A empresária Karina Ferreira da Gama, responsável pela produtora que realiza o filme “Dark Horse”, diz ter sido pressionada a fazer uma delação premiada durante as investigações sobre o longa.
Segundo ela, um advogado e um pastor ofereceram ajuda caso decidisse colaborar, mas ela afirma não ter informações capazes de incriminar outras pessoas.
Karina foi alvo da Operação Make Up, deflagrada pela Polícia Federal na quinta-feira, 10, por ordem do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). A operação apura suspeitas de desvio de recursos públicos que teriam relação com a produção do filme sobre Jair Bolsonaro.
Em entrevista à CNN Brasil, Karina disse ter sentido que esperavam dela informações sobre terceiros. Ela comparou sua situação à de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro que fechou acordo de colaboração premiada.
“Quando você me pergunta a minha sensação da operação e da condução das investigações, eu entendo que é como se eu fosse o próximo Mauro Cid. Que eu preciso incriminar pessoas.”
Segundo a produtora, um advogado chegou a oferecer auxílio para uma eventual delação e afirmou ter bom relacionamento no STF.
Depois, um pastor amigo também teria falado sobre a possibilidade de colaboração e mencionado pessoas que poderiam ajudá-la.
“Não vou [ser o próximo Mauro Cid], (…) porque eu não tenho como incriminar ninguém. Eu não tenho, eu não vi, eu não participei de nada que incrimine pessoas. Tudo que a gente fez foi um filme.”
Karina afirmou ainda que pretende colaborar com as autoridades, mas dentro dos procedimentos legais. Ela também relatou ter sofrido ameaças e disse temer que aspectos de sua vida pessoal sejam misturados à investigação.
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Emendas parlamentares
A produtora negou que “Dark Horse” tenha recebido recursos de emendas parlamentares.
Também rejeitou ter mantido relação direta com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, investigado em outra frente do caso.
“É porque o Vorcaro não deu nenhum centavo para a produtora. Não existiu nenhuma relação da produtora com o Vorcaro. Não existiu nenhuma relação da produtora com as empresas do Vorcaro, não existiu.”
Karina afirmou que o investidor inicial do projeto foi o fundo Havengate e disse que não participava da gestão da estrutura financeira.
Segundo ela, sua função era executar a produção depois da aprovação do projeto e do orçamento.
A produtora estimou em US$ 13,3 milhões o valor gasto no filme e afirmou que os recursos eram privados.
Uma delação homologada pelo ministro André Mendonça, porém, aponta sete transferências que somaram US$ 12,3 milhões ao Havengate, feitas por determinação de Vorcaro após pedidos de Flávio Bolsonaro.
Karina também disse que não tinha como atribuição investigar a origem dos recursos do fundo e que só descobriu pela imprensa a identidade da empresa que teria feito o investimento.
Investigação sobre instituto
Além da produção do filme, a investigação envolve o Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina, e um contrato com a Prefeitura de São Paulo.
O instituto recebeu recursos para o programa WiFi Livre SP, e a Polícia Civil investiga se parte do dinheiro foi desviada para outras finalidades.
Neste domingo, 13, Dino autorizou o acesso da investigação a relatórios de inteligência financeira do Coaf sobre Karina, o ICB e empresas subcontratadas.
O ministro também determinou a transferência à PF de celulares, computadores, documentos e dados apreendidos pela Polícia Civil.
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