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fundos da Reag acionaram sigilo de carteiras durante investigações da PF


Ao menos cinco fundos administrados pela Reag acionaram a regra de sigilo sobre a composição de suas carteiras em um período que coincidiu com o avanço de diligências da Polícia Federal (PF) no âmbito da Operação Carbono Oculto e com as negociações envolvendo a venda do Banco Master, dentro da Compliance Zero.

O Metrópoles apurou que os fundos Olaf 95, Hans 95, Maia 95, Astralo 95 e Reag Growth 95, todos geridos pela Reag — liquidada pelo Banco Central em janeiro de 2026 — acionaram o sigilo temporário autorizado por regulamentação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que permite a omissão do detalhamento dos ativos das carteiras por prazo determinado.

A regra autoriza que os fundos deixem de divulgar o detalhamento de suas carteiras por até seis meses. Os períodos de sigilo adotados por esses fundos coincidem com fases de avanço das investigações conduzidas pela PF, que apuram fraudes, lavagem de dinheiro e o uso de empresas e fundos para ocultação de recursos ilícitos no setor de combustíveis, em esquema ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Além disso, fundos administrados pela Reag, fundada por  João Carlos Mansur, estão no escopo de outra investigação da PF que apura se essas estruturas financeiras foram usadas para inflar ou ocultar riscos no Banco Master, envolvido em uma tentativa de venda ao Banco de Brasília (BRB), operação que acabou vetada pelo Banco Central.

Essa apuração, deflagrada em outubro, tem como alvo outros fundos do mercado financeiro.

Em 2025, fundos da Reag chegaram a manter, em diferentes momentos, aproximadamente, R$ 651 milhões aplicados em CDBs e RDBs emitidos pelo Banco Master, de Daniel Vorcaro, segundo dados de carteira disponíveis. A exposição, no entanto, passou a ser reduzida nos meses seguintes, indicando retirada gradual de recursos já aplicados, e não novos aportes recorrentes — os meses mais recentes têm seus dados omitidos.

Além dos títulos bancários, fundos da Reag mantiveram posições relevantes em outros ativos ao longo de 2025. Um dos fundos, o Astralo 95, chegou a manter cerca de R$ 140 milhões em ativos classificados como crédito privado e, aproximadamente, R$ 520 milhões em ações, valores que refletem estoques de posições mantidas ao longo dos meses, e não transferências ou aplicações adicionais realizadas mensalmente.

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Michael Melo/Metrópoles

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Ex-sócio

Conforme mostrou a coluna do Metrópoles Grande Angular, meses antes de estar entre os alvos da Operação Compliance Zero, o ex-sócio do Banco Master Augusto Lima teve bens bloqueados pela Justiça de São Paulo.

O bloqueio ocorreu em 29 de abril de 2025, quando foram encontrados R$ 112 milhões aplicados em uma conta de Augusto na Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A.

Segundo a coluna, o bloqueio foi determinado no âmbito de uma ação de execução de dívida. A família ex-proprietária do Banco Voiter, vendido ao Master em 2024, solicitou liminar para bloquear bens dos banqueiros do Master no valor original da dívida, de R$ 470,5 milhões.



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