Início NACIONAL O fator Tarcísio na campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência – CartaCapital

O fator Tarcísio na campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência – CartaCapital


O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apresentou no início de março uma proposta de mudar a Constituição para acabar com a reeleição. Não qualquer reeleição, apenas a de presidente da República. A proibição valeria imediatamente após a aprovação no Congresso Nacional, inclusive para quem for eleito neste ano. 

O filho mais velho de Jair Bolsonaro é pré-candidato a presidente e, com a proposta, acena que não concorreria em 2030, caso triunfe agora. Desprendimento? Republicanismo? Negativo. Uma tentativa de atrair não só o apoio, mas o engajamento de um personagem tido no PL como peça-chave para o sucesso de sua futura campanha: Tarcísio de Freitas (Republicanos).

O comandante do PL, Valdemar Costa Neto, tem concedido várias entrevistas nas últimas semanas e, em uma delas, comentou que Flávio precisará do empenho de três figuras: a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e Tarcisio, governador de São Paulo. 

O estado de São Paulo, terra de 22% do eleitorado brasileiro, é decisivo na disputa presidencial. Eis por que Lula insistiu para Fernando Haddad deixar o Ministério da Fazenda e se candidatar a governador outra vez. Para renovar o mandato, precisa que o PT repita o desempenho paulista de 2022, quando Haddad atingiu 45% contra Tarcísio no segundo turno. 

Se o atual governador não for bem na própria reeleição, as chances de Flvio diminuem. E se fizer corpo mole, em vez de mergulhar de cabeça na campanha do senador, também. “Para o Tarcisio não interessa que o Flávio ganhe, senão acabam as chances de ele (Tarcisio) concorrer a presidente em 2030”, afirma o deputado Ivan Valente (PSOL-SP). 

Tarcisio era o anti-Lula predileto do mercado financeiro, do empresariado e da grande mídia. E tinha ganas de subir a rampa do Palácio do Planalto, embora considere o atual chefe da nação um oponente duríssimo de bater. 

A concessão judicial de prisão domiciliar a Bolsonaro, dez dias antes do fim do prazo para decidir se abandonava São Paulo e alçava voos mais altos, havia realimentado seus sonhos. É o que havia confidenciado um dos auxiliares mais próximos de Tarcísio em conversas com a turma da Avenida Faria Lima, a meca do capital financeiro no Brasil.

O governador tinha esperanças de que seria ungido por Bolsonaro como candidato a presidente, segundo o auxiliar, e ficou pessoalmente abatido por ter sido preterido.

Por aí entende-se o empenho de Tarcisio pelo relaxamento da prisão do capitão. Na semana anterior ao alívio, tinha viajado a Brasília e se reunido separadamente com cinco togados do Supremo Tribunal Federal. Até pusera na agenda pública os compromissos, um dos quais com Alexandre de Moraes, o autor do despacho que mandou Bolsonaro para casa por três meses por razões de saúde. 

“O Alexandre correu com as condenações (no STF e na Justiça Eleitoral) do Bolsonaro para ajudar o Tarcisio”, afirma um ministro de Lula. Será? Moraes chegou ao Supremo em 2017 pelas mãos do então presidente Michel Temer, que teve Tarcísio na equipe federal e hoje integra o fã-clube do governador.

O cárcere caseiro de Bolsonaro havia mexido com as emoções de mais gente, não só dos tarcisistas. Pessoas do círculo de Flávio Bolsonaro sopraram a alguns jornalistas que um risco tinha passado a rondar o “zero um” desde a volta do ex-presidente ao lar: Michelle poderia fazer a cabeça do marido para apoiar Tarcísio ao Palácio do Planalto. 

“Eles têm problema na família, lógico, mas nós vamos ter que resolver todos. Se nós não resolvermos esses problemas, o Eduardo Bolsonaro não volta mais para o Brasil.” Palavras de Valdemar Costa Neto após participar, em 30 de março, de um almoço do Lide, aquela panelinha de ricos e políticos fundada por João Doria Jr, ex-governador paulista.

Eduardo está em autoexílio nos Estados Unidos há mais de um ano e lá conspirou para que o governo Donald Trump ajudasse a livrar a cara do pai no Judiciário brasileiro. Graças a tais maquinações, terminou no banco dos réus também. 

Está marcado para 14 de abril seu interrogatório na ação penal em que é acusado pela Procuradoria-Geral da República de tentar constranger e coagir a Justiça no processo do pai por tentativa de golpe. 

Caso Moraes, o relator da ação penal, seja rápido como foi com Jair, Eduardo tem tudo para estar sentenciado e inelegível em julho, ou seja, fora da campanha e com sentença de prisão. Daí que para regressar ao Brasil livremente, será necessário que o irmão dispute contra Lula, derrote o petista e dê indulto à família toda.



FONTE

Google search engine