As bolsas internacionais sofreram com a guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã e o S&P500 fechou o mês em queda de 5,0%. Já o BDRX, índice de referência dos recibos de ações estrangeiras negociados na B3, caiu 3,7% em março. Apesar das incertezas com a disparada do petróleo e idas e vindas nas negociações para um acordo de paz, os analistas buscam oportunidades deixadas pela forte queda, que normalmente é exagerada nesses momentos.
A XP Investimentos, por exemplo, aproveitou a queda dos mercados para sugerir aumentar a posição em Big Techs. “Após período de correção dos mercados, vimos que os ‘valuations’ das Big Techs voltaram para patamares atrativos, com Nvidia negociando com múltiplos próximos aos do S&P500, apesar de forte perspectiva de crescimento”, diz a corretora em relatório.
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Para a Empiricus, as quedas observadas no mercado americano podem ter aberto oportunidades interessantes para os investidores buscando ativos internacionais. Primeiro porque, diferentemente de outros momentos, a desvalorização do S&P500 aconteceu em um momento em que os investidores revisaram para cima suas projeções de lucros para o índice ao final de 2026. “Dessa forma, o principal índice americano, que negociava acima das 20 vezes seus lucros projetados para o ano, voltou para a casa das 18 vezes com o recuo de pouco mais de 5% no ano”, diz o relatório, observando que a queda foi a maior para o índice desde março do ano passado, quando precedeu o “Liberation Day” do Governo Trump.
Risco persiste
A Empíricus lembra, porém, que os lucros das empresas podem sofrer revisões futuras para baixo caso os impactos dos preços das commodities reduzam significativamente o consumo global, lembrando que alguns países, como os do Sudeste Asiático, já começaram a implementar medidas de racionamento de energia nas últimas semanas.
“Contudo, quando analisamos apenas as Magnificent 7, o recuo nos preços em algumas dessas empresas fizeram com que elas passassem a ser negociadas por múltiplos P/L projetados perto das mínimas dos últimos cinco anos”, diz a Empiricus. E acrescenta que, quando comparadas com a média de mercado, algumas ficam ainda mais atrativas, considerando as perspectivas de crescimento para o próximo ano. O relatório lembra ainda que essas empresas devem ter sinalizações importantes com o início da temporada de resultados em meados de abril.
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Previsões já ajustadas para pior
Na Genial Investimentos, o dado mais relevante para o investidor é que, apesar do ruído geopolítico, o crescimento de lucros corporativos nos Estados Unidos segue acima da tendência de dez anos, o que diferencia o momento atual de ciclos anteriores de correção.
Segundo a corretora, analistas de mercado avaliam que a compressão de múltiplos já é consistente com cenários de desaceleração moderada, e que a assimetria favorece posições construtivas caso o conflito encontre resolução diplomática. No entanto, a sensibilidade do mercado à taxa do Treasury de dez anos permanece elevada, o que pode limitar a expansão de múltiplos mesmo em cenário de alívio.
Segundo a Genial, a alocação da casa em ações americanas segue mais conservadora, com foco em empresas geradoras de caixa e menor dependência de crescimento de múltiplos, enquanto a exposição a mineradoras de ouro e prata foi ampliada como posição de proteção e diversificação.
Consenso ainda de alta
O consenso para o S&P 500 segue apontando um ciclo ainda forte no curto prazo, mas com sinais de maior cautela à frente, avalia o BTG Pactual. As estimativas de crescimento de lucros para 2026 foram levemente revisadas para cima, de 15,0% para 15,3% (+0,3 ponto porcentual), enquanto 2027 teve revisão negativa, de 12,5% para 10,7% (-1,8 ponto porcentual).
Ao mesmo tempo, o investimento (Capex) das empresas esperado para 2026 continua acelerando, passando de um crescimento anual de 33,6% para 35,8% em 2026 (+2,2 pontos porcentuais), reforçando a continuidade do ciclo de investimento, especialmente relacionado à IA e infraestrutura digital.
Para o BTG, porém, apesar desse cenário construtivo no curto prazo em termos de fundamentos, o posicionamento e o sentimento pioraram de forma relevante entre fevereiro e março. “Observamos uma divergência entre os fundamentos das empresas e o sentimento de mercado no curto prazo: o capex continua sustentando o ciclo, enquanto o posicionamento está mais leve devido ao aumento das incertezas”, diz o banco em relatório.
