Sinézio não possui processo ou acusação e sustentou que, como parlamentar, ajudou diferentes administrações estaduais, inclusive o próprio governo do qual Pivetta faz parte.

“Eu ajudei não só o governo do Silval, ajudei todos os governos. Para o seu governo eu destinei R$ 3 bilhões com a Lei do FEX”, respondeu.

Pivetta, então, direcionou os ataques à atuação do adversário no setor rodoviário.

“Em estrada o senhor é especialista. O senhor comandou o DNIT no governo Lula e Dilma e chegou Bolsonaro e te expulsou do DNIT. Ficou todo esse tempo no DNIT e não fez nada, tinha estradas caindo aos pedaços”, afirmou.

Wellington devolveu acusando o governo estadual de favorecer um grupo restrito de empresas em obras públicas.

“Vocês estão fazendo obras com a panelinha de vocês”, declarou.

Pivetta encerrou a sequência com outra acusação: “O senhor sempre gostou de estrada federal para todo ano liberar dinheiro e fazer negócio. O senhor é conhecido por isso”.

Wellington obteve direito de resposta e cobrou provas das acusações. “Deixe de ficar falando e acusando e apresente provas. O governo está cheio de manchas e quem está dizendo isso é a Polícia Federal”, afirmou.

NATASHA PRESSIONA PIVETTA POR ESTRADA “ESFARELANDO” – Natasha também escolheu Pivetta como principal alvo em diferentes momentos. Logo no debate sobre infraestrutura, questionou a qualidade e o preço das rodovias construídas pelo Estado.

“O Estado se gaba de ser o governo que mais fez estrada, mas é o mais caro do Centro-Oeste e tem asfalto que esfarelou”, atacou.

Pivetta respondeu recorrendo aos números da atual gestão. Segundo ele, Mato Grosso tinha aproximadamente 6,3 mil quilômetros de rodovias asfaltadas e ganhou outros 7 mil quilômetros nos últimos oito anos.

“É verdade que temos algumas estradas com problemas e estamos resolvendo. Mas o importante é que fizemos muito e muita obra de qualidade”, afirmou, citando também a BR-163.

Natasha insistiu: “Uma pena que temos que discutir estradas ruins no nosso Estado, que precisa tanto de logística. Por que o asfalto de Mato Grosso é o mais caro do Centro-Oeste?”.

O governador admitiu problemas, mas afirmou serem situações pontuais diante do volume de investimentos.

A candidata ainda citou suspeitas envolvendo a MT Par e cobrou esclarecimentos sobre R$ 409 milhões. “É importante que o governo esclareça por que tanta corrupção”, disparou.

Pivetta classificou as acusações como estratégia eleitoral. “É tempo de campanha, de denúncia, de calúnia, fake, tudo”, rebateu.

SAÚDE VIRA MUNIÇÃO CONTRA GOVERNADOR – A saúde também foi usada por Natasha para atingir Pivetta.

Ao questionar a falta de especialistas, ouviu do governador que a administração está criando oito centros de diagnóstico no interior para reduzir deslocamentos e acelerar o atendimento.

Natasha aproveitou a resposta para responsabilizá-lo pelos problemas acumulados.

“Pena que tenha levado sete anos e meio e a população sofrendo. É uma pena que um Estado tão rico tenha a maior fila de espera da saúde. Eu vou revolucionar a saúde de Mato Grosso”, afirmou.

O mesmo argumento apareceu na discussão sobre a reforma tributária. Natasha defendeu a industrialização como alternativa para compensar possíveis perdas de arrecadação e questionou por que isso não teria avançado mais durante o período em que Pivetta ocupou a vice-governadoria.

“O senhor teve sete anos como vice. Por que não foi feito?”, perguntou.

Pivetta respondeu que a administração recebeu Mato Grosso em situação financeira crítica em 2019 e implantou um novo modelo de gestão. Também afirmou que o Estado registrou crescimento real de 57% em sete anos e prometeu ampliar a industrialização, inclusive no setor têxtil.

Natasha voltou ao ataque: “É um governo que não cuida de gente, que tem fila na saúde e tem gente passando fome”.

