A informação se espalhou rapidamente. A palavra de Esteves no mercado financeiro tem credibilidade. Investidores de bancos e corretoras têm nela o principal termômetro de Brasília.
Naquele momento, em particular, a palavra dele estava em alta.
A relação próxima de Esteves com Arthur Lira era comentada por toda a Faria Lima.
Se houvesse alguma divergência entre o presidente da Câmara e o ministro da Fazenda, ambos tinham no banqueiro um interlocutor para chegar a um consenso.
O caso da taxação dos super-ricos se enquadrava no tipo de agenda da qual todos poderiam se beneficiar.
Esteves defendeu o projeto de Haddad em privado para Lira. Argumentou a seu favor para outros agentes do mercado e aconselhou seus clientes a aderirem e pagarem os impostos. Eram bilhões e mais bilhões administrados pelo BTG. Se ele avalizava, a medida ganhava ampla adesão, abrindo caminho para sua aprovação.
Vinte dias depois da previsão do banqueiro, a medida passou. E com alíquotas menores, como Esteves previu.
A dinâmica meio funcional, meio tensa que se formou entre ministro, deputado e banqueiro colheu vitória atrás de vitória em 2023: reforma tributária, voto de qualidade do Carf, arcabouço fiscal.
Esteves fazia elogios rasgados a Haddad, mas não economizava nas críticas ao governo Lula.
Várias foram as vezes em que as divergências do banqueiro voaram da Faria Lima até o gabinete presidencial.
Adversários do ministro faziam arder o fogo da intriga, soprando dúvidas sobre a proximidade dos dois no ouvido de Lula.
Em setembro de 2024, numa reunião com cerca de 30 pessoas do mercado financeiro, Esteves comentou um cenário hipotético sobre a eleição presidencial de 2026.
“Se a disputa for entre Tarcísio [de Freitas, governador paulista] e Haddad, pode comprar o que quiser no Brasil. Vai dar dinheiro”, previu.
A dois anos da eleição, o banqueiro manifestava apoio a dois possíveis candidatos, só não mencionava o próprio Lula, que deve tentar a reeleição.
A declaração caiu como uma pedra no gabinete presidencial. As reações logo viriam.
Em fevereiro de 2025, o Planalto excluiu Esteves do encontro de Lula com presidentes dos maiores bancos do país para discutir crédito consignado. Era um dos muitos sinais de descontentamento emitidos pelo governo.
O acúmulo de desgastes respingou na relação com Haddad.
Em meio ao tumulto causado pelo aumento do IOF, em maio, o ministro foi questionado por que não havia consultado Esteves antes do anúncio para se antecipar às críticas que o mercado faria.
Haddad respondeu que não podia revelar as medidas antes da hora para não beneficiar nem prejudicar ninguém.





