Início NACIONAL Cármen Lúcia lamenta “descrença” nas instituições

Cármen Lúcia lamenta “descrença” nas instituições


A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), lamentou nesta quarta-feira, 16, o momento de “descrença” e “desânimo” com as instituições públicas e afirmou que a democracia depende da confiança dos cidadãos.

Durante participação por videochamada no XXII Encontro Nacional de Controle Interno, ela disse que erros são inerentes à condição humana, mas que a busca pelo acerto é uma obrigação de quem exerce função pública.

A democracia vive da confiança que o cidadão tem, que a cidadã tem, nas suas instituições. Eu digo isso com muito lamento, pelos momentos que estamos passando de descrença, de desânimo com a administração pública”, declarou a ministra.

“Como eu disse, erros são do ser humano, são dos nossos limites, mas a busca do acerto é uma imposição, é um dever que todos nós servidores temos, para garantir essa confiança que faz com que cada pessoa possa acreditar mais no país, possa acreditar mais na democracia e, principalmente, que ele possa saber que nós temos o dever de prestar mesmo o melhor serviço”, pontuou.

“Não é favor, não é uma prerrogativa, é obrigação, é uma obrigação que precisamos cumprir, com apoio do controle, que precisa, cada vez mais, de ter novos instrumentos de trabalho e ótimas condições de trabalho”.

Julgamento no STF

As falas da magistrada ocorrem um dia depois de o STF ter iniciado o julgamento do processo contendo o relatório da Polícia Federal (PF) com as mensagens enviadas por Vorcaro a Moraes.

Na terça-feira, 15, os ministros analisaram uma questão de ordem apresentada pelo ministro Gilmar Mendes contra o rito de tramitação do processo que o presidente do STF, Edson Fachin, estabeleceu. Porém, o julgamento foi suspenso devido a um pedido de vista de Flávio Dino.

Cármen Lúcia antecipou seu voto. Ela acompanhou Fachin, contra a questão de ordem.

Ao votar, ela pediu desculpas ao povo brasileiro e fez uma autocrítica contundente à atuação da Corte nos últimos dias.

Ela afirmou estar em estado de “profunda consternação e tristeza”, disse sentir-se “um pouco até envergonhada” e reconheceu que o Supremo, em vez de transmitir tranquilidade, “gerou intranquilidade” na sociedade.





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