A Polícia Federal encaminhou ao ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal, um pedido para que Dias Toffoli seja suspenso da apuração sobre o Banco Master. O órgão pediu a suspeição após encontrar no celular de Daniel Vorcaro, dono do Master, menções ao relator.
Em nota, Toffoli chamou a iniciativa da PF de “ilações”. “Juridicamente, a instituição não tem legitimidade para o pedido, por não ser parte no processo, nos termos do artigo 145, do Código de Processo Civil. Quanto ao conteúdo do pedido, a resposta será apresentada pelo Ministro ao Presidente da Corte”, afirmou.
A informação sobre a menção a Toffoli foi revelada pelo UOL e confirmada por CartaCapital.
O ministro tem enfrentado pressão para deixar a relatoria do caso Master, especialmente após a revelação de que Toffoli viajou em um jatinho particular ao lado de um advogado de Vorcaro. Reportagens também apontaram a existência de supostos vínculos profissionais entre familiares do ministro e o Master.
Até o momento, interlocutores de Toffoli apontam como baixas as chances do ministro voluntariamente deixar de analisar o caso do Master.
Outro ponto de tensão é entre Toffoli e a Polícia Federal. Após determinar que a PF fizesse buscas e apreensões contra investigados, o ministro mandou os agentes lacrarem todos os materiais obtidos na operação para entregá-los à Procuradoria-Geral da República.
Como o caso Master foi parar no STF
A defesa de Vorcaro acionou o Supremo no final de novembro de 2025 para pedir que as investigações da Operação Compliance Zero, que tramitavam na 10ª Vara Federal Criminal do Distrito Federal, fossem transferidas para o Supremo.
Os advogados alegaram que durante as buscas foram encontrados documentos que citavam autoridades com foro por prerrogativa de função.
Havendo indícios de participação de pessoas com foro, a investigação não deveria estar na primeira instância judicial. O caso foi remetido à Toffoli por sorteio e, no mesmo dia, ele decretou sigilo no caso.





