Os recentes desdobramentos geopolíticos devem manter os preços do petróleo elevados por mais tempo, à medida que a capacidade ociosa no Oriente Médio permanece limitada, os estoques estratégicos globais podem voltar a crescer e regiões consideradas mais seguras, como a América do Sul, passem a negociar seus barris com prêmio, avalia o Morgan Stanley.
Diante desse cenário, o banco revisou suas projeções para o Brent, passando a trabalhar com preços médios de US$ 90 por barril em 2026, US$ 80 em 2027 e US$ 75 em 2028. As novas estimativas representam aumentos relevantes em relação às projeções anteriores e sustentam uma revisão para cima das estimativas de Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) das empresas de energia da América Latina, com alta de 23% em 2026 e 2027 e de 17% em 2028.
Segundo o Morgan Stanley, apesar da forte valorização recente do setor global e regionalmente, o mercado ainda não precifica plenamente um cenário de petróleo “mais alto por mais tempo”. A expectativa é de uma nova rodada de revisões positivas de estimativas, mantendo as ações do setor com avaliações atrativas e assimetria positiva de risco-retorno.
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Olhando para as empresas, o banco elevou a recomendação da argentina YPF de equalweight (exposição em linha com a média do mercado, equivalente à neutra) para overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra), com preço-alvo de US$ 60 por ativo negociado na bolsa americana. A casa destaca que os preços mais altos do petróleo devem permitir que a companhia gere fluxo de caixa livre já em 2026, dois anos antes do previsto inicialmente, reduzindo riscos e melhorando a atratividade do papel.
Por outro lado, a PRIO (PRIO3) foi rebaixada de overweight para equalweight, apesar da elevação do preço-alvo de R$ 58,50 para R$ 68 por ação. A decisão reflete principalmente questões de valuation, após uma alta de cerca de 85% nos últimos três meses, período em que o papel já incorporou ganhos operacionais, a evolução do campo de Wahoo e expectativas de maior remuneração aos acionistas.
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Entre os nomes preferidos para capturar o cenário de petróleo elevado, o Morgan Stanley destaca a Petrobras (PETR4) e a argentina Vista. No caso da estatal brasileira, o banco aponta que sua posição líquida exportadora de cerca de 1 milhão de barris por dia é um diferencial, mesmo diante das incertezas sobre o reajuste dos preços de combustíveis no mercado doméstico. A expectativa é de que a geração adicional de caixa seja direcionada à redução de endividamento e a projetos de alto retorno, sem descartar dividendos extraordinários até 2027.
Já a Vista é vista como uma das empresas mais alavancadas à alta do Brent, com um portfólio praticamente 100% exposto ao petróleo, sem proteção via hedge, além de forte crescimento projetado da produção nos próximos anos.
O banco também ressalta que companhias com grande parte da produção protegida por hedge, como Brava Energia (BRAV3) e PetroRecôncavo (RECV3), tendem a ter menor apelo para investidores no atual contexto, já que os contratos limitam a captura da alta dos preços. TGS e Ecopetrol seguem como as menos preferidas na cobertura, devido à menor exposição direta ao petróleo e a desafios específicos de crescimento e governança.
| Empresa | Ticker | Recomendação anterior | Nova recomendação | Preço-alvo anterior | Preço-alvo novo | Moeda |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Petrobras | PBR | OW* | OW | 20,0 | 28,0 | Dólar |
| Vista Energy | VIST | OW | OW | 74,0 | 88,0 | Dólar |
| YPF | YPF | EW** | OW | 47,0 | 60,0 | Dólar |
| Brava | BRAV3 | OW | OW | 23,0 | 28,0 | Real |
| PRIO | PRIO3 | OW | EW | 58,5 | 68,0 | Real |
| Pampa Energía | PAM | EW | EW | 94,0 | 105,0 | Dólar |
| PetroReconcavo | RECV3 | EW | EW | 13,0 | 14,5 | Real |
| TGS | TGS | UW*** | UW | 28,0 | 31,0 | Dólar |
| Ecopetrol | EC | UW | UW | 10,0 | 13,0 | Dólar |
*OW = Overweight; **EW = Equalweight; ***UW = Underweight





