Presidente pode assinar entre 20 e 40 acordos na Espanha e Alemanha, incluindo um sobre minerais críticos; defesa é outra área negociada
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) viajará na próxima semana para Espanha, Alemanha e Portugal em mais um giro internacional. Estão previstas reuniões bilaterais com o chanceler alemão, Friedrich Merz (CDU, centro-direita), o premiê espanhol, Pedro Sánchez (PSOE, esquerda), e o primeiro-ministro português, Luís Montenegro.
Além disso, o presidente participará de uma cúpula sobre democracia e poderá assinar de 10 a 20 acordos na Espanha e na Alemanha.
A agenda também reflete a avaliação do Planalto de que a relação com os Estados Unidos enfrenta incertezas. Um encontro com Donald Trump (Partido Republicano, direita) ainda não foi definido, enquanto o governo norte-americano mantém foco no conflito com o Irã.
A viagem começa em Barcelona, nos dias 17 e 18 de abril. No dia 17, Lula participa da 1ª cúpula bilateral Brasil–Espanha, com delegações ministeriais dos 2 países e uma lista extensa de acordos em negociação.
A Espanha é considerada um parceiro-chave nas negociações com a União Europeia, especialmente por defender a implementação do acordo Mercosul–UE. O governo brasileiro pretende usar a entrada em vigor provisória do tratado, prevista para 1º de maio, como ativo político e econômico durante a viagem.
No dia 18, o presidente participa do fórum “Defendendo a Democracia contra os Extremismos”, encontro que reúne de 10 a 15 líderes de países que enfrentaram episódios de extremismo político. Estão confirmados representantes de Irlanda, Eslováquia, África do Sul, Gana e Malásia. O presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa (ANC, esquerda), também deve participar.
Os debates se organizam em torno de 3 eixos: crise institucional da democracia, impacto das fake news e relação entre desigualdade e extremismo.
A cúpula ocorre na mesma semana em que o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance (Partido Republicano, direita), vai a Budapeste para apoiar o premiê húngaro Viktor Orbán (Fidesz, direita), às vésperas das eleições na Hungria. O governo brasileiro acompanha o pleito. Para o Planalto, o resultado pode indicar a influência de Washington em eleições europeias e servir de referência para o Brasil, que vota em outubro.
De Barcelona, a comitiva segue para Hannover, nos dias 19 e 20. O Brasil é o país parceiro da edição deste ano da Hannover Messe, a maior feira industrial do mundo —é a 1ª vez em 46 anos que o país ocupa essa posição. Haverá também reunião de governo com delegações ministeriais.
A entrada em vigor provisória do acordo Mercosul–União Europeia, em 1º de maio, dá peso adicional à agenda alemã.
A programação inclui uma ofensiva empresarial de 2 dias, com rodadas de negócios que o Palácio do Planalto pretende converter em investimentos. Entre as pautas, estão a Petrobras e a eficiência dos biocombustíveis brasileiros.
O presidente já disse que desafiou o chanceler alemão, Friedrich Merz, e o presidente da Mercedes-Benz, Denis Güven, a comparar as emissões dos produtos nacionais com os europeus. “Quero ir lá, na feira de Hannover, para provar. Qual é o óleo diesel que emite menos CO₂ no planeta Terra? Quero provar que é o brasileiro”, declarou Lula em novembro de 2025, em Maputo.
Na volta, há previsão de passagem por Lisboa, com encontros com o primeiro-ministro, Luís Montenegro, e o presidente de Portugal, António José Seguro (PS, esquerda).
GRANDE NEGOCIAÇÃO
O número de acordos a serem assinados ainda não está fechado. Também podem ser negociados acordos na área de defesa com Espanha e Alemanha.
Minerais críticos são o tema com maior probabilidade de avanço nas negociações com a Espanha. O pano de fundo da viagem é a disputa global por terras raras e a tentativa do Brasil de se posicionar na cadeia de valor desses recursos.
O governo prepara a criação de um conselho nacional sobre o tema, vinculado à Presidência, e já firmou acordos com outros países enquanto tenta negociar o assunto com os Estados Unidos.
Os acordos em negociação com países europeus e outros parceiros ainda têm caráter inicial e não comprometem futuras regras de exploração. A definição de uma política nacional para o setor deve avançar ao longo deste ano.
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