Em entrevista, petista criticou orçamento secreto e fundos partidário e eleitoral; também comparou dirigentes de partido a banqueiros
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta 4ª feira (8.abr.2026) que o Brasil precisa eliminar penduricalhos políticos, garantir a execução transparente do orçamento e discutir a indústria de defesa diante de desafios internos e externos.
Para Lula, “penduricalhos” são recursos públicos distribuídos de forma política, sem critérios técnicos claros, usados para favorecer partidos ou parlamentares. Em entrevista ao ICL, afirmou que essas práticas não podem continuar. “É preciso acabar com os penduricalhos nessa hora do país”, disse.
O presidente criticou o que chamou de “promiscuidade política” ligada ao orçamento secreto, que permite que parlamentares direcionem verbas a obras ou projetos em seus redutos sem transparência, funcionando muitas vezes como moeda de troca. “Não é correto nem para o Executivo nem para o Congresso”, afirmou.
Na mesma entrevista, Lula também questionou o uso de fundos partidário e eleitoral, afirmando que ampliam a promiscuidade e dificultam a renovação política. “O país não pode continuar sendo assim, não é possível tanto dinheiro, fundo partidário, fundo eleitoral”, disse, ressaltando que há resistência dentro do PT: “Tem gente do meu partido que não goste que eu fale isso, mas eu sinceramente hoje acho que o fundo partidário e o fundo eleitoral elevou o país à promiscuidade”.
Para Lula, a situação atual dificulta a renovação política: “É como se presidente do partido fosse presidente de banco. E aí dificulta a eleição de gente nova”.
Lula critica o orçamento secreto desde 2022. Durante ato político em Diadema (SP), afirmou que “o orçamento secreto é a maior bandidagem já feita em 200 anos de República” e que seria necessário discutir o tema com o Congresso para pôr ordem na casa. Mais recentemente, em fevereiro de 2026, chamou o orçamento secreto de “sequestro do orçamento do Executivo” e qualificou o volume de emendas, que somavam quase R$ 60 bilhões, como uma realidade que não é “normal”.





