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Nikolas encerra ato em Brasília com recado ao STF e sem citar vítimas de raio


O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e seus apoiadores fazem caminhada em direção a Brasilia

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) encerrou neste domingo (25) em Brasília a caminhada que iniciou na última segunda-feira (19) num protesto pela anistia de Jair Bolsonaro (PL). O ato que foi planejado para recepcionar o parlamentar, numa área central da capital federal, acabou ofuscado por um raio que atingiu o local e deixou pelo menos 89 feridos, sendo 47 encaminhados a hospitais.

A direita apostava no ato para mobilizar os apoiadores a pressionar o STF (Supremo Tribunal Federal) pela libertação do ex-presidente, preso após ser condenado a 27 anos e 3 meses de prisão pela tentativa de golpe de Estado.

Apenas Nikolas discursou. O pastor Silas Malafaia, que era esperado, não compareceu. Em sua fala, o parlamentar mandou recados ao STF (Supremo Tribunal Federal) e à cúpula do Congresso, e ignorou as vítimas da descarga atmosférica no local.

“Uma pessoa que tem sido omissa neste país se chama Davi Alcolumbre. Nós queremos, Davi, a instalação da CPMI do INSS e da CPMI do Banco Master”, afirmou Nikolas.

Mais tarde, o parlamentar foi ao Hospital de Base do Distrito Federal, unidade de saúde que recebeu 27 dos feridos no incidente. Visitou pacientes e posou para fotos, cujas imagens foram divulgadas em suas redes sociais.

“Fiz questão de vir aqui pessoalmente, mesmo após 255 quilômetros rodados. Aconteceu um incidente natural. Não foi por irresponsabilidade nossa, não foi falta de organização, não foi tumulto. Foi literalmente algo que foge do nosso controle. Não poderia deixar de vir aqui prestar nossa solidariedade”, disse.

 

Levantamento do Monitor do Debate Político do Cebrap e a ONG More in Common calculou que a manifestação reuniu 18 mil pessoas. A contagem foi feita a partir de fotos aéreas realizadas em dois horários diferentes —às 10h45 e às 15h15— e do uso de um software de inteligência artificial. A margem de erro é calculada em 12%. Segundo o levantamento, no momento de pico, às 15h15, o público variou entre 15,8 mil e 20,1 mil participantes.

A Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal estimou que a caminhada do Plano Piloto até a Praça do Cruzeiro reuniu mais de 50 mil pessoas. Segundo o órgão, três fatores dificultaram a contagem: a chuva intensa, a alta circulação e a cobertura (guarda-chuvas).

Nikolas saiu de Paracatu na segunda-feira (19) rumo a Brasília com o objetivo de fazer um ato pela anistia de Bolsonaro e para pressionar para que ele ao menos seja transferido do regime fechado para o domiciliar.

“Alexandre de Moraes, o Brasil não tem medo de você. Lula, o Brasil não tem medo de você”, gritou do alto de um carro de som para que os apoiadores repetissem.

O deputado também mandou recado aos próprios apoiadores para que não descessem à Esplanada para evitar tumulto. “Ninguém, absolutamente ninguém, deve descer na Esplanada”, disse.

A primeira-dama Michelle Bolsonaro não compareceu ao ato. Ela encontrou Nikolas pela manhã em um local onde ele pernoitou. Fez uma oração com os apoiadores e disse que precisava sair para fazer almoço para o marido.

Flávio Bolsonaro também não foi, por estar em Jerusalém, mas declarou apoio ao ato nas redes sociais.

Quem esteve presente no ato foi o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, com um blusa amarela e capa de chuva.

 

O ato foi criticado pela esquerda. O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou que Nikolas foi irresponsável durante a caminhada e que vai pedir à PF que investigue se houve alguma culpa pelo incidente com o raio.

“[Nikolas] Saiu caminhando pela BR-040 sem comunicar Polícia Rodoviária Federal ou autoridades competentes. Fechou pista, ocupou a via, teve até helicóptero pousando na borda da estrada. Brincou com a vida das pessoas”, disse.

A caminhada reuniu pessoas de diferentes regiões, que iniciaram o trajeto em pontos distintos. A reportagem conversou com participantes que chegaram de bicicleta e também a pé, muitos deles carregando cartazes com frases como “Fora Lula!”, “Fora Moraes!”, “BolsoTrump” e “Acorda Brasil!”.

À medida que o ato avançava, outros manifestantes aguardavam nas proximidades da praça do Cruzeiro, vestindo camisetas amarelas e verdes e exibindo faixas contra o presidente Lula e o ministro do STF Alexandre de Moraes.

O público era diverso, com adultos, crianças, idosos e pessoas com deficiência, incluindo cadeirantes.

Com a chegada de Nikolas e de outros parlamentares, parte dos participantes subiu em árvores e cadeiras para tentar vê-los e acompanhar o discurso.

Durante o ato, os manifestantes fizeram orações, cantaram o Hino Nacional e entoaram palavras de ordem repetidas pelo deputado, como “Alexandre de Moraes, o Brasil não tem medo de você” e “Lula, o Brasil não tem medo de você, porque o Brasil acordou”.

O empresário André Ricardo Gomes Natário afirmou ter percorrido cerca de 50 quilômetros, de Luziânia (GO) até a praça do Cruzeiro, para participar do ato. Segundo ele, está há 20 anos envolvido em mobilizações ligadas ao conservadorismo.

“É uma questão de princípios de família e de religião. Desde que me casei, vejo a educação sendo manipulada, com pessoas sendo formadas de uma maneira diferente”, disse.

O evento terminou por volta das 15h30, após o discurso do deputado.





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