Thiago Silva declara apoio ao governador horas antes de lançar candidatura à reeleição ao lado de Fagundes
A campanha pela reeleição do governador Otaviano Pivetta (Republicanos) passou a reunir apoios de políticos filiados a partidos que integram a coligação do adversário Wellington Fagundes (PL). As dissidências, inicialmente concentradas entre prefeitos, avançaram sobre o MDB e chegaram à Assembleia Legislativa, expondo a dificuldade das siglas em reproduzir nas bases a aliança definida pelas direções partidárias.
O caso mais recente é o do deputado estadual Thiago Silva (MDB), que protagonizou na quinta-feira (27) uma situação que sintetiza esse palanque dividido. Horas antes de lançar oficialmente sua candidatura à reeleição ao lado de Wellington, em Rondonópolis, o parlamentar declarou apoio a Pivetta durante encontro com lideranças em Lucas do Rio Verde.
Na manifestação, Thiago defendeu a continuidade do atual governo e convocou seus apoiadores a trabalhar por sua candidatura e pela do governador.
“Convido todos a se somarem a este projeto, fortalecendo a representatividade do nosso Estado com Thiago Silva e Pivetta”, afirmou.
Ao destacar ações na educação, o deputado atribuiu resultados à parceria com o governador e citou a expansão das escolas cívico-militares. “Que possamos continuar transformando Mato Grosso”, declarou. O posicionamento ocorreu apesar de o MDB integrar formalmente a coligação que sustenta Wellington.
COM PIVETTA E WELLINGTON
Poucas horas depois, o cenário político mudou. Thiago lançou sua candidatura à reeleição em Rondonópolis em evento que contou com Wellington e com a deputada estadual Janaína Riva (MDB), candidata ao Senado pela mesma coligação.
No palanque, Wellington não fez referência ao apoio declarado anteriormente pelo deputado ao adversário e enalteceu a trajetória política de Thiago, a quem classificou como “filho da terra”.
O candidato ao Governo destacou a atuação do parlamentar em pautas da educação e na defesa da abertura de novos cursos universitários, além de iniciativas relacionadas à Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) e à Universidade Federal de Rondonópolis (UFR).
“Ando por este Estado inteiro e vejo o trabalho do Thiago. Quero pedir o voto com emoção ao menino daqui, para trabalhar mais. Quem veio aqui, não se acomode. Vamos pedir voto, com humildade, noite e dia”, afirmou Wellington.
A sequência dos dois eventos tornou mais evidente uma situação que já vinha ocorrendo dentro da coligação: políticos permanecem formalmente vinculados aos partidos aliados de Wellington, mas fazem campanha ou manifestam apoio a Pivetta.
MDB TAMBÉM TEM DISSIDÊNCIA
Thiago não é o único integrante do MDB a se posicionar fora da orientação da coligação. O deputado estadual Dr. João também declarou apoio à reeleição de Pivetta.
Com isso, pelo menos dois deputados estaduais do MDB estão com o governador, embora a legenda faça parte da aliança de Wellington e tenha Janaína Riva como candidata ao Senado na chapa.
No caso de Thiago, a contradição ficou mais visível porque os dois palanques foram ocupados no mesmo dia: em Lucas do Rio Verde, pediu apoio ao projeto de Pivetta; em Rondonópolis, recebeu Wellington no lançamento da própria campanha.
DIVISÃO CHEGA AO PL
A dissidência também alcança o próprio partido de Wellington. Prefeitos ligados ao PL já manifestaram apoio a Pivetta, criando uma separação entre a posição oficial da direção estadual e decisões tomadas por lideranças municipais.
Esse movimento ganhou força com manifestações de prefeitos e outras lideranças que defendem a continuidade da atual administração mesmo pertencendo a partidos que formalmente sustentam Wellington.
As dissidências não representam, até agora, rompimento partidário. Os políticos permanecem em suas respectivas legendas, e PL e MDB continuam oficialmente na coligação de Wellington. O que se observa é uma divisão no voto para governador e na montagem dos palanques municipais.
A situação de Thiago Silva tornou essa configuração explícita. Em questão de horas, o deputado esteve politicamente associado aos dois principais adversários na disputa pelo Palácio Paiaguás, mostrando que as alianças formalizadas nas convenções não necessariamente serão reproduzidas durante toda a campanha nas bases eleitorais.





