Início NACIONAL Enquanto golpe é julgado, Washington recebe grupos pró e anti-sanções

Enquanto golpe é julgado, Washington recebe grupos pró e anti-sanções


Do outro lado, estão na cidade representantes da Confederação Nacional da Indústria (CNI), da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Além disso, o Itamaraty reforçou os quadros para monitorar a situação na capital americana.

O grupo empresarial tentará convencer as autoridades do governo Trump de que não faz sentido tarifar o Brasil, com quem os EUA sustentam um superávit de mais de uma década na balança comercial. Segundo o presidente da CNI, Ricardo Alban, o grupo tenta retomar a normalidade das relações bilaterais de 200 anos e obter a abertura de uma negociação comercial, travada até agora, já que a Casa Branca condiciona as conversas à interrupção do julgamento de Bolsonaro. A CNI não divulgou a agenda de seus representantes no Capitólio.

Hoje, o Representante Comercial dos EUA, USTR na sigla em inglês, fará uma audiência pública para ouvir interessados em relação a uma investigação aberta pelo órgão, por decisão de Trump, por supostas práticas desleais de comércio do Brasil em temas tão amplos como serviços de pagamento eletrônico, aplicação de medidas anticorrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.

O processo, conhecido como seção 301, poderá criar novas tarifas sobre o Brasil e ofereceria uma saída jurídica mais robusta para as medidas tarifárias da Casa Branca, já que na última sexta-feira, a Justiça dos EUA determinou que o presidente americano não tem poder legal para impor taxas com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional, IEEPA, mecanismo que ele vinha adotando para tarifar mais de uma centena de países, inclusive o Brasil.

Segundo Gabrielle Trebat, diretora para o Cone Sul da consultoria McLarty Associates e ex-Vice Secretária Adjunta para Assuntos Comerciais e Relações Públicas do Departamento do Tesouro dos EUA, embora a decisão judicial não cite as atuais tarifas contra o Brasil, o entendimento do mercado é que elas barrarão também os 50% de Trump sobre exportações brasileiras. “Mas ninguém deve ficar com muita esperança porque está claro que o governo Trump vai achar outra ferramenta para impor essas tarifas, inclusive essa seção 301”, disse Trebat à coluna.

Por isso mesmo, os empresários brasileiros se empenham em expor seus argumentos diante da equipe do embaixador Jamieson Greer, chefe do USTR. Entre as manifestações estarão, por exemplo, a do vice-presidente de Relações Governamentais da Embraer na América do Norte, Daniel Hickey, a de Marcos Matos, Diretor Executivo do Conselho Brasileiro dos Exportadores de Café, além das considerações do embaixador Roberto Azevedo, ex-Diretor-Geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), que falará em nome da CNI. Além disso, os empresários esperam ser recebidos em reuniões no Congresso dos EUA e ouviriam o retorno do trabalho feito pelos lobistas da consultoria Ballard Partners, que tentavam destravar o diálogo dos brasileiros com o governo americano.





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