Reprodução/ALMT e Sintep-MT
O deputado Lúdio tem emenda que aumenta a RGA dos servidores. Henrique Lopes (detalhe), do Sintep, anuncia indicativo de greve
O deputado estadual Lúdio Cabral (PT) vai apresentar, na sessão desta quarta-feira (14), na Assembleia Legislativa, uma emenda ao projeto de lei da Revisão Geral Anual (RGA), para garantir aos servidores estaduais o pagamento de parte das perdas salariais acumuladas nos últimos sete anos.
A proposta do petista é que, além dos 4,26% que o Governo de Mato Grosso se propõe a pagar para repor a inflação do ano passado, os servidores recebam mais 4,92% referentes à parte das perdas acumuladas, que somam 19,52%.
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Conforme a emenda, esse valor deve ser pago com parte do excesso de arrecadação que Mato Grosso terá em 2026.
A previsão é de que o Estado tenha mais de R$ 10 bilhões de excesso de arrecadação ao longo deste ano.
Os 4,92% de recomposição propostos por Lúdio Cabral devem gerar impacto de R$ 1,6 bilhão.]
“Na emenda, estamos propondo um artigo novo ao projeto de lei da RGA para assegurar 4,92% adicionais, para começar a pagar a dívida acumulada que o Estado tem com os servidores, além dos 4,26% da inflação de 2025. Neste ano, o Estado deve ter mais de R$ 10 bilhões de excesso de arrecadação, portanto terá dinheiro mais que suficiente para pagar R$ 1,6 bilhão que correspondem aos 4,92% que estamos propondo”, disse o deputado.
Segundo estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), feito a pedido da Federação Sindical dos Servidores Públicos de Mato Grosso (Feesp-MT), os servidores de Mato Grosso acumulam 19,52% de perdas salariais, nos últimos sete anos.
“São os servidores que fazem as políticas públicas acontecerem. É por meio do trabalho humano que a população tem acesso aos serviços públicos para que tenha seus direitos realizados. Por isso, é importante que os servidores sejam respeitados e valorizados”, disse Lúdio Cabral
INDICATIVO DE GREVE – O presidente do Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT), Henrique Lopes, voltou a afirmar que a ausência de recomposição salarial dos servidores de Mato Grosso se deve à falta de vontade política – e não orçamentária – do Governo Mauro Mendes (União) para quitar o débito salarial de 19,52% com os servidores do Estado.
Nesta terça-feira (13), houve uma coletiva de imprensa convocada pela Federação Sindical dos Servidores Públicos, às vésperas da convocação parlamentar, nesta qiarta (14), que votará o percentual da recomposição da Revisão Geral Anual (RGA), referente a 2025.
Conforme Henrique, o orçamento do Estado registra arrecadação de cerca de R$ 44 bilhões (2025), valor substancial para cumprir com o repasse dos débitos da RGA aos servidores.
“Ao não negociar, o Governo cria uma bola de neve que, em 2026, soma ainda os 4,26% de correção, resultado de anos em que não houve o pagamento integral da inflação e outros em que ela foi zerada pelo Estado. Esperamos que o governador Mauro Mendes não empurre as dívidas para o próximo governo”, afirmou.
A presidente da Fessp-MT, Carmem Machado, cobrou a interlocução com o Governo para negociar o débito de 19,52%, que, conforme estudos do Dieese, é viável sem comprometer o limites orçamentários com a folha de pagamento.
“Estamos tentando buscar estratégias, entre as quais uma possível paralisação de todos os setores do Estado”, destacou.
Conforme Carmem, o descontentamento com as perdas salariais, durante as duas gestões de Mauro Mendes, atinge não só os servidores do Executivo, mas também do Legislativo e do Judiciário.
O encontro foi concluído com a convocação para que os servidores participem, nesta quarta-feira, às 10h, da votação na Assembleia Legislativa.
O objetivo é pressionar o Governo e os parlamentares a apresentarem solução para o déficit na RGA.





