Início FINANÇAS qual ação é a preferida dos analistas?

qual ação é a preferida dos analistas?


Em diferentes análises, o Itaú BBA e o Bradesco BBI destacaram a sua visão para as seguradoras da Bolsa.

O Itaú BBA atualizou suas estimativas e reiterou recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado, equivalente à compra) para a Caixa Seguridade (CXSE3) e market perform (desempenho igual a média do mercado, equivalente à neutro) para a BB Seguridade (BBSE3).

De acordo com compilação feita por analistas consultados pela LSEG, de 12 casas de análise que cobrem CXSE3, 8 recomendam compra e 4 possuem recomendação neutra. Por outro lado, há uma cautela maior com BBSE3: de 10 casas que cobrem a ação, 7 recomendam manutenção, 1 compra e só 2 recomendam compra.

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Segundo o BBA, a preferência por Caixa Seguridade decorre da maior visibilidade para lucros operacionais no curto prazo e de um fluxo de dividendos consistente no médio prazo.

Enquanto a Caixa Econômica Federal segue apresentando bom desempenho no crédito imobiliário, a BB Seguridade enfrenta, de forma indireta, os desafios de crédito do Banco do Brasil (BBAS3) em operações de venda casada de seguros. A penetração de produtos atrelados ao agronegócio e seguro prestamista tende a recuar, pressionando a rentabilidade.

O Itaú BBA destacou ainda que prefere avaliar as seguradoras com base na taxa interna de retorno (TIR, ou IRR em inglês), dado o perfil elevado de distribuição de dividendos (cerca de 90%). Embora a BB Seguridade pareça mais descontada em termos de múltiplos de curto prazo (Preço/Lucro e dividend yield), seu horizonte é considerado incerto, já que resta pouco tempo até o vencimento do contrato e os termos de renovação ainda são desconhecidos. A Caixa Seguridade, por outro lado, apresenta maior dinamismo nos lucros e uma TIR real de 11%, considerada atraente.

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Para que a BB Seguridade entregue uma TIR superior à da Caixa Seguridade, seria necessária uma renovação contratual em condições altamente favoráveis, cenário para o qual o BBA afirma ter baixa visibilidade.

Em um cenário de crescimento econômico mais fraco, o banco avalia que distribuidoras de dividendos com perfil semelhante a títulos de renda fixa (bond proxy) podem ser reavaliadas positivamente, à medida que investidores buscam ativos de maior rendimento.

Leia também: BB Seguridade ou Caixa Seguridade: qual a melhor ação para dividendos hoje?

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No caso da Caixa Seguridade, o Itaú BBA ressaltou a resiliência do modelo de negócios, com um trimestre recorde no segmento de seguro habitacional, que compensou a fraqueza persistente em seguro prestamista. O banco enxerga continuidade do impulso positivo a partir do forte volume de originação de crédito imobiliário, sustentando crescimento de dois dígitos nesse produto, embora insuficiente para neutralizar totalmente a fraqueza no prestamista em 2025. A recente introdução de um novo produto voltado a trabalhadores formais (CLT) é vista como um caminho inicial para recuperação.

O BBA projeta crescimento médio de 11% no lucro por ação (EPS) entre 2024 e 2027, com ações negociadas a 9,3 vezes o P/L estimado para 2026, oferecendo dividend yield de 9,5% e sustentadas por uma TIR real de 11%. O preço-alvo foi atualizado para R$ 18 por ação no fim de 2026, ante R$ 17 anteriormente para 2025.

Já para a BB Seguridade, o banco destacou maior incerteza, diante da emissão de prêmios mais fraca nos últimos anos, principalmente no seguro agrícola, que perdeu atratividade para produtores. Embora a companhia tenha compensado esse movimento com a venda casada de produtos como seguro prestamista e rural, o BBA avalia que esses segmentos já estão totalmente penetrados. A projeção é de queda de 2% nos prêmios emitidos em 2025, antes de uma recuperação de 6,6% em 2026.

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Outro ponto de atenção é a possibilidade de problemas na safra no Sul do Brasil, região com maior índice de seguros contratados, o que pode pressionar a sinistralidade, hoje em mínimas históricas. Além disso, o negócio de previdência enfrenta dificuldades com captação líquida negativa, enquanto incertezas sobre a renovação do contrato colocam em xeque a atratividade da operação para parceiros, podendo reduzir as comissões de corretagem.

O BBA revisou para baixo em 2,2% a projeção de lucro por ação de 2026 e cortou o preço-alvo de R$ 38 para R$ 37, mantendo a recomendação neutra. Para o Itaú BBA, a atual avaliação já reflete o cenário de crescimento contido e as dúvidas sobre a renovação contratual, justificando a cautela com o papel.

O Bradesco BBI, por sua vez, adotou uma visão mais cautelosa em relação à Caixa Seguridade. O banco manteve a classificação neutra e o preço-alvo para o final de 2026 em R$ 17,00 por ação. De acordo com suas estimativas, o retorno sobre patrimônio líquido (ROE, na sigla) projetado é de 34,7% em 2025 e 34,8% em 2026, com múltiplo P/L estimado para 2026 em 10,3 vezes, próximo à média histórica de 10,2 vezes.

O BBI revisou para baixo a previsão de receita bruta da companhia em 2,3% para 2025, totalizando R$ 5,5 bilhões, e em 2,5% para 2026, chegando a R$ 6,0 bilhões. A revisão reflete menores receitas de corretagem nos dois anos (-6,1% e -6,2%), parcialmente compensadas por um resultado de ações ligeiramente maior (+0,8%).

Ao mesmo tempo, o banco elevou as projeções de despesas operacionais em 3,6% para 2025 (R$ 1,0 bilhão) e 6,8% para 2026 (R$ 1,2 bilhão), considerando o aumento da taxa da Caixa como percentual da receita de corretagem, apesar da redução das despesas administrativas e tributárias. As estimativas de resultados financeiros para 2026 foram reduzidas em 18,7%, enquanto a alíquota efetiva de imposto foi ajustada em -98 pontos-base para 2025 e -131 pontos-base para 2026.

Como consequência, o BBI projeta lucro líquido de R$ 4,1 bilhões para 2025 e R$ 4,4 bilhões para 2026, abaixo do consenso. Nos indicadores operacionais, o banco revisou para baixo o crescimento dos prêmios emitidos em 2025 (-2,5%), em função do cenário desafiador para os prêmios de seguro prestamista (-27%), mantendo a estimativa para 2026 inalterada. A sinistralidade deve subir 2,2 pontos-base em 2025 e 2,5 pontos-base em 2026.

Em sua última análise sobre BB Seguridade, logo após a divulgação dos resultados no último dia 5, o banco manteve recomendação neutra para BBSE3, com preço-alvo de R$ 39. Os analistas mantiveram visão cautelosa e percepção de que o crescimento da BB Seguridade depende fortemente das tendências operacionais do Banco do Brasil (BBAS3), e que os prêmios emitidos podem continuar pressionados devido ao cenário desafiador de crescimento do banco.



FONTE

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