Episódios de “apagão de memória” dificultam a compreensão do relato de Anderson Kauan, de 8 anos, primo de Ágatha Isabelly, de 6, e Allan Michael, de 4, desaparecidos desde 4 de janeiro no Quilombo São Sebastião dos Pretos, em Bacabal (MA).
Segundo a Polícia Civil do Maranhão (PCMA), o menino não consegue reconstituir com precisão o trajeto feito na mata nem o intervalo de tempo em que permaneceu perdido com os primos.
Anderson foi encontrado três dias após o desaparecimento das crianças, andando sozinho pela mata. Em depoimento, contou que os três saíram de casa para procurar um pé de maracujá. As crianças chegaram a ser advertidas por um tio, que pediu que voltassem. Para não serem vistos, eles decidiram seguir por um caminho alternativo e acabaram se perdendo.
Ao Metrópoles, o delegado Ederson Martins, responsável pelo caso, afirmou que a estimativa é de que as crianças tenham permanecido juntas por pelo menos duas noites. Durante esse período, Ágatha Isabelly, Allan Michael e Anderson Kauan se abrigaram em um local conhecido pelos moradores como “casa caída”, uma cabana abandonada no meio da mata.
No terceiro dia de desaparecimento, Anderson decidiu seguir sozinho pela mata. Segundo o depoimento, os dois primos mais novos estavam cansados e queriam parar de caminhar. “[Ele] queria achar a saída. Estava perdido”, explicou o delegado.
Segundo Ederson Martins, o menino apresenta lapsos de memória que comprometem a reconstrução completa dos fatos. “Há partes em que ele não consegue situar onde estava no meio da mata e também não consegue repassar com precisão o lapso temporal”, afirmou.
O menino foi encontrado no dia 7 de janeiro por um carroceiro, em um matagal a cerca de 4 quilômetros do local onde as crianças desapareceram. Ele estava sem roupas e apresentava sinais de fraqueza. À época, afirmou que os primos estavam “mais à frente”, mas as crianças não foram encontradas.
Até o momento, a polícia não conseguiu estimar por quanto tempo Anderson caminhou sozinho pela mata antes de ser encontrado.
Buscas entram na 3ª semana
As buscas por Ágatha Isabelly e Allan Michael entram na terceira semana sem qualquer informação sobre o paradeiro das crianças. O caso chega, nesta segunda-feira (19/1), ao 16º dia sem novas pistas.
Dados do governo do Maranhão indicam que mais de 500 pessoas participam da operação, que reúne forças federais, estaduais, apoio interestadual e voluntários.
A força-tarefa foi ampliada ao longo do fim de semana com a entrada da Marinha do Brasil, que passou a atuar no Rio Mearim com o uso de side scan sonar. O equipamento permite o mapeamento do fundo do rio e da coluna d’água, mesmo em ambientes de baixa visibilidade.
Em paralelo, as buscas na mata continuam, assim como as investigações policiais. As equipes já realizaram varreduras em uma área superior a 3.200 km² — o equivalente a cerca de 450 mil campos de futebol.
De acordo com o secretário de Segurança Pública do Maranhão, Maurício Martins, todas as hipóteses seguem sendo apuradas pela Polícia Civil. Apesar de outras linhas de investigação não serem descartadas, as possibilidades de sequestro e violência sexual perderam força após exames periciais em Anderson descartarem abuso.






