O JPMorgan avalia que o Brasil segue bem posicionado para os investidores após a recente melhora do cenário geopolítico global, com o fim das tensões mais agudas no Oriente Médio impulsionando os mercados emergentes.
Segundo o banco, a reação dos preços nos últimos dias sinaliza que o mercado busca retomar posições em ativos de risco, movimento que tem beneficiado de forma relevante os ativos brasileiros.
O Ibovespa atingiu nível recorde na quinta e superou os 195 mil pontos, enquanto o real se fortaleceu para o patamar mais elevado em dois anos. No mesmo período, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de moedas fortes, recuou mais de 1%, ao passo que os índices MSCI de emergentes e da América Latina avançaram cerca de 5%.
Na avaliação do JPMorgan, caso o acordo de trégua no Oriente Médio se sustente, o Brasil tende a continuar performando bem nos próximos meses. No entanto, o banco destaca que o movimento deve vir acompanhado de uma rotação dentro da Bolsa, com setores que mais sofreram desde o início do conflito recuperando protagonismo. Entre eles, o destaque vai para o setor financeiro, que ficou atrás de outros segmentos desde fevereiro.
No campo macroeconômico, o JPMorgan reafirma a leitura de que o ciclo de afrouxamento monetário no Brasil continua em curso e pode ganhar tração. Os economistas do banco esperam que o Comitê de Política Monetária (Copom) acelere o ritmo de corte da Selic para 50 pontos-base já na reunião de 29 de abril, mantendo esse passo ao longo do ano.
Com isso, a taxa básica de juros encerraria 2026 em 11,75% ao ano, abaixo do que está atualmente precificado pelo mercado. Apesar das recentes pressões vindas da alta do petróleo e do avanço das expectativas de inflação nas últimas semanas, o JPMorgan aponta que o fortalecimento do real atua como um fator relevante de alívio, criando espaço adicional para uma política monetária mais estimulativa.
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Na visão da equipe de estratégia do JPMorgan, é bastante impressionante que o Brasil tenha registrado entradas de capital estrangeiro durante todo o mês de março, enquanto os mercados emergentes registraram saídas. “Os R$ 11,7 bilhões em entradas observados em março foram apenas R$ 25% menores do que em fevereiro. Isso reforça o status de porto seguro que o Brasil (e a América Latina) alcançaram no início da guerra. E isso não vai mudar em um momento em que ainda há dúvidas sobre o momento da normalização do fornecimento de petróleo”, apontam os estrategistas.
Do ponto de vista dos mercados emergentes, o JPMorgan assume metade da entrada semanal observada no período pré-guerra. Isso se traduz em cerca de US$ 4,5 bilhões por semana, ou US$ 36 bilhões nos próximos dois meses, o que colocaria os fluxos para mercados emergentes no nível mais alto de todos os tempos, superando 2021 (US$ 101 bilhões).
“Acreditamos também que o desempenho relativamente superior do Brasil em relação ao restante dos mercados emergentes pode moderar à medida que os preços do petróleo caem e o ruído relacionado às eleições se torna um fator mais importante nos mercados”, avalia.
Isso é particularmente relevante se a Petrobras (PETR4; cerca de 15% do MSCI Brasil) desacelerar após sua forte valorização.
“O Ibovespa está sendo negociado atualmente em torno do nosso cenário-base de 190 mil pontos. Atingir nossa meta otimista de 230 mil pontos provavelmente exigiria que o Brasil mudasse de uma estratégia impulsionada pelo momento para uma história de crescimento estrutural mais sustentável. Isso, por sua vez, provavelmente exigiria mudanças nas políticas: uma postura fiscal mais crível criaria espaço para uma política monetária mais flexível e — crucialmente — ajudaria a comprimir os rendimentos em toda a curva. Se essas condições se concretizarem, o Brasil poderá ter um desempenho significativamente superior”, avalia.
O Brasil está sendo negociado a 10,4 vezes o lucro por ação projetado para 12 meses, o que representa um desconto de 20% em relação ao restante dos mercados emergentes e está em linha com sua média.
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