Início NACIONAL preços do café explodem e indústria já prepara reajuste nos EUA

preços do café explodem e indústria já prepara reajuste nos EUA


A safra brasileira de café de 2024 foi estimada em 54,2 milhões de sacas de 60kg, segundo a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). Na atual safra que já está muito avançada na colheita, a quantidade de sacas que tem chegado aos armazéns e cooperativas mineiras tem sido, segundo Schneider, ligeiramente menor do que no mesmo período do ano passado, com a mesma área colhida, o que deve indicar uma produção menor do que em 2024.

Segundo ele, o fluxo de comercialização em Minas “segue relativamente normal”, apesar da incerteza. “Os contratos de exportação hoje são mais curtos (três ou quatro meses). Vendemos, por exemplo, para embarcar em setembro, outubro, novembro. Depois compramos o café correspondente. Esse fluxo está mantido: produtor vendendo, cooperativas vendendo, exportadores comprando — nós mesmos comprando regularmente”, afirma.

E faz a ressalva: “O que mudou foi a postergação de embarques já contratados. Empresas americanas pedem para segurar o embarque para não arcar com mais 50% de tarifa agora. Em alguns casos, solicitam o cancelamento (“shelter”): o exportador refaz a conta e propõe a compensação. Há espaço para renegociar. Mas, no geral, ninguém nos EUA está hoje comprando ativamente café brasileiro para embarque rápido por causa da incerteza. Se houvesse certeza de que ‘de hoje em diante é assim’, o mercado se reorganizaria. Por ora, não há prazo: pode cair amanhã, em um mês ou seis — incerteza é sempre ruim”.

Inflação autoinduzida

Na prática, a sobretaxa nos EUA reduziu a atratividade do principal fornecedor global (Brasil), estimulou a busca por origens alternativas (Colômbia e América Central), valorizou carregamentos isentos (cargas brasileiras de café que chegarem aos EUA antes de 5 de outubro) e forçou redirecionamentos para Europa e Ásia.

Brasil e Vietnã, os dois maiores produtores do mundo, vinham de safras mais apertadas desde o ano passado, mas, isoladamente, esse quadro não justificaria uma alta tão brusca em plena colheita brasileira. O tarifaço foi o gatilho, ao encarecer a principal rota que liga as lavouras do maior produtor do mundo em direção ao maior mercado consumidor.



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