De acordo com o informação pelo jornal “The Wall Street Journal”, os senadores democratas estão preparando um projeto de lei que prevê o desmembramento das empresas de processamento de carne dos Estados Unidos. O democrata Chuck Schumer, líder da minoria no Senado, quer apresentar a proposta nos próximos dias.
O Bradesco BBI considera baixa a probabilidade de avanço no Congresso dos EUA da proposta para proibir frigoríficos de processar mais de um tipo de proteína.
Segundo a reportagem do WSJ, a proposta também limitaria a concentração do mercado de carne bovina nos âmbitos regional e nacional e daria ao governo poder para forçar a venda de plantas industriais ou o desmembramento de unidades de negócio em empresas independentes.
Viva do lucro de grandes empresas
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Na avaliação do BBI, a iniciativa surge em meio à forte alta dos preços da carne bovina nos Estados Unidos, que acumulam avanço de 24% em 12 meses, pressionando a inflação e ampliando o escrutínio político sobre o setor. Historicamente, quando os preços sobem, autoridades tendem a atribuir parte do movimento à concentração da indústria, hoje dominada por quatro grandes empresas que respondem por cerca de 80% do abate de bois e novilhas.
O banco lembra ainda que, em novembro, o presidente dos EUA, Donald Trump, pediu ao Departamento de Justiça a abertura de investigação federal sobre possíveis práticas anticoncorrenciais no setor.
Apesar do ruído político, o BBI avalia que é pouco provável que a proposta se transforme em lei. Além disso, considera que a medida teria eficácia limitada para reduzir os preços da carne, que continuam sendo determinados principalmente pelo ciclo pecuário e pela oferta restrita de gado nos EUA.
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Segundo relatório, o setor ainda está nos estágios iniciais de retenção de fêmeas para recomposição do rebanho, o que, ao longo do tempo, pode elevar a oferta. Isso indica que a restrição de animais e os preços elevados devem persistir por pelo menos mais um ano.
O BBI ainda comenta que preços mais altos não significam maior rentabilidade para os frigoríficos. Pelo contrário, a participação dessas empresas na cadeia de valor pós-porteira caiu para mínima histórica de 4% em janeiro. JBS (BDR: JBSS32, Tyson Foods e a National Beef, da MBRF (MBRF3), registraram prejuízos operacionais nos primeiros nove meses de 2025 de US$ 566 milhões, US$ 394 milhões e US$ 53 milhões, respectivamente, nas operações de carne bovina nos EUA.
A Tyson anunciou recentemente o fechamento da planta de Lexington, com capacidade de cerca de 5 mil cabeças por dia, e a redução da capacidade em Amarillo, de aproximadamente 6 mil cabeças instaladas, para um único turno. Na avaliação do BBI, a principal razão para o setor não ter promovido cortes de capacidade ainda mais agressivos é a diversificação em proteínas, que tem sustentado os resultados. “Obrigar empresas a separar unidades de negócio iria na direção oposta”, destacam analistas.
O BBI projeta um ambiente mais desafiador para o setor de proteínas em 2026, com a carne bovina nos EUA ainda enfrentando oferta restrita de animais e o ciclo de aves possivelmente entrando em fase menos favorável. Entre os pares, a JBS segue se destacando, com resultados mais resilientes e valuation descontado, sendo nossa única recomendação outperform no setor.
Sem entrar no mérito sobre as chances de o projeto avançar no Congresso, o Goldman Sachs avalia que o pano de fundo do setor ajuda a explicar a escalada dos preços da carne bovina nos Estados Unidos.
Segundo o banco, desde 2021 os frigoríficos perderam 35 pontos percentuais de participação no lucro total da cadeia da carne bovina. Ou seja, apesar da alta dos preços ao consumidor, as empresas não estariam capturando uma fatia maior dos ganhos.
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Na mesma linha que o BBI, o Goldman Sachs destaca que o movimento reflete principalmente um ciclo pecuário desfavorável nos EUA, com o rebanho em mínimas históricas e expectativa de nova queda de 2% no volume de abates em 2026, de acordo com o Departamento de Agricultura norte-americano (USDA). Restrições sanitárias ao comércio de gado com o México, que responde por cerca de 0,8% do abate anual, também adicionaram pressão à oferta.
Diante dessas limitações de curto prazo, o governo do presidente Donald Trump vem flexibilizando regras para importação de carne bovina, incluindo um acordo bilateral recente com a Argentina e a isenção das tarifas da Seção 122 sobre a carne brasileira, mesmo em meio à elevação de tarifas em outros setores.
Apesar de frigoríficos locais terem anunciado fechamentos pontuais de capacidade, a JBS USA afirmou que pretende investir cerca de US$ 200 milhões em suas operações de carne bovina, além dos US$ 3,2 bilhões já aportados desde 2020, excluindo a Pilgrim’s Pride.
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O Goldman mantém recomendação de compra para JBS e MBRF. Para a JBS, o preço-alvo em 12 meses é de US$ 20,5 para as ações Classe A e de R$ 105 para os BDRs, com base em avaliação por soma das partes e múltiplo implícito EV/EBITDA (Valor da Firma sobre EBITDA) IFRS de 5,75 vezes no período projetado.





