Início NACIONAL Moraes decide não colocar policiais dentro da casa de Bolsonaro

Moraes decide não colocar policiais dentro da casa de Bolsonaro


Ministro do STF reforça prisão domiciliar com revistas em veículos e vigilância externa para evitar risco de fuga

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), decidiu neste sábado (30.ago.2025) não autorizar a entrada de policiais no interior da casa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar em Brasília desde 4 de agosto. A medida havia sido sugerida pela PF (Polícia Federal) para reforçar a vigilância, diante de risco de fuga, mas foi rejeitada pelo magistrado. Leia a íntegra (PDF – 168 kB).

Em vez disso, o ministro determinou duas ações de monitoramento externo:

  1. vistorias em todos os veículos que saírem da residência, incluindo a checagem de porta-malas, com registro de motoristas e passageiros. Os relatórios deverão ser enviados diariamente ao STF; e
  2. fiscalização presencial na área externa da casa, especialmente nos fundos e laterais do imóvel, onde há “pontos cegos” que dificultam o rastreamento eletrônico da tornozeleira.

A decisão foi tomada depois de manifestações da PGR (Procuradoria Geral da República) e da Seape (Secretaria de Administração Penitenciária do DF). Ambos apontaram dificuldades no monitoramento, que vão desde falhas técnicas da tornozeleira eletrônica até limitações estruturais da residência, localizada em condomínio fechado.

A Seape afirmou que Bolsonaro “possui imóveis contíguos nas duas laterais e nos fundos, o que causa a existência de pontos cegos” e alertou que o equipamento pode ser burlado em situações como permanência em subsolos, uso de bloqueadores de sinal ou até o chamado “envelopamento” com papel alumínio.

A PGR declarou que não havia necessidade de vigilância contínua dentro da casa, mas reconheceu a necessidade de reforço no controle das áreas externas e do entorno do condomínio. “Observo que não se aponta situação crítica de segurança no interior da casa. Ao que se deduz, a preocupação se cingiria ao controle da área externa à casa […] Certamente, porém, que há se ponderar a expectativa de privacidade também nesses espaços”, escreveu a Procuradoria.

A Polícia Federal, por sua vez, havia sustentado que só a presença de agentes no interior da residência poderia eliminar os riscos de fuga, citando precedentes como o caso do ex-juiz Nicolau dos Santos Neto.

Ao decidir, Moraes afirmou que a prisão domiciliar é uma medida intermediária, mas ainda assim constitui restrição de liberdade. Segundo o ministro, sem fiscalização efetiva, a medida perde utilidade. Por isso, reforçou o monitoramento externo, mas preservou a privacidade do ex-presidente e de sua família dentro de casa.

“Embora a prisão domiciliar seja uma medida intermediária entre as diversas cautelares previstas na legislação e a prisão preventiva, continua sendo uma espécie de restrição à liberdade individual, não perdendo as características de restrição parcial da privacidade e intimidade do custodiado, sob pena de sua total inutilidade”, declarou.

O ministro já havia determinado na 3ª feira (26.ago) o reforço do policiamento integral, 24 horas por dia, nas proximidades da casa do ex-presidente no Jardim Botânico. Para Moraes, a proximidade do julgamento sobre a tentativa de golpe, marcado para começar em 2 de setembro, somada às “ações incessantes” do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos, indica risco de fuga de Bolsonaro para escapar da aplicação da lei. Leia a íntegra da decisão (PDF – 394 kB).



FONTE

Google search engine