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Sem propostas por ora, Flávio Bolsonaro e Ronaldo Caiado se apoiam em anistia aos golpistas – CartaCapital


A primeira declaração de Ronaldo Caiado (PSD), ex-governador de Goiás, como pré-candidato à Presidência da República foi prometer uma anistia “ampla, geral e irrestrita” aos condenados pelos atos de 8 de Janeiro, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Condenado a 27 anos e três meses por participação na trama golpista, Bolsonaro cumpre prisão domiciliar temporária.

O movimento de Caiado atinge diretamente a estratégia de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em pré-campanha pelo País, o senador tem reiterado que seu principal compromisso é com o pai e que pretende “repetir” o governo findado em 2022. A anistia, até então uma das principais bandeiras do senador, passa a ser compartilhada e disputada por outro nome do mesmo campo político.

Além da convergência no discurso, Caiado tem adotado uma linha de oposição frontal ao governo Lula (PT), reforçando o posicionamento à direita e afastando qualquer tentativa de “terceira via”. Ao lançar sua pré-candidatura, o ex-governador também intensificou críticas ao Planalto e buscou se apresentar como alternativa mais experiente, em contraste com Flávio, que nunca ocupou cargos no Executivo.

Nos bastidores, aliados do PSD admitem que a estratégia passa por disputar diretamente o eleitorado bolsonarista. A aposta inclui explorar a trajetória de Caiado e ampliar sua presença em segmentos-chave, como o agronegócio (com o qual mantém vínculo histórico) e o eleitorado evangélico, onde ainda é pouco conhecido. Para isso, a pré-campanha já articula aproximações com lideranças religiosas e a realização de eventos voltados a esse público.

Flávio, por sua vez, tenta preservar apoios tradicionais do bolsonarismo. Um dos focos é evitar a perda de espaço no agronegócio, considerado estratégico pelo peso econômico e influência política. No campo empresarial, o senador também busca se consolidar como nome competitivo, embora enfrente críticas pela falta de detalhamento de propostas.

O discurso de Flávio tem sido alvo de questionamentos – inclusive entre aliados – pela falta de consistência. Em ato realizado na Avenida Paulista, em 1º de março, por exemplo, o senador leu um texto no celular e evitou contato direto com o público, episódio que repercutiu mal em meio à tentativa de projetar liderança nacional.

Apesar da movimentação, o cenário ainda é de indefinição. A campanha eleitoral só começa oficialmente em 16 de agosto, e nenhum dos dois pré-candidatos apresentou, até agora, um programa de governo estruturado. No momento, a disputa se concentra mais na narrativa e na ocupação de espaço do que na apresentação de propostas concretas.

Levantamento do instituto Nexus, encomendado pelo BTG Pactual e divulgado em 30 de março, mostra Flávio Bolsonaro com 38% das intenções de voto no cenário em que Caiado também é testado, enquanto o ex-governador aparece com 4%. A pesquisa ouviu 2.006 pessoas de 27 a 29 de março e foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-07875/2026.

Mesmo com desempenho modesto nas sondagens, Caiado tenta se viabilizar como alternativa dentro de um campo já congestionado. A estratégia inclui estruturar a pré-campanha a partir de São Paulo, ampliar a visibilidade nacional e buscar alianças partidárias. Ainda assim, sua candidatura depende, em grande medida, de eventuais fragilidades de Flávio para ganhar tração.

Com ambos mirando o mesmo eleitorado, a tendência é de acirramento na disputa interna da direita nos próximos meses – ainda que, até aqui, o debate permaneça centrado mais em lealdades políticas e pautas simbólicas do que em propostas para governar o País.



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