Início NACIONAL Com mudança na Justiça, governo Lula completa 15 trocas de ministros

Com mudança na Justiça, governo Lula completa 15 trocas de ministros


Com a saída de Ricardo Lewandowski do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e a nomeação de Wellington César Lima e Silva para assumir o cargo, o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chega à 15ª mudança no comando de ministérios da Esplanada.

As trocas no primeiro escalão refletem tanto ajustes políticos quanto tentativas de reorganizar áreas consideradas estratégicas, além de responder a crises internas. Apenas em 2025, o governo promoveu oito substituições ministeriais.

Embora Lewandowski tenha atribuído sua decisão a motivos pessoais, afirmando a interlocutores que já havia cumprido sua missão no Executivo e pretendia se afastar para descansar, aliados apontam outros fatores como determinantes para a saída antecipada.

Segundo auxiliares, também pesou a sinalização de Lula, feita em dezembro, de que pretende desmembrar o atual MJSP em duas pastas: uma voltada à Justiça e outra dedicada exclusivamente à segurança pública. A mudança, na avaliação interna, reduziria o poder do cargo.

O presidente, porém, condicionou a recriação do ministério da Segurança Pública — que já existiu no governo Michel Temer (MDB) — à aprovação da PEC da área, elaborada na pasta de Lewandowski e enviada ao Congresso em abril de 2025, mas que avança lentamente no Legislativo. De acordo com interlocutores, a avaliação do titular do Planalto segue sendo a mesma, já que Lula não quer ter um ministério exclusivo para a pauta da segurança sem uma definição clara das atribuições do governo federal na área.

A tendência é que as mudanças na Esplanada se intensifiquem ao longo do próximo ano. Pela legislação eleitoral, ministros que pretendem disputar as eleições terão de deixar os cargos até abril, o que deve provocar a saída de mais da metade do primeiro escalão. Nesses casos, a expectativa é que as pastas sejam comandadas interinamente pelos secretários-executivos.

Relembre as mudanças ministeriais do governo Lula 3

2023

  • Gabinete de Segurança Institucional (GSI)

A primeira saída do governo foi registrada em abril. O general Gonçalves Dias deixou o cargo depois que imagens mostraram o até então chefe do GSI dentro do Palácio do Planalto durante os atos antidemocráticos de 8 de janeiro. Quem o substituiu no cargo foi o general Marco Antonio Amaro.

A segunda mudança ocorreu em julho, com a substituição de Daniela Carneiro por Celso Sabino no Turismo.

Em setembro, o deputado André Fufuca (PP-MA) assumiu a vaga da ex-jogadora de vôlei Ana Moser no comando do Esporte, após remodelação da estrutura ministerial para acomodar mais um nome do Centrão no primeiro escalão do governo.

  • Ministério de Portos e Aeroportos

Também em setembro, Márcio França (PSB-SP) deixou o Ministérios de Portos e Aeroportos para assumir o recém-criado Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte. O comando da pasta, então, passou para Silvio Costa Filho (Republicanos-PE).

2024

  • Ministério da Justiça e Segurança Pública

Em fevereiro, Lewandowski substituiu o ministro Flávio Dino na pasta da Justiça e Segurança Pública. Dino deixou o ministério para ocupar uma das cadeiras do Supremo Tribunal Federal (STF).

  • Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania

Silvio Almeida foi demitido do cargo em setembro após denúncias de assédio sexual — uma das vítimas apontadas era a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco. Quem assumiu o comando da pasta foi Macaé Evaristo.

2025

  • Secretaria de Comunicação Social

No início de janeiro, o então ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Paulo Pimenta (PT-RS), foi substituído pelo marqueteiro Sidônio Palmeira.

Em fevereiro, a ministra Nísia Trindade foi demitida do Ministério da Saúde. O então ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, foi realocado para o seu lugar.

  • Secretaria de Relações Institucionais

Com a ida de Alexandre Padilha para a Saúde, quem assumiu a pasta da articulação política foi a então deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR).

  • Ministério das Comunicações

No mês de abril, Juscelino Filho (União-MA) pediu desligamento da chefia das Comunicações. No lugar, então, foi escolhido o engenheiro civil Frederico de Siqueira Filho.

  • Ministério da Previdência Social

Em maio, Carlos Lupi (PDT) pediu demissão do Ministério da Previdência pressionado pelo escândalo de fraudes em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Lula designou o ex-deputado federal e secretário-executivo da pasta à época, Wolney Queiroz, para ser o substituto de Lupi.

Em maio, Cida Gonçalves foi demitida por Lula da pasta das Mulheres. No lugar dela, assumiu a ex-ministra do Desenvolvimento Social Márcia Lopes.

  • Secretaria-Geral da Presidência

Em outubro, depois de meses de especulações nos bastidores, Lula demitiu Márcio Macêdo (PT-SE) do comando da Secretaria-Geral da Presidência. No lugar, ele nomeou o então deputado federal Guilherme Boulos (PSol-SP).

Celso Sabino ficou no cargo até dezembro de 2025. O União Brasil, antigo partido de Sabino, pediu a exoneração dele e indicou Gustavo Feliciano, filho do deputado federal Damião Feliciano (União-PB), para assumir a vaga.

2026

  • Ministério da Justiça e Segurança Pública

Na última quinta-feira (8/1), Ricardo Lewandowski entregou sua carta de demissão ao presidente Lula. No dia seguinte, ele foi exonerado do cargo em edição extra do Diário Oficial da União (DOU). Após articulações de membros do governo — como o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e o advogado-geral da União, Jorge Messias —, o escolhido para assumir o posto foi o advogado-geral da Petrobras, Wellington César Lima. A confirmação foi feita nesta terça-feira (13/1).



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