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CPI quer saber o objetivo real de operação com 121 mortos no Rio, diz relator – CartaCapital


O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI do Crime Organizado, afirmou que a comissão investigará o planejamento e o objetivo da Operação Contenção, deflagrada pelo governo do Rio de Janeiro para oficialmente conter a expansão do Comando Vermelho, com um saldo de 121 mortos.

O colegiado iniciou os trabalhos na última terça-feira 4, com a definição da relatoria e da presidência, que ficou com o senador Fabiano Contarato (PT-ES). A Vieira caberá a responsabilidade de conduzir a apuração e propor medidas, como indiciamentos e projetos de lei.

No primeiro dia de funcionamento, a CPI aprovou convites a diversos governadores, entre eles o do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL). Em entrevista na última sexta-feira 7 ao programa Poder em Pauta, no canal de CartaCapital no YouTube, Vieira afirmou que a operação executada na capital fluminense em 28 de outubro exige esclarecimentos ainda não apresentados, em especial sobre o objetivo da ação.

“O Estado escolhe o momento e a forma como o confronto vai acontecer. Escolheram a forma de confronto aberto com alta letalidade”, disse o senador. “Já convidamos os técnicos da segurança pública e o governador para explicar o planejamento por trás disso e aonde eles querem chegar com essa operação. Ainda é uma pergunta sem resposta.

O relator afirmou considerar “prematura” a classificação das mortes como execuções, uma vez que, segundo ele, dados demonstram que houve confronto real. Se esse enfrentamento foi responsável por 121 mortes, ponderou, apenas uma apuração competente poderá demonstrar.

Além disso, frisou Vieira, a operação não resolve o problema representado pelo Comando Vermelho. “Esses soldados do crime que morreram são repostos rapidamente. O prejuízo financeiro é reparado em questão de dias ou semanas. E você fica sem uma consequência concreta da operação, salvo as mortes.”

As metas da CPI, segundo o senador, são desmistificar a segurança pública, traçar um diagnóstico completo da realidade brasileira e encaminhar soluções “constitucionais, seguras e viáveis” para alterar a realidadade dos cidadãos.

“A segurança pública é complexa, mas não tem segredos. Sabemos, tecnicamente falando, o que funciona e o que não funciona. Só que os tomadores de decisão — secretários, governadores, ministros, presidente — normalmente não acessam essas informações, e seguem o que mandam o senso comum e a pressão política.”

A comissão investigará os seguintes aspectos relacionados ao crime organizado:

  • ocupação de território;
  • lavagem de dinheiro, com ênfase em criptomoedas; bens patrimoniais; bancas de advocacia e segmentos econômicos lícitos, como combustíveis, lubrificantes, bebidas, garimpo, mercado imobiliário e cigarros;
  • sistema prisional;
  • corrupção ativa e passiva;
  • rotas de mercadorias ilícitas;
  • crimes de tráfico de drogas e de armas, sonegação tributária e roubo, entre outros;
  • integração entre os órgãos de segurança pública e as Forças Armadas, com destaque para as fronteiras;
  • experiências bem-sucedidas de prevenção e repressão ao crime organizado; e
  • recursos públicos disponíveis.

Assista à entrevista com Alessandro Vieira:





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