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Copom reduz Selic para 14,75%, mas Brasil tem a 2ª maior taxa real do mundo – CartaCapital


O Comitê de Política Monetária do Banco Central decidiu nesta quarta-feira 18, por unanimidade, reduzir a taxa básica de juros, a Selic, em 0,25 ponto percentual, de 15% para 14,75% ao ano. Trata-se da primeira queda no índice desde maio de 2024.

Ainda assim, o Brasil fecha esta quarta-feira com a segunda maior taxa real de juros no mundo, conforme um monitoramento das consultorias MoneYou e Lev Intelligence. Para calcular o índice real, leva-se em conta a taxa “a mercado” — um referencial do que seriam juros tomados em uma operação real — e a inflação projetada para os 12 meses seguintes.

Com seus 14,75%, o Brasil tem uma taxa real de 9,51%, atrás apenas da Turquia, com 10,38%. No top cinco ainda aparecem Rússia, com 9,41%; Argentina, também com 9,41%; e México, com 5,39%.

O Boletim Focus da última segunda-feira 16, publicado pelo BC após ouvir instituições financeiras, indica que a estimativa de inflação para o fim de 2026 é de 4,1% — há duas semanas, era de 3,91%.

O principal fator de incerteza nas análises é a guerra no Oriente Médio, com uma grande pressão sobre os preços do petróleo — que dispararam novamente nesta quarta, após ataques à infraestrutura energética no Irã e no Catar.

O preço do petróleo Brent do Mar do Norte, referência internacional da commodity, subiu 3,83% a 107,38 dólares o barril. Seu equivalente norte-americano, West Texas Intermediate, fechou em alta de 0,11%, a 96,32 dólares.

No comunicado em que divulgou a decisão desta quarta, o BC afirma que o ambiente externo se tornou mais incerto com o acirramento da guerra no Oriente Médio e seus reflexos nas condições financeiras globais. Esse cenário, de acordo com a instituição, demanda cautela por parte de países emergentes, devido ao aumento da volatilidade de preços de ativos e commodities.

Já no cenário doméstico, diz o Banco Central, o conjunto dos indicadores continua a apresentar “trajetória de moderação” no crescimento da atividade econômica, enquanto o mercado de trabalho ainda exibe “sinais de resiliência”.

Ao contrário do que fez após a reunião anterior, de janeiro, o Copom não indicou o que deve fazer no encontro seguinte:

“No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo”.

Quando o Copom decide aumentar a Selic ou mantê-la em níveis elevados, o objetivo é desaquecer a demanda para, em tese, conter a inflação: os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança, razão pela qual também dificultam a expansão da economia.

Ao reduzir a taxa, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle da inflação e estimulando a atividade econômica.

A segunda reunião de 2026 ocorreu com o Comitê desfalcado de dois diretores, uma vez que se encerraram em 31 de dezembro os mandatos de Renato Dias de Brito Gomes, da Organização do Sistema Financeiro, e Diogo Abry Guillen, da Política Econômica.

Cabe ao presidente Lula (PT) indicar e ao Senado aprovar os dois substitutos — o petista, porém, ainda não encaminhou ao Legislativo suas escolhas.

Os sete atuais integrantes do Copom foram nomeados por Lula — Gomes e Guillen eram os últimos remanescentes do governo de Jair Bolsonaro (PL). Veja a composição neste momento:

  • Nilton David
  • Ailton Aquino
  • Paulo Picchetti
  • Rodrigo Teixeira
  • Izabela Correa
  • Gilneu Vivan
  • Gabriel Galípolo

Saiba quando serão as próximas reuniões do Copom em 2026:

  • 28 e 29 de abril
  • 16 e 17 junho
  • 4 e 5 de agosto
  • 15 e 16 de setembro
  • 3 e 4 de novembro
  • 8 e 9 de dezembro

Confira os resultados de todos os encontros do Comitê desde o início do ano passado:

  • janeiro: de 12,25% para 13,25%;
  • março: de 13,25% para 14,25%;
  • maio: de 14,25% para 14,75%;
  • junho: de 14,75% para 15%;
  • julho: manutenção em 15%;
  • setembro: manutenção em 15%;
  • novembro: manutenção em 15%;
  • dezembro: manutenção em 15%; e
  • janeiro de 2026: manutenção em 15%.



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