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Mudanças na prova teórica da CNH preocupam presidente do Detran-MT; reprovação caiu de 40% para 7%



Gustavo Vasconcelos, presidente do Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso (Detran-MT), viu com preocupação alguns dados já observados com as mudanças na prova teórica para obtenção de Carteira Nacional de Habilitação (CNH). A taxa de reprovação caiu de 40% para 7%. As alterações na prova prática devem passar a valer já a partir da próxima semana e também têm sido vistas com precaução, já que algumas faltas graves agora não serão mais eliminatórias.

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Desde o mês passado o Detran-MT já vem realizando a prova teórica para obtenção de CNH de acordo com a Resolução nº 1.020/2025 do Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN). As mudanças trouxeram mais autonomia ao candidato na realização das aulas teóricas, que podem ser feitas até por aplicativo, e da prova teórica. O Detran-MT já viu uma grande mudança nos resultados.

“Na prova teórica, se a gente pegar a porcentagem, nós tínhamos 40% de reprovação. Hoje, já com a nova legislação, que nós já estamos, com relação à prova teórica, em funcionamento há mais de 20 dias, esse índice de 40% de reprovações passou para 7%”.

Na visão do presidente, o modelo anterior conseguia identificar que 40% dos candidatos não estavam preparados para concluir o processo de habilitação, enquanto o modelo de agora identifica 7%. 

Antes, o Detran-MT contava com um banco de questões próprio, que tinha 8 mil questões. Agora, a partir da resolução, o órgão deve utilizar o banco de questões da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), que tem 1,5 mil questões.

Apesar da medida tornar mais acessível a obtenção da CNH e o conhecimento sobre as normas de trânsito, o presidente do Detran-MT questiona se isso, de fato, irá resolver a questão da imprudência no trânsito.

“Não sei se vai resolver, se você tem uma queda de índice de reprovação de 40% para 7% na prova teórica, onde ali você tem toda a parte de educação de trânsito, se você retira de alguma forma essas 45 horas que o aluno tinha de estar fazendo, já era um filtro para que esse aluno pudesse entender um pouquinho de trânsito. A partir do momento que teve essa queda grande, é preocupante. Esperamos que na prova prática não tenha uma queda tão grande assim também”, disse.

As mudanças também devem impactar o índice de reprovação na prova prática. Segundo Gustavo Vasconcelos, 75% das reprovações se davam no início da prova, na baliza e na garagem. Estes dois fatores, agora, não serão mais eliminatórios. Este novo modelo, que deve ser implementado a partir da semana que vem, será ainda mais flexível.

“Não tem mais falta eliminatória. Então, se você tiver fazendo a prova e passar por um sinal vermelho, antes isso eliminava, era reprovado automaticamente. Agora, se você passar no sinal vermelho, fazendo a prova, você não será reprovado. Ele vai ter que passar em dois sinais vermelhos. Ou seja, tem que ter várias infrações gravíssimas durante a prova para que seja reprovado. Antes não, se você saísse aqui do Detran, tem um sinal de ‘Pare’ ali na frente, se você não parasse, você ia ser reprovado já de imediato”, pontuou.

Apesar disso, a esperança do presidente é que a experiência dos examinadores da prova prática faça a diferença na hora de filtrar os motoristas despreparados.

“Tem a inclusão social, agora, a gente tem que só ter cuidado com o seguinte: não deixar a pessoa fazer a prova teórica ou fazer a prova prática sem condições. Não é chegar e fazer de qualquer jeito. (…) Nós vamos ter as nossas exigências, nós vamos cumprir toda a legislação que existe. [Consideramos] também o aumento no índice de acidentes, (…) a própria imprensa vem divulgando que no ano de 2024 tivemos muito mais mortes no trânsito do que em 2023. Em 2025 também vamos ter mais do que em 2024. Então se a gente colocar pessoas na rua incapacitadas, o número de acidentes vai aumentar”.



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