Secom-MT
O vice Otaviano Pivetta, constantemente, aparece em eventos do Governo com Mauro: estratégia seria dar visibilidade ao pré-candidato a governador
O deputado estadual Dilmar Dal’Bosco (União), ex-líder do Governo Assembleia Legislativa, confirmou que o governador Mauro Mendes (União) deixará o cargo no final deste mês de março – no mais tardar, nos primeiros dias de abril, dentro do prazo estabelecido pela legislação para a disputa eleitoral deste ano.
Mesmo todos sabendo da forte tendência de Mauro se desincompatibilizar do Governo, a dúvida é se ele vai ser candidato a uma das duas vagas para o Senado ou vai apenas cumprir um acordo com Otaviano Pivetta (Republicanos).
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O vice-governador, que se prepara para assumir o comando da máquina estarual e iniciar campanha pela reeleiçã, foi literalmente o avalista do atual chefe do Executivo, nas disputar vitoriosas de 2018 e 2022 pelo Palácio Paiagás.
As acomodações estão acontecendo e, no mesmo prazo em que a janela partidária permite a troca de siglas para os detentores de mandato eletivo proporcional – deputado estadual e deputado federal -, também se encerra o prazo para quem ocupa de cargos no Executivo e que desejam disputar as eleições se desincompatibilizar – ou seja, deixar os seus cargos para enfrentar as urnas.
A maior expectativa é em relação justamente a Mauro Mendes. Sua saída trará reflexos no desdobrar da disputa eleitoral deste ano em Mato Grosso. Vai possibilitar que Pivetta use a força do cargo, não apenas como titular, mas em proveito próprio, como candidato à reeleição. Para analistas, isso tornaria a disputa pelo Governo desproporcional, considerando os demais postulantes ao cargo..
Há regras eleitorais inibidoras para os ocupantes de cargos públicos que vão disputar as eleições no exercício da função. Mas, a limitação dos aparatos judicial e policial permite subterfúgios por parte de candidatos à reeleição.
Resta agora esperar e ver como será o desenrolar a situação até a formação dos grupos que disputarão as eleições e quem vai estar no palanque de quem, para saber as reais possibilidades de cada um perante o eleitorado que vai as urnas em 4 de outubro em primeiro turno e no dia 25 do mesmo mês, se tiver eleição em segundo turno.
Vale lembrar que, desde 1988, Mato Grosso só realizou eleições em dois turnos para prefeito de Cuiabá e para presidente da República.
POLÊMICA EM COMISSÃO – Na terça-feira (10), ocorreu a primeira reunião ordinária da Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR), após a escolha dos novos membros pelos blocos parlamentares e do presidente e vice-presidente, respectivamente, o próprio Dal’Bosco e Diego Guimarães (Republicanos).
Dal’Bosco aproveitou para esclarecer os fatos que levaram a críticas por parte do deputado Eduardo Botelho (União), que, em 2025, foi presidente da CCJR e, com duras falas, reclamou o não cumprimento de um acordo que previa sua permanência na mais importante comissão permanente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso.
Nela, obrigatoriamente, passam todas as matéria, sejam elas de autoria dos deputados, do Governo do Estado; do Tribunal de Justiça, do Tribunal de Contas do Estado, do Ministério Público da Defensoria Pública, entre outros.
“A Assembleia Legislativa de Mato Grosso era a única do Brasil em que existia uma regra interna que impedia o deputado estadual eleito e cumprindo seu mandato de fazer parte da CCJR, caso ele ocupasse o cargo de líder do Governo ou líder de partido. Ainda bem que isto foi alterado”, disse Dal’Bosco.
“Como o governador Mauro Mendes está deixando o mandato no fim deste mês, eu deixei a liderança do Governo, função que ocupo há vários anos, para que o futuro governador Otaviano Pivetta (Republicanos) tenha liberdade para indicar seu líder. Para delinear como será sua gestão”, disse o deputado, enfatizando a desincompatilização do atual titular da função
Mesmo negando, a estratégia de sacar Eduardo Botelho da CCJR foi tramada dentro do Palácio Paiaguás, atendendo a uma pressão em cima do governador Mauro Mendes por parte do “núcleo duro” de sua administração, por causa de posições independentes.
Botelho também nega, mas carrega duras mágoas pela postura do chefe do Poder Executivo, em relação as eleições municipais de 2024, quando o parlamentar então favorito a disputa pela Prefeitura de Cuiabá, foi sendo esvaziado por medidas e até falas desairosas por parte do staff governamental.
E também do próprio Mauro Mendes, que, em determinados momentos, demonstrou com clareza a preferência por outro nome do partido. No decorrer da disputa, se mostrou claramente apoiador do hoje prefeito Abílio Brunini (PL).
SINAIS – O governador Mauro Mendes (União Brasil) tem saído pela tangente, sempre que é questionado sobre sua pré-candidatura ao Governo.
Ele insiste em dizer que não há nada definido, que está conversando com afamílaietc.
Nos últimos dias, ele tem acelerado sua agenda de entrega de obras e convênios no interior, antes do prazo limite de 4 de abril, da Justiça Eleitoral, para se desincompatibilizar do cargo, caso queira disputar as eleições deste ano.
“Cumpri aquilo que prometi na campanha. Colocar Deus na frente, trabalhar com seriedade e usar a capacidade e o conhecimento que eu tinha”, disse Mendes, em Canarana (823 km a Nordeste de Cuiabá), na terça-feira (10).





