O prefeito Abilio Brunini (PL) afirmou que o vereador Daniel Monteiro (Republicanos) foi o maior defensor da manutenção do mandato do vereador afastado Chico 2000 (sem partido) durante a votação que rejeitou a abertura de comissão processante na Câmara Municipal de Cuiabá. Chico está afastado por determinação da Justiça no âmbito da Operação Gorjeta, que apura suposto desvio de emendas parlamentares.
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Segundo Abilio, Daniel teve papel de protagonismo na sessão que arquivou dois pedidos de abertura de comissão processante contra o parlamentar. “Eu percebi que o protagonista disso foi o Daniel Monteiro. Eu estava vendo a manifestação dele lá da defesa, que tem súmula da terra indígena e não sei o quê, mas parecia Rolando Lero fazendo a justificativa”, declarou o prefeito, em referência ao personagem da Escolinha do Professor Raimundo.
As declarações ocorrem em meio à troca de farpas entre Abilio e Daniel nas últimas semanas. O embate ganhou força após o vereador apresentar requerimento para abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) contra o ex-chefe de gabinete do prefeito, Willian Campos, que foi exonerado depois que uma ex-servidora registrou boletim de ocorrência contra ele. Desde então, ambos têm feito críticas públicas um ao outro por meio da imprensa.
Ainda segundo Abilio, Daniel, que integra o bloco de oposição na Câmara, teria adotado postura contraditória ao votar contra a abertura de investigação política contra Chico 2000. “O Daniel Monteiro, que tanto me ataca, que tanto se posiciona, foi o maior defensor da manutenção do Chico na Casa contra o processo de investigação. Pergunta para ele qual é a opinião dele sobre isso”, disparou o prefeito.
Os arquivamentos
A Câmara de Cuiabá rejeitou, por maioria, os dois pedidos de abertura de comissão processante contra Chico 2000 na sessão realizada na terça-feira (10). O placar registrou 15 votos contrários, sete favoráveis e uma abstenção. A presidente da Casa, Paula Calil (PL), não votou, conforme prevê o Regimento Interno.
Antes da votação, Paula manifestou posição pessoal favorável à abertura da comissão. “Sou a favor da instalação da comissão processante, uma vez que dá o direito ao parlamentar acusado de se explicar, de prestar contas para a sociedade”, afirmou.
Ao justificar o voto contrário, Daniel Monteiro citou fundamentos jurídicos e decisões do Supremo Tribunal Federal. Ele argumentou que a abertura da comissão poderia gerar insegurança institucional e eventual conflito com decisões judiciais. “Estamos correndo o risco de incorrer novamente numa insegurança institucional”, declarou na ocasião.
Chico 2000 segue afastado do mandato por decisão judicial, com medidas cautelares em vigor no âmbito da Operação Gorjeta, conduzida pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor).
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