Reprodução/Secom e ALMT
Líderes nas pesquisas de intenção de votos, Mauro e Janaina não vão a debate pela segunda vez
O ex-governador Mauro Mendes (União) e deputada estadual Janaina Riva (MDB) não compareceram ao debate entre candidatos ao Senado, na manhã desta quinta-feira (10), na Rádio Centro América (do grupo TVCA), mas não conseguiram ficar fora do confronto.
Os dois foram alvos de ataques ao longo do encontro. E, no caso de Janaina, a crítica veio até de um companheiro de chapa.
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O deputado federal José Medeiros (PL) questionou a influência do pai dela, o ex-deputado José Riva, e colocou em dúvida a independência que a deputada teria para exercer um eventual mandato no Senado.
A ausência dos dois abriu espaço para uma disputa marcada por ataques cruzados entre os candidatos da direita — Medeiros, Antônio Galvan (Avante) e Margareth Buzetti — e os nomes posicionados mais à esquerda, o senador Carlos Fávaro (PSD) e o ex-governador Pedro Taques (PSB).
Sem Mauro no estúdio, Taques transformou o ex-governador em um dos principais alvos do debate, enquanto Janaina entrou na discussão, por meio de questionamentos sobre o legado político da família Riva.
Logo no primeiro bloco, Taques afirmou que pretendia perguntar a Mauro se ele teria coragem de apresentar o extrato de uma conta relacionada ao caso envolvendo a telefônica Oi S/A.
O ex-governador é investigado em uma apuração que envolve R$ 308 milhões e, segundo Taques, estaria buscando o mandato de senador para “fugir da Justiça”.
“Mauro Mendes está fugindo dos debates e a população sabe”, afirmou Taques.
“Ele tinha que vir aqui e dizer se os R$ 308 milhões foram parar na conta do Berinho [ Fernando Borges Garcia, pai do deputado federal Fábio Garcia], através de um fundo. Ele está fugindo. Ele é um medroso. Na internet, ele é corajoso, mas, presencialmente, ele não quer dar satisfação ao cidadão. Ele está buscando o mandato para fugir da Justiça”, afirmou.
Galvan reforçou a crítica e também acusou Mauro de evitar o confronto eleitoral, acrescentando ao discurso a questão envolvendo mercúrio utailizado em garimpos no Estado.
O tema voltou a aparecer mais tarde, quando Taques questionou Margareth Buzetti (PP) sobre corrupção e citou novamente o caso Oi.
O candidato afirmou que R$ 14 milhões teriam sido depositados na conta do filho de Mauro Mendes.
Buzetti, que integra a mesma coligação do ex-governador, afirmou que não cabe a ela condenar ninguém, antes da conclusão das investigações, mas declarou que é contra a corrupção.
“Não sei por que ele não veio, e eu acho que ele deveria ter vindo. As pessoas têm que se defender, e é isso que ele está fazendo dentro do processo”, afirmou a candidata.
ESCALA 6X1 E MERCÚRIO – O confronto entre os candidatos também avançou para temas nacionais.
Fávaro defendeu o fim da escala 6×1, argumentando que as pessoas não vieram ao mundo apenas para trabalhar.
Margareth Buzetti adotou uma posição mais cautelosa e disse que o assunto não deveria ser tratado em período eleitoral, sem diálogo com os setores envolvidos.
Para ela, a jornada deve ser definida por acordo entre patrão e empregado, e não necessariamente inserida na Constituição.
Na pauta ambiental, Taques questionou Medeiros sobre a flexibilização das regras para exportação de mercúrio.
Medeiros afirmou que o Brasil possui uma das legislações ambientais mais rígidas do mundo, mas argumentou que o problema está no excesso de portarias, decretos e resoluções que, segundo ele, deveriam passar pelo Legislativo.
Taques rebateu e disse que Medeiros não havia respondido à pergunta.
Em seguida, voltou a citar Mauro Mendes, afirmando que o ex-governador e o filho são investigados por questões relacionadas ao contrabando de mercúrio.