“FILA DO OSSINHO” E CARNE COM OURO – Um dos ataques mais contundentes de Natasha ocorreu durante a discussão sobre pobreza e assistência social.

A candidata afirmou que aproximadamente 600 mil mato-grossenses vivem abaixo da linha da pobreza e lembrou o alto custo da cesta básica.

Pivetta respondeu que 309 mil pessoas deixaram a pobreza em Mato Grosso e colocou o desenvolvimento econômico como principal instrumento para ampliar renda e oportunidades.

Natasha, porém, trouxe para o debate uma das imagens mais exploradas politicamente nos últimos anos.

“Estamos falando da pobreza de pessoas que vivem na fila do ossinho. Temos gente na fila do ossinho enquanto o ex-governador estava comendo carne com ouro”, disparou.

PERGUNTA SOBRE AGRESSÃO A MULHER PROVOCA ALFINETADA – Wellington também protagonizou uma das provocações mais evidentes da noite ao perguntar a Natasha, em tema livre, o que ela pensava “de homem que maltrata e bate em mulher”.

A pergunta foi feita em um contexto político no qual Pivetta já enfrentou acusação de agressão feita por sua ex-mulher.

“Não tem o que achar, é horroroso. Na minha gestão não vai ter nenhum agressor de mulher”, respondeu Natasha, defendendo políticas de prevenção desde a escola.

Wellington afirmou que a violência doméstica provoca “trauma irreparável” nas famílias e prometeu criar uma Secretaria da Mulher, além de ampliar as delegacias especializadas para todas as regiões do Estado.

Em outro momento, Natasha também atacou diretamente a política estadual de enfrentamento à violência contra a mulher. Questionada por Wellington sobre o feminicídio, respondeu de forma taxativa sobre a atuação da atual administração: “Não fez nada”.

AUTISMO E INCLUSÃO GERAM CONFRONTO – Pivetta e Wellington ainda divergiram sobre o atendimento a pessoas neurodivergentes. O governador relatou ter um neto com autismo grau dois e afirmou que a experiência familiar o fez compreender a complexidade da inclusão.

Segundo Pivetta, o Estado mantém 4,7 mil profissionais contratados para atendimento de alunos que necessitam de acompanhamento especial e pretende ampliar recursos para instituições como Apaes e Pestalozzis.

Wellington reagiu afirmando que o atual grupo político tentou interromper repasses às Apaes e que a iniciativa teria sido barrada no Congresso.

“Esse governo que está aí queria acabar com a transferência de recursos para Apae e nós, no Congresso, não deixamos”, afirmou.

Pivetta rebateu citando a reforma do Hospital Adauto Botelho e a contratação de profissionais para atendimento especializado nas escolas.

MEIO AMBIENTE TEM TRÉGUA – A temperatura diminuiu quando Wellington e Natasha discutiram mudanças climáticas.

Natasha afirmou que Mato Grosso precisa de uma política ambiental mais robusta e criticou o avanço do desmatamento.

Wellington citou sua atuação em torno do Estatuto do Pantanal e prometeu políticas de “renda verde”, sistemas para auxiliar municípios diante de secas e ondas de calor e protocolos de atendimento na saúde.

Natasha defendeu ainda um sistema de monitoramento capaz de antecipar o risco de queimadas e permitir atuação antes da propagação do fogo.

PEDIDO DE INELEGIBILIDADE – Nem mesmo as considerações finais aliviaram o confronto.

Natasha encerrou reforçando o discurso de combate à corrupção e sua trajetória na área da saúde.

“Passei a minha vida toda cuidando de gente e agora quero cuidar de você. Eu não vou roubar e não vou deixar que roubem”, afirmou.

Pivetta destacou seus 30 anos de vida pública, relembrou as administrações em Lucas do Rio Verde e Nova Mutum e disse que pretende consolidar no Estado o modelo de gestão que defende ter implantado nos municípios.

Wellington, por sua vez, guardou para os segundos finais mais um ataque ao adversário: anunciou que sua coligação está ingressando com pedido de impugnação da candidatura de Pivetta e sustentou que busca sua inelegibilidade, com base no caso conhecido como Máfia das Ambulâncias.





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