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Número que Vorcaro contatou em dia de prisão era de Moraes, segundo CPI


Celular identificado pela CPMI do INSS é o que o ministro usava, inclusive em conversas com jornalistas; colegiado pediu que STF responda em “2 dias úteis” quem portava esse aparelho

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro mandou mensagens via WhatsApp para uma pessoa no dia de sua 1ª prisão, em 17 de novembro de 2025. A CPMI do INSS pediu que o nº do celular desse destinatário fosse identificado pelo Sittel (Sistema de Investigação de Registros Telefônicos e Telemáticos). A resposta foi que o telefone era do Supremo Tribunal Federal. O Poder360 sabe qual é o número checado e verificou que esse celular foi usado pelo ministro Alexandre de Moraes durante vários anos, inclusive em conversas com jornalistas no período em que fundador do Banco Master foi preso.

Moraes negou que tenha recebido tais mensagens.

O presidente da CPMI do INSS, Carlos Viana (Podemos-MG), solicitou num ofício (íntegra – PDF – 185 kB) enviado ao STF na 5ª feira (19.mar.2026) que o Tribunal informe “no prazo de 2 (dois) dias úteis” quais foram “os usuários dos últimos 5 (cinco) anos (janeiro de 2021 até a data do presente ofício)” do número de celular identificado como destinatário das mensagens de Vorcaro.

O ofício da CPMI do INSS foi enviado à diretora-geral do Supremo, Desdêmona Tenório de Brito Toledo Arruda.

Na 2ª feira (16.mar), Viana disse em entrevista ao programa Roda Viva”, da TV Cultura, que o colegiado teve acesso aos dados do celular de Vorcaro e confirmou que o número para o qual o agora ex-banqueiro enviou uma mensagem no dia de sua prisão era de um aparelho funcional do STF. O senador chegou a dizer que o dispositivo era de Moraes, mas depois passou a falar que era do Supremo. Questionado sobre como ele sabia da informação, o senador não explicou.

Na 5ª feira, o senador fez uma publicação (íntegra – PDF – 5 MB) na qual afirmou que a informação havia sido obtida a partir de um questionamento feito a empresas de telefonia por meio do Sittel.

Segundo a jornalista Malu Gaspar, o ex-banqueiro e o ministro trocaram mensagens no decorrer do dia em que ele foi preso pela 1ª vez pela Polícia Federal, em 17 de novembro de 2025. A prisão se deu à noite, quando Vorcaro se preparava para sair do Brasil. De acordo com a reportagem, o empresário perguntou em uma mensagem se o interlocutor tinha alguma novidade e se tinha conseguido “bloquear”.

Numa nota divulgada (íntegra – PDF – 6 MB) por meio da Secretaria de Comunicação do STF em 6 de março, o ministro reiterou não ter sido o destinatário das mensagens de Vorcaro.

Como mostrou o Poder360 em 5 de março, mensagens obtidas pela Polícia Federal no celular do Vorcaro sugerem uma proximidade entre ele e Moraes. O ex-banqueiro relatou a então namorada, Martha Graeff, encontros com o ministro e visitas em residências privadas.

PRÓXIMOS PASSOS

O mais provável é que o STF venha a rejeitar o pedido de informação a CPMI do INSS sobre quem usava o telefone que recebeu mensagens de Vorcaro em 17 de novembro de 2024. A Corte deve alegar que a informação violaria a privacidade dos magistrados. Como o Supremo é a última Instância da Justiça no Brasil, a CPMI não terá a quem recorrer.

Vorcaro está preso e em processo de fazer uma delação premiada. Mesmo que ele venha a confirmar que as mensagens que enviou foram para Alexandre de Moraes, ainda será a palavra do ex-banqueiro contra a do ministro do STF. A rigor, só é possível saber se a mensagem saiu de um aparelho e, de fato, chegou ao outro se os 2 celulares forem periciados –e se estiverem íntegros, sem o conteúdo apagado.

A chance de a CPMI conseguir obter o celular de Moraes para fazer uma perícia é nula. Já está claro dentro do Supremo que os ministros têm tomado atitudes de autopreservação. Na semana que está se encerrando, Moraes foi homenageado pelo decano (o ministro mais antigo no cargo) Gilmar Mendes, que chegou a ficar com voz embargada ao elogiar o colega.



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