O ministro do Supremo Tribunal Federal Nunes Marques se declarou impedido nesta terça-feira 15 de participar do julgamento que analisa a possibilidade de abertura de investigação contra Alexandre de Moraes por sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Nunes Marques afirmou que sua decisão está relacionada ao possível impacto do caso no cenário político e eleitoral de 2026, a menos de três semanas do primeiro turno.
Durante a sessão, o ministro disse considerar que a atuação do TSE tem sido positiva e que o julgamento em curso no Supremo pode produzir efeitos sobre a disputa eleitoral. “Eu não tenho dúvida de que, em que pese, e os debates vão fluir, que esse julgamento eventualmente pode também impactar no cenário político-eleitoral”, afirmou. Em seguida, declarou: “Então, na condição de presidente do TSE, eu não me sinto confortável para participar desse julgamento e afirmo o meu impedimento”.
A decisão ocorre em meio à divulgação de novas mensagens extraídas do celular de Vorcaro e entregues aos ministros do STF. Segundo a Folha de S.Paulo, diálogos entre o ex-banqueiro e Luiz Rennó, então diretor jurídico do Banco Master, mencionam pagamentos mensais de 500 mil reais que seriam destinados ao advogado Kevin Marques, filho de Nunes Marques, por meio da Consult Inteligência Tributária. A assessoria de Kevin nega que ele tenha prestado serviços ao Master ou recebido dinheiro de Vorcaro e afirma que os 281,6 mil reais que recebeu foram pagos pela Consult por serviços jurídicos.
As mensagens também fazem referência a um julgamento sobre a destilaria Alcídia, no qual Nunes Marques inicialmente havia se declarado impedido, mas posteriormente reviu a posição e votou pela tese que beneficiava a empresa. A assessoria do ministro afirma que ele havia sido apontado como impedido por ter atuado anteriormente no caso como vice-presidente do TRF-1, mas depois concluiu que tecnicamente não havia impedimento. Também sustenta que a decisão não tratava do Banco Master e que Nunes Marques nunca votou a favor do banco.
Outro conjunto de mensagens, revelado pelo Metrópoles, cita o próprio Nunes Marques em conversas de Vorcaro. Uma mulher identificada como Rayanna afirma a ele que uma amiga teria “ficado com o Kassio” e menciona uma cobrança de 10 mil reais. O ministro negou ter tido o encontro. Em outro trecho, aparece uma mensagem atribuída ao ministro, pedindo ajuda a um operador de viagens ligado a Vorcaro para organizar uma viagem para cinco pessoas. As conversas não estabelecem, por si só, quem teria arcado com os custos.
Apesar das novas referências a seu nome, Nunes Marques afirmou durante a sessão que não vê comprometimento de sua atuação. Disse que nunca relatou processo relacionado ao Master, que seu filho nunca prestou serviços ao banco e que não recebeu dinheiro de Vorcaro. Também declarou que não há mensagens trocadas diretamente entre ele e o ex-banqueiro. Ao explicar sua posição, afirmou que a confirmação da prisão de Vorcaro e de outros investigados é uma demonstração de sua independência.
Com a declaração de impedimento, Nunes Marques deixa de participar da decisão sobre a eventual investigação de Moraes. O ministro deixou o plenário do STF e não acompanhará o julgamento.






