Início GERAL Fundão cria abismo entre candidatos a deputado federal em MT

Fundão cria abismo entre candidatos a deputado federal em MT


Primeiros repasses mostram concentração do dinheiro público em nomes considerados estratégicos

A distribuição do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) abriu uma segunda disputa dentro da corrida pelas oito cadeiras de Mato Grosso na Câmara dos Deputados. Além de enfrentar os adversários nas urnas, candidatos de uma mesma chapa começaram a campanha com estruturas financeiras radicalmente diferentes, que vão de milhões de reais a nenhum repasse do Fundão.

Levantamento atualizado a partir das prestações de contas disponíveis no DivulgaCand Contas do TSE e de repasses já identificados mostra que as direções partidárias estão longe de distribuir o dinheiro de maneira uniforme.

INFO fundão eleitoral deputado federal

 

O caso mais expressivo encontrado até agora é o de Nilson Leitão (PP). A Federação União Progressista destinou R$ 2,9 milhões à sua candidatura.

O valor equivale a aproximadamente 94% do teto de R$ 3,1 milhões estabelecido para uma campanha a deputado federal em 2026. Ou seja: apenas com o Fundão, Leitão já dispõe de recursos próximos do máximo que poderá gastar durante toda a eleição.

A concentração revela as prioridades eleitorais estabelecidas pelas cúpulas partidárias e pode produzir diferenças relevantes na capacidade dos candidatos de contratar equipes, produzir propaganda, viajar pelo Estado e impulsionar suas campanhas.

UNIÃO PROGRESSISTA CONCENTRA EM LEITÃO

A Federação União Progressista aparece entre os grupos que mais avançaram na distribuição de recursos para a Câmara em Mato Grosso.

Até a atualização localizada pelo DIÁRIO, foram identificados R$ 6,432 milhões distribuídos entre candidatos da federação.

Nilson Leitão sozinho recebeu R$ 2,9 milhões, ou aproximadamente 45% desse montante.

Fábio Garcia (União Brasil) e Virginia Mendes (União Brasil) aparecem com R$ 1 milhão cada. Magaly da Silva (PP) recebeu R$ 600 mil; Sandy Paula (União) ficou com R$ 500 mil; e Eduardo Sanchez (União), com aproximadamente R$ 432,9 mil.

Victório Galli (PP), por sua vez, ainda aparecia sem transferência do Fundo Eleitoral no levantamento.

A distância interna é significativa. O repasse destinado a Leitão é quase sete vezes o recebido por Eduardo Sanchez e quase cinco vezes o destinado a Magaly.

PL COLOCA R$ 7,7 MILHÕES NA DISPUTA FEDERAL

O PL também colocou a eleição para a Câmara entre suas prioridades.

Levantamento realizado a partir das transferências da direção nacional apontou R$ 7,7 milhões destinados aos candidatos a deputado federal do partido em Mato Grosso, dentro de R$ 10,2 milhões enviados inicialmente às campanhas proporcionais da legenda no Estado.

A distribuição ganha importância porque o PL possui nacionalmente a maior fatia do Fundo Eleitoral de 2026. Dos aproximadamente R$ 4,9 bilhões disponíveis para os partidos, a legenda recebeu cerca de R$ 881,7 milhões, o equivalente a 17,77% do total.

No caso mato-grossense, a distribuição do dinheiro também entrou na disputa política interna. Candidatos passaram a questionar os critérios adotados pelo partido e a relacionar os repasses ao alinhamento com a chapa majoritária. Essas manifestações representam acusações dos próprios candidatos e não comprovam, isoladamente, condicionamento irregular do Fundo Eleitoral.

PSD PÕE DOIS NOMES NA FRENTE

No PSD, a concentração fica evidente na comparação entre os nove integrantes da chapa federal.

Dos R$ 4,5 milhões distribuídos inicialmente para cinco candidatos, R$ 3 milhões ficaram com apenas dois nomes: Emanuelzinho e Irajá Lacerda, com R$ 1,5 milhão cada.

Juntos, eles absorveram 66,7% de todo o Fundão distribuído até aquele momento pelo partido aos seus candidatos a federal em Mato Grosso.

As três mulheres que haviam recebido recursos — Flavinha Marques, Sarah Botelho e Marildes Ferreira — ficaram com R$ 500 mil cada.

Outros quatro candidatos — Procurador Mauro, Professor Sivirino, Valtenir Pereira e Chico Curvo — ainda apareciam sem recursos do FEFC na atualização de sexta-feira (4).

