O Ibovespa fez história mais uma vez nesta quarta-feira (21). O índice da Bolsa brasileira disparou 2,54% e atingiu um novo recorde ao ultrapassar os 170 mil pontos pela primeira vez. No pico do dia, chegou a 170.474,44 pontos, em um movimento que combinou fatores externos, fluxo estrangeiro e alta concentrada em ações de grande peso na carteira teórica.
A alta veio na esteira de um dia muito positivo para ativos locais. O dólar comercial caiu para R$ 5,32, enquanto os juros futuros recuaram ao longo da curva. Mas o que motivou o novo recorde? Na resposta, as razões conhecidas, e fatos que se desenrolaram ao longo do dia. Veja quais:
“Sell America”
Parte do movimento veio do exterior. O dia começou com o mundo reforçando a ideia de “venda a América” diante do receio de escalada na tensão entre os Estados Unidos e a Europa. Segundo Marcio Riauba, head da mesa de operações da StoneX Banco de Câmbio, isso elevou o prêmio de risco dos ativos americanos e levou investidores a reduzir exposição aos EUA. O reflexo foi a queda do índice DXY e a busca por alternativas fora do mercado americano.
Oportunidade com segurança!
Nesse contexto, o Brasil se beneficiou. Analistas do JPMorgan reforçaram nesta terça que o país está bem posicionado no movimento global de realocação para mercados emergentes, em um cenário de diversificação dos portfólios internacionais e retomada dos fluxos para a classe de ativos. Com isso, projetam um ano de entrada relevante de capital estrangeiro para a Bolsa: até aqui em janeiro, já são mais de R$ 7,3 bilhões de fluxos líquidos de estrangeiros no mercado à vista.
Trump alivia, e apetite ao risco aumenta
Quando o Ibovespa já subia, Donald Trump fez tudo melhorar. Declarações do presidente americano durante o Fórum Econômico Mundial de Davos, amenizaram os ânimos nos mercados globais. Ao falar em negociações pela Groenlândia sem uso de força militar, Trump reduziu tensões, o que favoreceu ativos de risco e empurrou Wall Street para o verde após ter desabado na véspera.
No mercado local, esse movimento se traduziu em entrada ainda maior de capital estrangeiro. “Por aqui, dólar e juros futuros recuam com movimento de investidores fugindo dos ativos americanos e beneficiados pelo carry trade no Brasil”, afirmou Riauba.
Continua depois da publicidade
Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, destacou que o ambiente externo mais favorável ao risco também ajudou. “O dólar opera em queda no mercado doméstico, refletindo mais um dia de recuo do DXY”, disse. Segundo ele, a acomodação dos juros globais reduziu a pressão sobre os Treasuries e diminuiu o apelo da moeda americana.
Pesquisa AtlasIntel
Além do cenário externo, o mercado local também assimilou o noticiário político. Shahini afirmou que os investidores passaram a incorporar “pesquisa eleitoral indicando avanço da oposição”, o que influenciou o comportamento dos ativos.
Em nova rodada da pesquisa AtlasIntel, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apareceu novamente liderando todos os cenários, mas com uma vantagem menor sobre Flávio Bolsonaro, que volta a mostrar competitividade após sondagem da Quaest mostrar retrato similar.
Blue chips disparam
O recorde do Ibovespa foi reforçado pela alta de ações de peso. Vale (VALE3) subiu cerca de 3%, Petrobras avançou aproximadamente 4% e os grandes bancos tiveram ganhos de até 2%, ampliando o impacto no índice.
Levantamento da Elos Ayta mostra que o avanço do Ibovespa em janeiro de 2026 é puxado por um grupo concentrado de ações, como Cogna (COGN3), que navega elevação de recomendação do BTG; TIM (TIMS3), Bradespar (BRAP4), Embraer (EMBJ3) e Vale. Três dessas empresas, Bradespar, Vale e Embraer, atingiram máximas históricas recentes.
“A análise setorial revela uma presença relevante de empresas ligadas a commodities e infraestrutura, com destaque para minerais metálicos, exploração e refino de petróleo, siderurgia e bancos, que juntos concentram parte significativa das ações líderes de rentabilidade no ano”, ressalta o estudo.
Continua depois da publicidade