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Esse movimento tem levado a uma redução tática do apetite ao risco, com o S&P 500 registrando queda forte em março. Diante desse cenário o BTG decidiu optar por uma estratégia marginalmente mais defensiva em abril, mantendo exposição a ações das chamadas “mega techs”, que apresentaram compressão de múltiplos e passaram a apresentar um “valuation” mais atrativo após a correção observada em março.
Cautela e oportunidade
As ações mais indicadas pelas oito corretoras acompanhadas pelo Infomoney mostra essa busca de aproveitar as oportunidades que surgiram com a turbulência da guerra e ao mesmo tempo um pouco mais de cautela, com empresas como Coca-Cola e ExxonMobil, com receitas mais garantidas em caso de a crise continuar ou até ganhos maiores, caso da petroleira. A grande aposta continua, porém, no setor de tecnologia, como mostra a tabela abaixo.
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Confira os comentários das corretoras sobre as mais indicadas de abril.
Com quatro indicações, a Apple se mantém entre as ações internacionais mais indicadas. Segundo o Santander Brasil, a empresa divulgou bons números no quarto trimestre, com destaque para as vendas do iPhone e para as receitas de serviços. Segundo o banco, para o primeiro trimestre deste ano, a Apple espera um crescimento acim ado consenso, mas com possível pressão nas margens em função dos altos preços de memória.
Amazon AMZO34
Também com quatro indicações, a Amazon é citada pelo BTG Pactual pelo potencial de crescimento dos serviços de nuvem via AWS, novas oportunidades de expansão em inteligência artificial e avanço das operações de streaming via o Amazon Prime.
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Coca-Cola COCA34
Com quatro indicações, a Coca-Cola aparece como novidade entre as mais indicadas, um sinal de maior cautela dos analistas. Segundo o BTG Pactual, a empresa é uma tese de resiliência, beneficiada pela busca por defensividade em um ambiente de maior incerteza macroeconômica. A companhia segue entregando resultados resilientes, sustentados por uma demanda robusta por seus produtos e pela forte presença global de suas principais marcas. O banco também está otimista com o poder da empresa subir seus preços em um ambiente mais desafiador, mantendo suas margens.
Alphabet GOOG
A Alphabet, controladora do Google, segue como uma das preferidas dos analistas, com quatro indicações para abril. Para a XP, a empresa ainda apresenta forte capacidade de seguir conquistando espaço na frente de inteligência artificial com boa execução.
Microsoft MSFT34
Também com quatro indicações, a Microsoft é indicada pelo Santander Brasil por seu amplo portfólio de produtos e serviços, além de elevado poder de fidelização à marca diante do alto custo de substituição ou em alguns casos ausência de concorrentes no mesmo nível de qualidade e preço. O banco cita o crescimento acelerado de serviços de núvem, desenvolvimento de ferramentas de inteligência artificial, reestruturação societária da OpenAI e receitas recorrentes com fidelização dos clientes.
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A fabricante de chips para inteligência artificial se mantém entre as mais indicadas e foi incluída pela Empiricus em sua carteira deste mês após o evento GTC 2026, em que anunciou que espera reportar receita de mais de US$ 1 trilhão entre 2025 e 2027, o que significaria vendas em torno de US$ 500 bilhões apenas no próximo ano, crescimento de 60% sobre o esperado em 2026. A Empiricus lembra que a Nvidia passou a não vender apenas chips isolados, mas infraestrutura completa de inteligência artificial.
Para o BTG Pactual, a fabricante de circuitos integrados e semicondutores de Taiwan segue como uma das principais beneficiárias do tema de inteligência artificial, sustentada por um momento de resultados positivos e pelos avanços tecnológicos recentes, como o lançamento do chip A 16
ExxonMobil EXXO34
A forte alta do petróleo por conta da guerra do Irã fez várias corretoras incluírem a ExxonMobil em suas carteiras. A XP lembra que as ações da empresa terminaram o primeiro trimestre com alta de 41% no período, a melhor performance trimestral do papel. A empresa é uma das maiores empresas de petróleo e gás natural do mundo e está envolvida em todas as fases da cadeia de valor de energia.
Micron Technology MUTC34
Segundo o Santander Brasil, a Micron vem se beneficiando da forte demanda por memória em função principalmente do avanço da inteligência artificial. A empresa já teria inclusive vendido a totalidade de sua capacidade de produção de memória de alta largura de banca (HBM) deste ano. Novos chips também demandarão novas memórias, com as HBM4, produzidas pela Micro, lembra o banco.