A diferença significa que Emanuelzinho e Irajá começaram essa etapa da campanha com três vezes o Fundão individualmente destinado a cada uma das três mulheres contempladas.

REPUBLICANOS DISTRIBUI MAIS, MAS TAMBÉM ESCOLHE PRIORIDADES

No Republicanos, o desenho encontrado é diferente.

A legenda havia distribuído R$ 1,8 milhão entre seis dos nove candidatos a deputado federal.

A maior parcela, de R$ 700 mil, foi destinada a Juliana Kolankiewicz. Eduardo Magalhães e Acácio Ambrosini receberam R$ 350 mil cada.

Fernando Japidinho, Izalba da Saúde e Wender Madureira aparecem com R$ 150 mil cada.

Três candidatos ainda estavam sem repasse naquele levantamento: Juarez Costa, Dr. Leonardo e Aline Félix.

Isso produz uma situação peculiar: Juarez, candidato à reeleição e atualmente deputado federal, aparecia sem Fundão, enquanto uma candidata sem mandato na Câmara liderava a distribuição interna.

PODEMOS ADOTA DIVISÃO MAIS EQUILIBRADA

Entre as chapas cujos dados puderam ser identificados, o Podemos apresenta um padrão menos concentrado.

O partido distribuiu cerca de R$ 3,4 milhões. Nelson Barbudo e Neri Geller receberam R$ 500 mil cada, enquanto seis candidatos ficaram com aproximadamente R$ 400 mil.

A diferença entre a maior e a menor faixa de repasse é, portanto, bem menor que a observada em outras legendas.

O contraste mostra duas estratégias para o uso do dinheiro público: enquanto algumas direções concentram recursos em poucos candidatos considerados mais competitivos, outras pulverizam uma parcela maior do Fundão pela chapa.

NOVO TEM VALORES BEM MENORES

O Novo aparece em outra escala financeira. Levantamento divulgado no início da campanha identificou R$ 437,5 mil destinados pelo partido a oito candidatos a deputado federal em Mato Grosso.

Os valores são muito inferiores aos encontrados nas maiores legendas.

A diferença não decorre apenas das escolhas estaduais. O Fundo Eleitoral é inicialmente dividido nacionalmente entre os partidos de acordo com critérios legais ligados, entre outros fatores, ao desempenho eleitoral e ao tamanho das bancadas no Congresso. Depois, as próprias legendas estabelecem os critérios internos de distribuição entre suas candidaturas.

MDB FICA FORA DA DISPUTA FEDERAL

O MDB representa uma situação diferente: não montou chapa para deputado federal em Mato Grosso.

A direção estadual desistiu da disputa à Câmara e decidiu concentrar seus recursos e estrutura principalmente na eleição de Janaina Riva ao Senado e na chapa para a Assembleia Legislativa.

A própria direção partidária atribuiu a desistência, entre outros fatores, à insuficiência de recursos para sustentar uma chapa competitiva à Câmara.

DINHEIRO REVELA QUEM É PRIORIDADE

Os primeiros números permitem identificar estratégias muito diferentes.

Na União Progressista, Nilson Leitão recebeu sozinho quase metade do montante identificado para a chapa. No PSD, dois candidatos ficaram com dois terços do dinheiro já distribuído. O Republicanos estabeleceu diferentes faixas de financiamento. O Podemos optou, até aqui, por uma distribuição mais homogênea.

E há candidatos que ainda aparecem com zero de Fundo Eleitoral, inclusive dentro de chapas nas quais colegas já receberam centenas de milhares ou milhões de reais.

A legislação não obriga os partidos a entregar exatamente o mesmo valor a todos os candidatos. O TSE distribui o FEFC às direções nacionais, e cabe às legendas definir critérios para destinação dos recursos, respeitando as normas eleitorais e as reservas legalmente estabelecidas.

Por isso, a prestação de contas acaba funcionando também como uma fotografia das prioridades políticas das direções partidárias.

Em uma eleição proporcional, dinheiro não assegura mandato. Mas determina quanto cada candidato terá disponível para construir estrutura, percorrer um Estado de dimensões continentais como Mato Grosso e tentar alcançar o eleitor.

E, neste início de setembro, a corrida pelo Fundão mostra que alguns candidatos já largaram com milhões no caixa enquanto outros, inclusive dentro das mesmas chapas, ainda esperam pela primeira transferência.





FONTE

Google search engine