O candidato classificou o episódio como prejudicial ao Pantanal e à população.
TERRAS INDÍGENAS E AGRO – Outro embate de peso ocorreu em torno da demarcação de terras indígenas.
Galvan defendeu o marco temporal e questionou a criação de novas reservas indígenas.
Fávaro sustentou que é possível conciliar produção e direitos dos povos indígenas, e lembrou sua atuação quando ocupou o cargo de ministro.
Galvan reagiu acusando Fávaro de ter mudado de posição e fez referências ao MST para questionar a coerência do discurso do adversário.
O episódio aprofundou a divisão ideológica que marcou boa parte do debate.
Fávaro também foi atacado por Medeiros durante a discussão sobre transição energética.
Depois de o senador defender investimentos em energias renováveis e destacar ações do atual Governo, Medeiros afirmou que o adversário muda de comportamento conforme a circunstância política.
“Aliás, o senador Carlos Fávaro é mestre nisso e se comporta como camaleão. Na campanha, uma cor e quando chega lá, se comporta de outra forma”, disparou.
Fávaro respondeu destacando o crescimento da produção de etanol e milho em Mato Grosso e afirmou que o Estado se tornou uma potência mundial na produção de energia no campo.
MULHERES – As discussões sobre políticas para mulheres também produziram um confronto entre Medeiros e Buzetti.
A ex-senadora Margareth Buzetti afirmou que não recebeu emendas parlamentares, durante o período em que Fávaro esteve afastado do Senado para ocupar um ministério, alegando que ele retornou ao cargo e retomou os recursos.
Medeiros explorou o episódio para criticar a atuação de Fávaro e defender uma rede de atendimento à saúde da mulher.
O feminicídio também dividiu os candidatos.
Buzetti defendeu leis mais duras e destacou sua atuação na criação de medidas que tornaram o feminicídio crime autônomo e elevaram a pena.
Galvan questionou a efetividade da legislação e argumentou que a lei criaria uma diferenciação entre homens e mulheres.
Margarethi rebateu citando condenações de 18 e 40 anos em casos semelhantes e afirmou que, além da punição, é necessário fortalecer as vítimas para que tenham condições de romper com situações de violência.
FAMÍLIA RIVA – No terceiro bloco, porém, foi Janaina quem acabou ocupando o centro de uma das discussões mais contundentes.
Medeiros questionou Taques sobre as investigações que levaram José Riva à prisão e sobre as declarações feitas pelo ex-governador a respeito da trajetória da filha do ex-deputado.
Taques lembrou que Riva e o ex-governador Silval Barbosa foram presos durante sua gestão e, depois, fizeram delações.
Ao falar sobre Janaina, afirmou que não sabia o que ela fazia antes dos 26 anos, e defendeu que o eleitor precisa conhecer a trajetória dos candidatos.
Medeiros então direcionou a crítica à própria colega de chapa.
Disse enxergar uma estratégia de manutenção da influência de José Riva por meio das filhas, e questionou a candidatura de Janaina ao Senado, enquanto outra integrante da família [a empresária Jéssica Riva] disputa uma vaga na Assembleia Legislativa.
“O que tenho visto é que o Riva tem se revivido através das filhas. Estou vendo uma confusão muito grande porque ele quer colocar uma no Senado e outra na Assembleia Legislativa, causando uma grande confusão”, afirmou.
Taques também fez críticas ao histórico da família e associou o patrimônio acumulado durante os esquemas investigados à atuação política de Riva.
“Agora, R$ 600 milhões roubados sustentaramu a família toda”, declarou.
Medeiros encerrou a discussão com uma afirmação que atingiu diretamente sua companheira de chapa e o legado político de sua família: “Eu defendo que os candidatos sejam candidatos cotistas, que não têm rabo. Quem tem rabo não tem isenção para julgar ministro do STF.”
Esse é o segundo debate entre os candidatos ao Senado Federal, no pleito deste ano.
O primeiro, foi realizado pelo portal G1 e também não contou com a presença de Janaina e Mauro.





