Início NACIONAL PL das bagagens reduz competitividade do setor, diz Abear

PL das bagagens reduz competitividade do setor, diz Abear


Presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas, Juliano Noman, afirma que mudança afeta planejamento de longo prazo e pode tornar o setor mais elitizado com aumento dos preços

O presidente da Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas), Juliano Noman, afirmou que o projeto de lei aprovado pela Câmara dos Deputados, que proíbe a cobrança por malas de mão, reduz a competitividade do setor e ameaça a expansão do modelo de passagens mais baratas no país. Leia a íntegra (PDF – 130 kB). O projeto ainda será analisado pelo Senado. 

Segundo ele, as modalidades “low cost”, que incluem tarifas sem bagagem, ampliam o acesso da chamada classe C à aviação e viabilizou novas rotas, inclusive de companhias estrangeiras. 

Algumas rotas surgiram a partir desse bem-sucedido modelo de diferenciar, buscar o passageiro que quer pagar menos e abre mão de levar mais. Quando se retira isso, você tem vários efeitos de curto, médio e longo prazo que impactam negativamente as rotas e os preços. No limite, estamos falando do fechamento de rotas”, disse em entrevista ao Poder360.

Noman comparou a situação à de uma lanchonete impedida de vender seus produtos separadamente. “É como se alguém fosse a uma lanchonete e dissesse: a partir de hoje, só pode vender combo com refrigerante e batata. Vender separado está proibido. Muitas empresas quebrariam, porque boa parte dos clientes deixaria de comprar. É exatamente o que está acontecendo com as companhias aéreas”, afirmou.

Hoje, há basicamente 4 modalidades de passagens. Os nomes variam de companhia para companhia, mas são basicamente essas: 

  • Basic – sem passagem de mão, só itens pessoais; 
  • Lite – com passagem de mão, mas sem despachar; 
  • Promo – passagem de mão e despachada; 
  • Full – tudo isso e embarque preferencial. 

Com as novas regras, restarão basicamente duas, as mais caras”, disse. 

O dirigente também classificou a mudança como um risco à previsibilidade e ao investimento no setor. “Mais um sinal de insegurança jurídica. Imagina planejar frota: trago 20 ou 30 aviões? É menos consumidor ou mais? Tem que tomar cuidado com a segurança jurídica. São investimentos de longo prazo. Ninguém traz uma aeronave por 1 ano. São 10 anos, 20 anos no contrato de leasing. Estabilidade é muito importante”, disse.

Ele citou ainda o paradoxo do setor em 2025. Apesar do recorde de passageiros no ano, o número de rotas caiu de 160 para 137, por falta de viabilidade econômica. “Precisamos trazer a classe C para dentro –e isso se faz com mais competição e preços nivelados para baixo. Isso se consegue com competitividade”, disse.

A Abear pretende intensificar a interlocução com o Senado para tentar reverter ou ajustar a proposta. “Esperamos que, com o Senado, possamos levar números. Estamos dispostos a abrir tudo. O setor é muito transparente”, declarou Noman.

Contexto

A Câmara dos Deputados aprovou na 3ª feira (28.out.2025) o PL 5.041/2025, que assegura aos passageiros o direito de transportar gratuitamente uma mala de mão de até 12 kg, um item pessoal e uma bagagem despachada de até 23 kg em voos nacionais. O texto também proíbe o cancelamento do trecho de volta caso o passageiro não embarque no trecho de ida e assegura a escolha gratuita de assento.

O projeto foi aprovado em votação simbólica e segue para o Senado. O texto final do relator, deputado Neto Carletto (Avante-BA), retomou a gratuidade para malas despachadas, após recuar da ampliação do benefício para voos internacionais.

A cobrança por bagagens é discutida desde 2017, quando a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) autorizou as companhias a tarifarem o despacho de malas, com o argumento de criar passagens mais baratas para quem viajasse apenas com bagagem de mão. O modelo, porém, não gerou redução consistente de preços. Desde então, o Congresso tenta restabelecer a gratuidade, sob o argumento de que o custo total das viagens aumentou e os serviços foram reduzidos.

Em 2022, uma emenda que restabelecia a gratuidade para malas de até 23 kg em voos nacionais e 30 kg em internacionais foi aprovada, mas vetada pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL), sob o argumento de que a medida poderia gerar “desequilíbrio econômico” no setor. O veto foi mantido pelo Congresso.



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