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O que está por trás da onda de protestos no Irã? Entenda as motivações


A onde protestos que já deixou ao menos 192 mortos no Irã é considera a maior desde 2009. Mesmo com o bloqueio à internet, vídeos que circulam nas redes sociais mostram cenas de caos nas ruas do Irã: carros incendiados, prédios públicos depredados, bandeiras rasgadas e multidões entoando palavras de ordem contra o regime do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei.

A escalada da crise se dá em meio à ameaça do presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, de que o Irã responderá fortemente a qualquer intervenção norte-americana no país. “Se os Estados Unidos lançarem um ataque militar, tanto os territórios ocupados quanto as bases militares e portuárias americanas serão alvos legítimos para nós”, afirmou.

Crise econômica

O eclodir da crise se deu no fim de dezembro por uma crise econômica. Em 2025, o rial perdeu cerca de metade de seu valor frente ao dólar, enquanto a inflação ultrapassou os 40% em dezembro.Comerciantes e estudantes universitários organizaram dias de protestos quando os preços de produtos básicos como óleo de cozinha e frango dispararam. Lojistas ainda perderam o programa que davam a eles acesso mais barato ao dólar americano.

O governo tentou aliviar a pressão, mas as manifestações se espalharam ainda com denúncias de corrupção. A imprensa internacional ressalta que manifestações já foram registradas em ao menos 25 das 31 províncias do país.

Repressão policial e pedido de renúncia

Com o avanço das manifestações, a repressão policial avançou e os atos ganharam um caráter político mais explícito. Desde então, a maior exigência passou a ser a renúncia de Khamenei, líder supremo desde 1989.

Organizações de direitos humanos afirmam que mais de 192 pessoas morreram desde o início dos protestos, incluindo membros das forças de segurança. A ONG Iran Human Rights Network, aponta ainda que o número de mortos pode ser maior. No entanto, um apagão de internet dificulta a contabilidade.

Sem internet

Em 8 de janeiro, o Irã ficou sem internet e sem rede telefônica. Esse foi o 12º dia de conflitos, considerado o mais sangrento até o momento.

Na ocasião, a internet no país sofreu um apagão e diversos sites iranianos, incluindo os governamentais e de agências estatais, ficaram fora do ar. A ONG NetBlocks confirmou um corte quase total da conexão no país.

As informações são de que o corte de internet teria sido ordenado pelo governo do aiatolá Ali Khamenei a fim de conter as manifestações. Páginas no Telegram, inclusive as ligadas à Teerã, afirmam que o desligamento foi uma decisão do Comando Cibernético da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC-CEC).

Sanções

As dificuldades financeiras e econômicas do Irã vêm crescendo ao longo dos anos. Em setembro de 2025, sanções de países europeus, suspensas desde 2015, voltaram a vigorar contra o Irã. Reino Unido, França e Alemanha adotaram novamente sanções da ONU ao Irã devido ao descumporimento de acordo sobre programa nuclear no país.

Eles acionaram o mecanismo de “retomada automática” devido à alegada não conformidade do país com o acordo nuclear de 2015, firmado com potências globais. No acordo, Teerã havia se comprometido a limitar seu programa nuclear, mas retomou o enriquecimento de urânio após Washington se retirar do acordo em 2018, durante o primeiro governo de Donald Trump.

Em novembro de 2025, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian disse afirmou que Teerã pretende reconstruir as instalações nucleares danificadas por ataques das forças dos EUA e de Israel em junho. A declaração desafiou Trump.

Dentro do cenário, a inflação disparou e o sentimento de revolta pela desigualdade de condições entre cidadãos e a elite do país cresceu.

Acusações aos EUA

O líder supremo do Irã acusa os EUA de estimularem a instabilidade no país. Em pronunciamento transmitido pela TV estatal nesta sexta-feira (9/1), Khamenei afirmou que o governo “não vai recuar” e classificou os manifestantes como “vândalos” e “sabotadores”.

“Um grupo destruiu prédios que pertencem ao próprio povo apenas para agradar o presidente dos Estados Unidos”, disse.

Em mensagens divulgadas nas redes sociais, mesmo com o bloqueio quase total da internet, Khamenei comparou Donald Trump a líderes “arrogantes”, como o ex-xá Mohammad Reza Pahlavi, deposto em 1979, e afirmou que o povo iraniano não tolerará “mercenários de potências estrangeiras”.

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Ameaça

Neste domingo (11/1), o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, declarou em sessão que o Irã responderá fortemente a qualquer intervenção norte-americana no país. “Se os Estados Unidos lançarem um ataque militar, tanto os territórios ocupados quanto as bases militares e portuárias americanas serão alvos legítimos para nós”, afirmou.

Em vídeo publicado por veículos locais, Ghalibaf alerta sobre a retaliação a Israel e bases militares dos Estados Unidos. Veja:

 

A reação ocorre após o presidente Donald Trump dizer, neste sábado (10/1), que os Estados Unidos estão “prontos para ajudar”, enquanto os manifestantes no Irã enfrentam um cerco cada vez mais intenso das autoridades iranianas.

“O Irã está olhando para a liberdade, talvez como nunca antes. Os Estados Unidos estão prontos para ajudar!!!”, escreveu Trump em uma publicação no Truth Social, sem dar mais detalhes.

Até este sábado, os protestos no Irã continuaram em várias regiões, apesar do aumento da repressão pelo aparato policial do regime.

Número de mortes

Novo balanço divulgado neste domingo (11/1) pela ONG Iran Human Rights, que monitora violações de direitos humanos no país, mostra que, até o momento, ao menos 192 manifestantes morreram desde o início da maior onda de protestos registrada no Irã em quase uma década.

Segundo a entidade, as mortes foram confirmadas a partir de fontes diretas no Irã e da checagem com dois veículos independentes. A ONG afirma que a repressão das forças de segurança se intensificou nos últimos dias, à medida em que os atos ganharam força e se espalharam pelo país.





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