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Senado estreia na TV sob influência de Lula e Bolsonaro


 

A disputa pelas duas vagas de Mato Grosso no Senado ganhou um novo palco com a estreia do horário eleitoral gratuito. Na primeira aparição na televisão, os candidatos privilegiaram a construção de suas identidades políticas e deixaram a apresentação detalhada de propostas em segundo plano.

Mauro Mendes (União) utilizou obras e resultados de sua passagem pelo Governo como cartão de visitas. José Medeiros (PL) reforçou a proximidade com o ex-presidente Jair Bolsonaro. Carlos Fávaro (PSD) colocou a aliança com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no centro de sua mensagem, enquanto Pedro Taques (PSB) recuperou o combate à corrupção como principal bandeira.

Margareth Buzetti (PP), Janaina Riva (MDB) e Antonio Galvan também procuraram delimitar espaços próprios na disputa, respectivamente com a defesa de mulheres e crianças, renovação política e experiência.

MAURO EXPLORA GESTÃO

Ex-governador, Mauro apresentou a candidatura como uma extensão do trabalho realizado no Palácio Paiaguás. Recuperou o discurso de que recebeu Mato Grosso em situação financeira difícil e precisou reorganizar as contas antes de ampliar os investimentos.

O Hospital Central, cuja construção permaneceu interrompida por décadas, ocupou espaço de destaque. A obra foi utilizada como símbolo da capacidade de execução que o candidato pretende associar à sua passagem pelo Executivo. Educação e infraestrutura também apareceram entre os resultados apresentados.

A estratégia indica que Mauro tentará transferir para a eleição ao Senado a avaliação de seus anos à frente do Governo, vinculando sua candidatura à ideia de gestão e entrega de obras.

BUZETTI DESTACA MULHERES E CRIANÇAS

Margareth Buzetti concentrou a estreia em pautas relacionadas à proteção de mulheres e crianças. O programa utilizou um relato de violência contra uma mulher para introduzir o assunto e apresentou iniciativas legislativas associadas à atuação da senadora.

A propaganda também teve a função de ampliar o conhecimento de Buzetti entre os eleitores. A candidata procurou apresentar sua passagem pelo Senado como resultado de trabalho parlamentar, indicando que a defesa das mulheres e das crianças continuará como um dos eixos de sua campanha.

MEDEIROS RECORRE A BOLSONARO

José Medeiros iniciou a propaganda com abordagem mais pessoal, mas reservou para o encerramento o componente político mais evidente de sua campanha: Jair Bolsonaro.

Um vídeo antigo no qual o ex-presidente manifesta apoio a Medeiros foi exibido para reforçar a ligação entre os dois. A estratégia permite ao candidato do PL apresentar sua trajetória ao mesmo tempo em que procura consolidar a identificação com o eleitorado bolsonarista.

A presença de Bolsonaro tende a ter peso adicional na campanha porque Medeiros disputa espaço dentro do campo da direita em uma eleição na qual o eleitor poderá escolher dois candidatos ao Senado.

JANAINA APOSTA EM RENOVAÇÃO

Janaina Riva apresentou um programa de ritmo mais próximo da linguagem das redes sociais. A deputada recuperou sua trajetória de três mandatos consecutivos na Assembleia Legislativa e destacou ter sido a primeira mulher a comandar o Legislativo estadual.

Mulheres, crianças, servidores públicos e trabalhadores apareceram entre os segmentos associados à sua atuação parlamentar.

A identidade da propaganda foi reforçada pelo slogan “A onça tá solta”, utilizado para imprimir à candidatura uma imagem de movimento e renovação.

GALVAN RECUPERA VOTAÇÃO DE 2022

Antonio Galvan utilizou a experiência como principal elemento de apresentação. A campanha recuperou a eleição de 2022, quando recebeu mais de 300 mil votos, para sustentar que o candidato já possui uma base eleitoral no Estado.

Duas características foram exploradas: a experiência, simbolizada pela expressão “cabeça branca”, e a disposição para o enfrentamento, resumida pela palavra “coragem”.

A estratégia procura transformar a trajetória e a votação anterior em credenciais para uma nova tentativa de chegar ao Senado.

TAQUES VOLTA À BANDEIRA ANTICORRUPÇÃO

Pedro Taques adotou o tom mais voltado ao enfrentamento. Ex-procurador da República e ex-governador, recuperou imagens de operações policiais envolvendo personagens conhecidos da política estadual, entre eles Silval Barbosa e José Riva.

O objetivo foi reconectar o candidato à imagem construída antes de sua chegada ao Palácio Paiaguás, quando sua atuação no Ministério Público Federal esteve ligada a investigações contra corrupção.

Taques afirmou que pretende levar ao Senado a postura que marcou sua passagem pelo MPF, colocando o tema novamente no centro de sua identidade eleitoral.

FÁVARO LEVA LULA À CAMPANHA

Carlos Fávaro foi o candidato que mais explicitamente nacionalizou sua estreia. Ministro da Agricultura, apresentou-se como integrante do projeto político de Lula e exibiu imagens ao lado do presidente.

Com isso, adotou estratégia semelhante, embora em campo político oposto, à utilizada por Medeiros com Bolsonaro. Os dois procuram transformar lideranças nacionais em ativos na corrida pelas vagas de Mato Grosso.

Fávaro também destacou sua passagem pelo Senado e pelo Ministério da Agricultura. Segundo os números apresentados pela própria campanha, sua atuação teria contribuído para viabilizar cerca de R$ 4 bilhões em recursos para Mato Grosso.

TERRITÓRIOS DEFINIDOS

A primeira rodada da propaganda mostrou uma disputa em que cada candidatura tenta ocupar um território específico antes que o debate sobre propostas ganhe maior espaço.

Mauro procura associar seu nome a gestão e obras; Medeiros, ao bolsonarismo; Fávaro, à aliança com Lula e articulação federal; Taques, ao combate à corrupção; Buzetti, à proteção de mulheres e crianças; Janaina, à renovação; e Galvan, à experiência e ao enfrentamento.

A estreia também mostrou que a eleição para o Senado deverá combinar questões estaduais com a polarização nacional. Bolsonaro apareceu como cabo eleitoral de Medeiros e Lula como principal referência política de Fávaro, enquanto os demais candidatos buscaram, pelo menos no primeiro programa, construir suas campanhas a partir de trajetórias e bandeiras próprias.

Com duas vagas em disputa, a televisão passa agora a ser usada não apenas para conquistar o primeiro voto do eleitor, mas também para disputar sua segunda escolha — componente que pode ampliar a competição entre candidatos que, em outros cargos, estariam situados no mesmo campo político.





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