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Juro do Tesouro IPCA+ segue nas alturas mesmo com inflação ‘controlada’; por quê?


O juro real (descontada a inflação) de curto prazo da dívida pública voltou a rondar os 8%. O Tesouro Nacional vendeu no leilão desta terça-feira (20) o lote integral ofertado de NTN-B (Tesouro IPCA+) com vencimento em 2029 a uma taxa de 8,0475% ao ano.

O resultado volta a jogar luz sobre um problema na curva de juros brasileira: por que os papeis de inflação seguem com taxas tão altas, mesmo após o IPCA ter surpreendido para baixo em 2025?

Na virada de 2024 para 2025, a curva de juros incorporava o maior prêmio de risco desde 2015, observam analistas do Itaú BBA. Ao longo de 2025, houve uma redução relevante desse prêmio, mas concentrada principalmente nos papeis prefixados.

Nesta terça, papéis do Tesouro IPCA+ pagavam mais de 8% nos prazos curtos, e oscilavam acima dos 7% nos mais longos, indicando que, apesar de alguma acomodação da inflação em 2025 e das expectativas futuras, o mercado continua exigindo um retorno real elevado para carregar os títulos.

“Parte relevante do ganho de 2025 veio de tirar o medo do preço, não de uma melhora estrutural completa nos fundamentos”, diz em relatório o time liderado pelo economista Lucas Queiroz.

Segundo o banco, o mercado reduziu parte do “colchão” de incerteza que havia sido precificado no fim de 2024, mas manteve uma exigência elevada de retorno real, principalmente nos vencimentos mais longos.

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O que esperar para 2026 — e a importância do carrego

O Itaú BBA avalia que 2026 tende a ser um “teste de maturidade” para a curva de juros. Com a inflação mais bem precificada e um prêmio de risco menor do que no início de 2025, o foco do mercado passa a ser os condicionantes remanescentes do juro longo.

Isso porque a esperada queda da Selic tende a impactar principalmente o trecho curto da curva. Já para um ajuste mais relevante no longo prazo, dizem os analistas, seria necessária nova compressão do prêmio de risco ou uma revisão do juro neutro (o patamar que não estimula nem contrai a economia).

“O juro longo no Brasil responde, em linhas gerais, a quatro forças: o nível corrente da Selic, as expectativas para a trajetória futura da política monetária, a percepção sobre o juro neutro e o prêmio de risco – onde fiscal, credibilidade institucional e aversão a risco global se encontram”, diz o relatório do Itaú BBA.

Diante da expectativa baixa de que os juros longos cedam, o banco avalia que o investidor deve balizar suas expectativas na renda fixa: após um ano em que já houve redução de prêmio, o recomendado para 2026 é carregar as aplicações até o vencimento – portanto, reduzindo projeção de ganhos expressivos com a venda antecipada dos títulos mais longos.

“O início do ciclo de corte, quando vier, empurra a curva para baixo por definição, mas não basta para recolocar o long end no “mundo de 10%” de 2023”, alertam os analistas. “Para isso, o Brasil precisa que o miolo da inflação mostre sinais melhores, que o fiscal pare de ser uma fonte recorrente de prêmio, ou que o externo devolva uma nova rodada de vento a favor via moeda. Até lá, há retorno carregando, mas há menos convexidade “gratuita” – e é aí que a seleção de pontos da curva e a disciplina de risco voltam a fazer diferença.”



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