O escândalo do banco Master domina o Congresso na volta do recesso. Deputados e senadores pedem CPI, uma comissão do Senado montou um grupo para investigar o caso, a comissão parlamentar de inquérito do INSS convocou Daniel Vorcaro, o dono do Master. “É o tema do momento no Congresso”, diz o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).
Lula tem sido enfático em manifestações públicas a respeito do escândalo: o governo não teme as consequências das investigações, espera que elas identifiquem todos os responsáveis pela maior fraude bancária da história brasileira.
O Palácio do Planalto não deixou de notar uma, digamos, coincidência, segundo um colaborador presidencial. Bastou Lula declarar no fim de janeiro que “o cidadão do banco Master deu um golpe de 40 bilhões de reais”, que três dias depois aparecia no noticiário a informação de que Daniel Vorcaro, o “cidadão” em questão, tinha estado com o petista no fim de 2024, em uma reunião fora da agenda.
A suspeita em Brasília é que Vorcaro esteja por trás do vazamento da informação sobre a reunião e de que ele poderia tentar arrastar para o escândalo o PT da Bahia. Um dos sócios do Master até 2024 foi Augusto Lima, um empresário baiano de boas relações com o governo local, controlado pelo PT desde 2007.
Há motivos para os petistas baianos temerem? “Zero. Vou fazer aqui uma imagem que o presidente Lula faz muito. Vê se eu estou nervoso”, disse Jaques Wagner ao programa Poder em Pauta, no canal de CartaCapital no YouTube. “Estou muito tranquilo com isso, a gente não tem nada a ver com isso.”
Lima foi quem concebeu a solução para que Wagner conseguisse privatizar a rede estadual de supermercados quando era secretário de Desenvolvimento da Bahia, em 2018. O comprador, a NGV Empreendimentos e Participações, tinha dois sócios. Lima era um dele. O outro, o espanhol Ignacio Morales.
A privatização ocorreu um ano antes de Lima tornar-se sócio do Master e de este ser autorizado pelo Banco Central a operar. A instituição financeira nasceu de uma espécie de massa falida, a do Banco Máxima. Quando o próprio Master ficou à beira do abismo, em 2024, Vorcaro acionou seus contatos políticos em busca de proteção e salvação. Foi a Lula em busca de socorro. Em vão.
“Todos os empresários tentam fazer uma rede de influência no Congresso, para poder tratar de normas, de leis que sejam no seu interesse. Esse banco não foi diferente”, afirma Wagner. “É o tal do lobby não legalizado no Brasil.”
Esse tipo de lobby entrará em campo contra uma das duas principais bandeiras do governo Lula no ano (e da futura campanha à reeleição), a redução da jornada de trabalho? O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, outro personagem baiano, deu uma entrevista em janeiro em que atacou a proposta.
“[O Congresso] tem muita sensibilidade à causa empresarial, mas tem muita sensibilidade aos votos populares. Quem vota majoritariamente é a população. Os empresários têm poder”, afirma Wagner. “O ambiente no Congresso é favorável à aprovação do fim da escala 6 por 1”, prossegue ele, que ressalva: a redução da jornada pode ser aprovada para vigorar aos poucos, não de uma vez.
Quando o presidente deu reajuste real ao salário mínimo, lembra Wagner, o poder econômico dizia que o País não aguentaria, que empresas quebrariam. Nada disso aconteceu, ressalta ele.
O jornal O Globo tem uma manchete famosa sobre a criação do 13º salário, em 1963, no governo João Goulart: “Considerado desastroso para o País um 13º mês de salário”. Diante da recordação feita pela reportagem, o líder do governo comentou: “A imprensa tem lado, e o lado da imprensa, pelo menos da maioria da imprensa, é o lado de quem financia, botando propaganda nos jornais ou nas televisões”.
O dito “mercado” é fonte inesgotável de dinheiro e financiamento. Pesquisas feitas no governo atual mostram que a Avenida Faria Lima é contra Lula e a política econômica. A indicação de Guilherme Mello, secretário no Ministério da Fazenda, para uma diretoria do BC, tem sido criticada no sistema financeiro. Sinais de que o capital jogará a favor da oposição na eleição.
“O mercado financeiro é sempre predador, o que ele quer é juros altos para que possa continuar ganhando bilhões e bilhões, é só você ler o balanço dos bancos”, diz Wagner. “Tem muito dinheiro, influência nas redes, nos jornais ou na maioria das redes. Mas tem pouco voto.”





