A presidente da Câmara de Cuiabá, Paula Calil (PL), manifestou-se neste sábado (7) sobre as acusações envolvendo o ex-secretário municipal de Trabalho, William Leite de Campos. Em nota pública, a parlamentar afirmou repúdio a qualquer forma de violência, assédio ou discriminação contra mulheres e defendeu apuração rigorosa dos fatos pelos órgãos competentes.
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Na manifestação, Paula declarou solidariedade à ex-servidora que apresentou a denúncia e destacou a importância da escuta responsável, do acolhimento institucional e do tratamento sério de situações dessa natureza, com respeito às pessoas envolvidas. A presidente da Câmara ressaltou ainda que os fatos devem ser apurados com observância do devido processo legal e das garantias constitucionais, a fim de assegurar justiça e transparência.
A vereadora também afirmou que a Câmara respeita as atribuições legais dos órgãos de controle e fiscalização e reforçou o compromisso institucional com políticas públicas voltadas à proteção das mulheres. Segundo a nota, sob a condução de uma Mesa Diretora composta integralmente por mulheres, o Legislativo municipal mantém a atuação voltada à promoção de ambientes institucionais seguros.
A manifestação ocorre após uma ex-funcionária da Prefeitura de Cuiabá registrar boletim de ocorrência contra William Leite de Campos, no qual o acusa de assédio sexual e atos de improbidade administrativa. A denúncia foi formalizada na tarde desta sexta-feira (6), poucas horas antes de William tornar público o pedido de exoneração do cargo.
A vítima, identificada pelas iniciais K. F. M., advogada de 31 anos, relatou à Polícia Civil uma série de condutas que teriam ocorrido em 2025, quando atuava sob a chefia de William no gabinete do prefeito. O registro foi feito na Delegacia Digital e encaminhado à 1ª Delegacia de Polícia de Cuiabá.
Segundo o boletim, a ex-servidora afirma ter sido submetida a um ambiente de controle e isolamento funcional e relata tentativas reiteradas de aproximação física não consentida durante o expediente, incluindo situações em que o então secretário teria encostado o rosto no dela e tentado beijá-la em momentos de despacho profissional. Ela afirma que as condutas teriam ocorrido em razão da posição hierárquica exercida por William.
A advogada também relatou convites insistentes para encontros a sós fora do ambiente de trabalho, sempre recusados, além de episódios de gritos e ofensas profissionais após ela procurar o secretário de Governo, Ananias Filho, para relatar as ocorrências e solicitar realocação. Após esse episódio, optou por deixar o cargo e foi exonerada a pedido.
O boletim de ocorrência descreve ainda um episódio em que, ao entregar dinheiro em espécie para que William realizasse uma transferência bancária, o então secretário teria empurrado a mão da vítima para dentro da bolsa e introduzido a própria mão, situação que, segundo ela, gerou constrangimento. Também são citados comentários feitos por terceiros no ambiente de trabalho, sugerindo que a vítima e outras servidoras teriam sido nomeadas em razão da aparência física.
A ex-servidora afirmou que não formalizou a denúncia anteriormente por receio de exposição e medo de prejudicar um familiar que também ocupava cargo na administração municipal. Segundo o relato, a decisão de registrar o boletim ocorreu após tomar conhecimento de denúncias anteriores envolvendo William, quando se sentiu mais segura para procurar a Polícia Civil.
William Leite de Campos pediu exoneração do cargo de secretário municipal de Trabalho poucas horas após a Polícia Civil arquivar pedido de investigação apresentado pelo prefeito Abilio Brunini. O arquivamento foi comunicado pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (DECCOR), que concluiu não haver justa causa para a instauração de investigação, diante da ausência de fatos concretos e indícios mínimos de materialidade ou autoria.
Em nota divulgada em redes sociais, William afirmou que decidiu deixar o cargo por razões pessoais, alegando desgaste pessoal, familiar e institucional causado por acusações que classificou como infundadas. Ele atribuiu os questionamentos a motivações políticas relacionadas à sua pré-candidatura a deputado federal e afirmou sair com tranquilidade quanto à sua conduta no serviço público.
A Prefeitura de Cuiabá informou, em nota, que não tinha conhecimento formal das denúncias até o momento e que não recebeu comunicação oficial sobre os fatos. A administração confirmou o pedido de exoneração do secretário e afirmou que trata com seriedade qualquer alegação dessa natureza, reiterando compromisso com a ética e a integridade no ambiente de trabalho. A gestão declarou ainda que eventuais denúncias formalizadas serão devidamente apuradas e que o município permanece à disposição para colaborar com investigações.
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