Início GERAL Governador e senadora manobram para evitar que Taques fale a CPI

Governador e senadora manobram para evitar que Taques fale a CPI


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Mauro Mendes e Margareth Buzetti e assessores andam em corredor do Senado: suspeita é de que senadora interferiu para barrar depoimento de Pedro Taques em CPI

Caiu como uma bomba no “núcleo duro” do Palácio Paiaguás a convocação do ex-procurador da República e ex-goovernador Pedro Taques (PSB) para que compareça à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, no Senado.

Temendo pelo pior, que seria dar munição para o seu principal adversário político, o governador Mauro Mendes (União) esteve no Senado da República, tentando interceder para evitar a convocação de Taques.

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No final da tarde desta quarta-feira (11), o item 7 da pauta da CPI, que tratava da convocação de Pedro Taques, já aparecia como retirado.

Segundo se apurou, o próprio relator, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), havia solicitado a retirada do pedido, atendendo a uma solicitação da senadora mato-grossense Margareth Buzetti (PP), que é aliada de primeira ordem do governador e da primeira-dama, Virgínia Mendes.

Fotos mostra Mauro Mendes e Margareth Buzetti nos corredores do Senado.

Apresentado no dia 4 passado, o requerimento de convocação de Pedro Taques estava na pauta de votação da CPI para esta quinta-feira (12). Agora, vai depender de uma nova agenda para ser apreciado. Isso, se não for retirado em definitivo, o que é permitido pelo Regimento Interno da Casa.

No pedido de convocação, o senador Alessandro Vieira cita, principalmente, a necessidade de se apurar a atuação do Banco Master, que, em Mato Grosso e em boa parte dos estados e municípios, atuava com operações de empréstimos consignados e aplicação de recursos de fundos previdenciários.

Mas, as ramificações e as várias frentes de apuração podem levar as investigações das operações consignadas para o que é conhecido como “Escândalo da Oi S/A”, que é o pagamento de R$ 308 milhões, pelo Governo Mauro Mendes, para dois fundos de investimentos, o Royal Capital e o Lotta Word, que, mais tarde, se descobriria, foram criados pelo Master.

Esses recursos teriam sido lançados em uma verdadeira ciranda financeira, passando por outros fundos até retornarem para familiares do governador Mauro Mendes. A transação envolveria, além de políticos e empresários, membros do staff do Executivo Estadual e magistrados do Tribunal de Justiça.

Pedro Taques é apontado pelo relator da CPI como “um jurista com visão peculiar e aprofundada da administração pública”, além de ter sido procurador da República e de ter exercido mandato de senador da República e de governador de Mato Grosso.

“Ele detém uma visão privilegiada e técnica sobre os mecanismos de funcionamento do Estado e as formas de interação entre o sistema financeiro e a administração pública. Sua colaboração trará ao colegiado um depoimento de altíssimo valor probatório, especialmente no que concerne ao complexo ecossistema de empréstimos consignados voltados a servidores públicos”, descreve Alessandro Vieira, em seu pedido de convocação.

Certo mesmo é que a apresentação, em uma CPI que desperta a atenção de todo o Brasil e até de outros países, onde Daniel Vorcaro, então presidente do Banco Maste,r fez gastos exorbitantes e extravagantes, bem como sua relação política, tem um potencial devastador. Ainda mais, em ano de eleições.

Taques tem sido implacável e arguto em sua missão de fiscalizar o Governo Mauro Mendes. E o faz empre acompanhado de vasta documentação, principalmente levantada nos portais de transparência, que se tornaram instrumentos de acompanhamento das administrações públicas, em suas diversas esferas.

Se a fala do ex-governadors desperta, o interesse dos senadores, coisa que não é difícil de se fazer, ainda mais em relação ao Banco Master e Daniel Vorcaro, que estão no epicentro do maior escândalo econômico, financeiro, político, administrativo e judicial que se tem notícia, os membros da CPI podem pedir a quebra de sigilo em cima dos empréstimos consignados realizados para os servidores públicos de Mato Grosso.

Situação que o Procon já demonstrou conter uma série de irregularidade. Além disso, há apurações da Mesa Técnica do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE/MT), que também avaliou parte considerável dos contratos de empréstimos remetidos pelas próprias instituições financeiras, após serem notificadas oficialmente pelo órgão.

O relator da CPI assinala ainda que Pedro Taques passou a representar entidades sindicais de servidores públicos estaduais em denúncias relacionadas a irregularidades no sistema de crédito consignado operado no Estado de Mato Grosso.

“Conforme amplamente noticiado pela imprensa mato-grossense, ao longo de 2025, Taques afirmou haver fortes indícios de fraudes em contratos firmados com a empresa Capital Consig, que teriam causado prejuízos financeiros estimados a cerca de 14 mil servidores públicos estaduais. As denúncias apresentadas indicam ainda que tais operações teriam contado com a intermediação financeira e operacional do conglomerado Banco Master e de empresas e agentes a ele associados, que teriam atuado na estruturação, viabilização e circulação dessas operações de crédito consignado”, observou Alessandro Vieira.

Mais adiant,e ele assinala que, na condição de advogado dos sindicatos,Taques protocolou representações e denúncias perante diversos órgãos de controle, incluindo o Ministério Público Federal, o Ministério Público do Estado, o Tribunal de Contas e o Banco Central do Brasil.

“É essencial que esta Comissão compreenda, sob a ótica de quem geriu a máquina pública e legislou em matérias sensíveis, como a referida instituição financeira logrou êxito em operar vultosas carteiras de crédito consignado, muitas vezes em cenários de fragilidade regulatória ou mediante estratégias de captação agressiva que agora são apontadas como fraudulentas pela Polícia Federal”, completou Vieira.

Para o senador, o depoimento do ex-governador permitirá rastrear se a gestão de tais ativos serviu de anteparo para a ocultação de recursos ilícitos. Ou se houve o uso de influência política para a manutenção de contratos, em detrimento do interesse público e da proteção da poupança popular.

Ademais, a oitiva se justifica, segundo ele, “pela urgência em confrontar a paralisia investigativa imposta por decisões que suspenderam requerimentos desta CPI, enquanto as autoridades policiais avançam na identificação de danos bilionários e na existência de milícias privadas”.

“A experiência de Estado do convocado auxiliará ainda este Parlamento a identificar falhas sistêmicas nos mecanismos de compliance e a propor medidas legislativas que impeçam que instituições financeiras utilizem o crédito público como ferramenta de estratificação patrimonial de organizações criminosas. Diante da relevância institucional do depoimento e do compromisso do convocado com a transparência pública, a aprovação deste requerimento é medida que se impõe para a garantia do êxito dos trabalhos desta Comissão”, afirmou o relator.

Resta agora saber quais serão os próximos passos da CPI do Crime Organizado, em relação à convocação e a apresentação de Pedro Taques, que afirma dispor de farta documentação que comprovaria uma série de problemas.

E ainda oportunizaria a possibilidade de se abrirem investigações sobre o rumoroso Escândalo da Oi S/A, que tem tirado o sono do governador Mauro Mendes.

Com essa documentação, Pedro Taques já formalizou à Procuradoria-Geral da República (PGR), ao Ministério Público de Mato Grosso (MPMT); à Assembleia Legislativa e ao Tribunal de Contas, denúncias quanto asupostas  irregularidades e ilegalidades na transação da Oi S/A.

Segundo ele, após uma ciranda financeira por vários fundos de investimentos, os R$ 308 milhões pagos à telefônicateriam retornado para os empresários Luís Antônio Taveira Mendes, Hélio Palma de Arruda Neto e Robério Garcia, entre outros.





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