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Trade eleitoral chega ao mercado de juros, mas queda pode ser limitada; entenda


A proximidade das eleições chegou ao mercado de juros e ajudou a derrubar as taxas dos títulos públicos, que nesta semana atingiram os menores níveis desde maio. O alívio, porém, não veio de uma melhora de fundamento ou da volta dos grandes compradores institucionais, brasileiros ou estrangeiros, o que estreita o espaço para quedas maiores daqui em diante.

“Houve um fechamento no último mês, mas foi por causa do prêmio de risco, que acabou diminuindo, não porque o estrutural melhorou”, diz Isabela Fukase, gestora de renda fixa da Tivio Capital, casa com R$ 32 bilhões sob gestão, dos quais cerca de R$ 14,7 bilhões estão em renda fixa.

O prêmio eleitoral estava em níveis bastante pressionados em meados de agosto e cedeu à medida que as pesquisas mostraram afunilamento entre os candidatos. A Tivio apostou nesse alívio, e viu os preços reagirem ao que julga ter sido uma mudança de percepção de que a disputa estava praticamente definida.

Huang Seen, head de renda fixa da gestora, avalia que o mercado ainda não precificou totalmente uma eventual alternância de poder. Mas, com o movimento até aqui, considera que o prêmio ficou menos atrativo. “Nesses níveis, o cenário já está um pouco mais equilibrado, e a gente está aproveitando para reduzir um pouco essas posições”, afirma Seen.

Enquanto isso, a casa se posiciona principalmente em prefixados, explorando o potencial de queda da inflação implícita, a diferença do pré para o juro real do papel IPCA+. Mas está mais neutra no curtíssimo prazo, pela expectativa de repique na inflação nos próximos meses, com a devolução do bônus de Itaipu (que deve ajudar o IPCA divulgado nesta sexta-feira), a sazonalidade e o efeito do El Niño sobre alimentos.

Apetite estrangeiro ainda tímido

Até julho, os leilões do Tesouro Nacional vinham registrando demanda fraca, com o órgão reduzindo volumes ofertados para não validar taxas cada vez maiores nas NTN-Bs (títulos atrelados à inflação, equivalentes ao Tesouro IPCA+), mas o quadro mudou e o as colocações começaram a ser ampliadas gradualmente. Com o mercado mais receptivo, a semana passada registrou o segundo maior leilão de prefixados do ano.

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Para Huang, a melhora se deve não só à questão eleitoral, mas também à maior liquidez disponível após o vencimento de R$ 257 bilhões da NTN-B 2026, e à postura do próprio governo, que dosou emissões em vários leilões para evitar pressionar as taxas. Nos prazos mais curtos, diz o profissional, o que pesa é a expectativa de mais quedas da Selic, após leituras de inflação mais benignas. A casa vê até dois cortes de 0,25 p.p. neste ano.

Mas ainda é difícil saber quem está comprando. Na visão dos gestores, a demanda de fundos de pensão segue limitada, após a maioria já ter realizado o movimento de casamento entre ativos e passivos, e não há demanda relevante por títulos de prazo mais longo. “[O comprador] é mais pulverizado. Se fosse mais estrutural, com a economia melhorando, veríamos uma agressividade maior nas compras. Não é o que está acontecendo”, avalia Isabela.

Tampouco há sinais de apetite maior do estrangeiro, que voltou para a Bolsa, mas não tanto para o mercado de juros. Uma pista virá no Relatório Mensal da Dívida, que mostrará a demanda por NTN-Fs (prefixados com juros semestrais), papel preferido do investidor global que opera juros no Brasil.

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“A nossa percepção é que o investidor estrangeiro é mais agnóstico em relação ao resultado das eleições, mas está muito preocupado com a deterioração fiscal”, aponta Huang. “Para ele, é muito mais importante uma sinalização de que vai ter algum tipo de ajuste fiscal logo passadas as eleições do que necessariamente quem vai ser o vencedor”, afirma.

Em qualquer cenário, a casa espera volatilidade relevante no dia seguinte à eleição, enquanto o mercado esperaria pelo anúncio de medidas fiscais.



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