Pelo menos 98 pessoas morreram nesta quarta-feira 26 no Nepal e na região autônoma chinesa do Tibete após uma enorme avalanche de gelo e lama. Centenas de pessoas estão desaparecidas, segundo as autoridades locais nepalesas e chinesas, que ainda tentam entender as causas e a dimensão da tragédia.
Um rio da região transbordou e destruiu diversos povoados, estradas e outas infraestruturas. Imagens gravadas no momento do incidente mostram o avanço violento das águas, que destrói tudo pelo caminho. Edifícios e veículos, muitos de grande porte, foram soterrados.
Segundo autoridades do Nepal, pelo menos 384 turistas estão desaparecidos. Entre eles, 93 são cidadãos do próprio país. Os 291 estrangeiros vêm de diversos países, incluindo Índia (105), Reino Unido (12), Malásia (11) e Estados Unidos (3). Haveria também cidadãos da Alemanha, Espanha e Lituânia na lista que, a princípio, não tem brasileiros.
Autoridades da Coreia do Sul informaram que oito cidadãos sul-coreanos que trabalhavam na construção de uma usina hidrelétrica no Nepal estavam desaparecidos. Outros oito estariam presos no local. Também há notícia de 26 policiais nepaleses desaparecidos.
A enchente atingiu Syabrubesi, ponto de partida da popular trilha de Langtang, além de outras áreas utilizadas por viajantes que realizam peregrinações ao Monte Kailash, no Tibete, considerado sagrado pelos hindus.
Especialistas em clima do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas (Icimod), com sede em Katmandu, capital nepalesa, afirmam que a enchente repentina provavelmente foi causada por uma avalanche originada em uma geleira. Relatos iniciais indicam que um terremoto na região pode ter desencadeado a avalanche.
As mesmas áreas afetadas pelo desastre desta quarta-feira registraram enchentes repentinas semelhantes em agosto do ano passado, quando um lago glacial no Tibete transbordou devido às altas temperaturas na região montanhosa. Na ocasião, nove pessoas morreram e infraestruturas críticas, incluindo uma ponte que conecta Nepal e China, foram danificadas.
A região do Himalaia, que se estende pelo Nepal e por países vizinhos, como a Índia, é especialmente vulnerável a chuvas intensas, enchentes e deslizamentos de terra.
Cientistas apontam que a área está aquecendo mais rapidamente do que a média global devido às mudanças climáticas causadas pela atividade humana. Eventos climáticos extremos, como ondas de calor e chuvas intensas, além do derretimento de geleiras, vêm se tornando mais frequentes na região.
Enquanto isso, as geleiras da região Hindu Kush-Himalaia estão derretendo em ritmo acelerado. A taxa de perda de gelo mais que dobrou desde 2000, principalmente em razão do aumento das temperaturas globais e das mudanças climáticas, segundo estudos realizados por pesquisadores em Katmandu.
(Com informações da AFP, da DW e da RFI.)





