Início NACIONAL A última reunião dos militares nos estertores do governo Bolsonaro

A última reunião dos militares nos estertores do governo Bolsonaro


O ex-comandante da Força Aérea Brasileira (FAB), Carlos Baptista Júnior (foto), lançará em setembro o livro Eu disse não: uma trincheira antigolpista (Autêntica).

Na obra, ele fala da dificuldade do então presidente Jair Bolsonaro em aceitar o resultado das eleições de 2022, que deram vitória a Lula.

Conta também das reuniões com os militares, em que Bolsonaro buscava alguma alternativa para não entregar o poder.

Na obra, Baptista reclama da quantidade de reuniões que participou com outros comandantes militares.

O assunto ‘eleições’ tomou conta de grande parte da agenda da Defesa. Para se ter uma ideia clara do impacto disso, tenho registradas 12 reuniões oficiais do nosso colegiado — composto pelos três comandantes de Força e pelo ministro [da Defesa] Paulo Sérgio [Nogueira de Oliveira] — apenas no período de 3 de outubro a 14 de dezembro. Essa prioridade absoluta dada a um tema que deveria ser alheio à caserna nos privou da disponibilidade necessária para as reais atribuições do comando“, escreve Baptista Júnior.

Nessas reuniões, Baptista disse a Bolsonaro que, “independentemente do que acontecesse dali em diante, ele não permaneceria no cargo após 1º de janeiro de 2023“.

Última reunião

Além dos encontros com o então presidente Bolsonaro, Baptista também cita uma reunião no Palácio do Alvorada apenas entre militares, no dia 14 de dezembro de 2022.

Foi a última vez que ele esteve no Alvorada.

Paulo Sérgio, ministro da Defesa, sentou-se na cabeceira da mesa. Os comandantes militares se acomodaram nas outras cadeiras.

À frente de Paulo Sérgio, havia apenas uma pasta plástica para documentos. (…) Paulo Sérgio disse que havia ali uma minuta de documento — creio que mencionou se tratar de uma decretação de estado de sítio, algo posteriormente confirmado por Freire Gomes [comandante do Exército] como estado de defesa

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