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Polícia e MP apuram caso de garoto que usou traje nazista em formatura


A Polícia Civil e o Ministério Público do Rio Grande do Norte confirmaram, por meio de nota, que investigam o caso de um garoto de 13 anos que compareceu à festa de formatura das irmãs usando traje do exército nazista alemão na Segunda Guerra Mundial, em Mossoró (RN).

O caso ocorreu durante a madrugada de sábado (10/1). Imagens do garoto usando vestimentas semelhantes às da Wehrmacht, forças armadas da Alemanha nazista entre 1935 e 1945, viralizaram nas redes sociais e geraram repercussão negativa. Nos registros, o menino também aparece fazendo a saudação nazista “heil Hitler” (Salve Hitler).

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Nas redes sociais, o garoto divulgou um vídeo pedindo desculpas. A gravação foi divulgada em uma página do Instagram com autorização dos pais, que não se manifestaram sobre o episódio.

Segundo o delegado titular da Delegacia Especializada de Atendimento ao Adolescente (DEA) de Mossoró, Rafael Arraes, um inquérito foi instaurado para apurar o caso.

Como a família do adolescente reside no Ceará, a PCRN informou que irá expedir cartas precatórias para que as oitivas do jovem e de seus responsáveis sejam realizadas pela delegacia especializada no estado vizinho.

O MPRN, por meio da 10ª Promotoria de Justiça de Mossoró, informou que instaurou um procedimento extrajudicial para coletar informações sobre o caso ocorrido durante o baile de formatura.

“A Promotoria de Justiça analisará detalhadamente as provas juntadas aos autos para determinar as medidas legais e diligências adequadas à elucidação do ocorrido. Após as diligências estabelecidas pelo MPRN, será feita a análise sobre a responsabilização seja do próprio suposto adolescente e/ou de seus responsáveis”, informou o órgão.

A instituição também destacou que diversas manifestações recebidas pelo canal de denúncias sobre o caso foram reunidas em um único procedimento, com o “objetivo de otimizar a apuração”.

Conselho Tutelar se manifesta

O Conselho Tutelar da 34ª Zona de Mossoró também se pronunciou por meio de nota divulgada nas redes sociais. Segundo a instituição, “ao se tratar de notícia de um suposto ato infracional, cabe à autoridade policial realizar investigações dos fatos”.

O órgão afirmou ainda que repudia qualquer tipo “de prática racista, discriminatória, alusiva à intolerância religiosa e quaisquer práticas que sejam contrárias à legislação e que coloquem crianças e adolescentes em situações vexatórias, de vulnerabilidade e risco iminente”.


Relembre o caso

  • O episódio ocorreram durante o cerimonial de formandos da Facene, organizado pela empresa Master Produções e Eventos e alunos. De acordo com a organização, o adolescente era convidado das formandas e chegou ao local acompanhado dos pais, após as 23h, vestindo roupas comuns.
  • No decorrer da festa, ele teria trocado de roupa dentro do evento para fazer registros fotográficos com a família.
  • A vestimenta passou despercebida por cerca de 2 mil pessoas que estavam na festa. Integrantes da comissão de formatura afirmaram que só tomaram conhecimento do episódio após a divulgação das imagens.
  • Em nota publicada nas redes sociais, a presidente da comissão disse que os estudantes ficaram “estarrecidos” e que, se a situação tivesse sido percebida no momento, o jovem e seus responsáveis teriam sido retirados do local.
  • Os registros foram feitos durante a festa organizada por formandos da Faculdade de Enfermagem e Medicina Nova Esperança (Facene), que repudiu o ato.

Garoto se retrata

No vídeo em que se manifesta, o adolescente reconhece a gravidade da situação e afirma que não compreendia o impacto da escolha da fantasia. “Eu peço desculpas a quem se sentiu ofendido, quem se sentiu triste com essa situação”, disse.

Ele relatou que comprou o traje em uma feira de Fortaleza (CE) e que acreditava se tratar de “só uma mais uma fantasia”. Segundo o jovem, ele costuma se fantasiar de personagens históricos e da cultura pop.

Na gravação, o adolescente também pede desculpas à família e afirma que a motivação foi a busca por atenção e popularidade nas redes sociais, dizendo que sempre quis ser “importante” ou “famoso”.

“Eu peço que me deem outra chance, pois eu estou errado, mas eu não sou um menino assim, eu sou um menino bom”, declarou.

No Brasil, a apologia ao nazismo é crime previsto na Lei 7.716/1989. Como se trata de um menor de idade, o caso é analisado como ato infracional, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).



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