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Taques diz que Mauro teme que ele exponha, em CPI, ligações do Governo de MT com o Banco Master
O ex-procurador da República e ex-governador Pedro Taques (PSB) voltou a direcionar sua artilharia contra o governador Mauro Mendes (União), principalmente depois de o chefe do Executivo ter lançado mão de sua “intocável imagem” de homem público e buscar argumentos considerados fúteis para tentar impedir que a CPI do Crime Organizado ouvisse o depoimento do adversário político.
A presença de Taques na CPI é considerada relevante, tendo em vista que ele é advogado de parcela considerável dos servidores públicos de Mato Grosso, os quais foram levados ao superendividamento ,por conta de operações de empréstimos consignados irregulares.
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Uma dessas operações teria sido feita pelo Banco Master, que está no centro de uma das maiores fraudes financeiras do país. A instituição foi liquidada pelo Banco Central e seu dono, o empresário Daniel Vorcaro, está preso em Brasília.
Acompanhado pela senadora Margareth Buzetti (PP), Mauro Mendes foi ao encontro do senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI do Crime Organizado, com o argumento de que Taques, como pré-candidato ao Senado, estaria utilizando “informações levianas”. Só que, conforme se apurou,, o governador não mostrou provas da acusação.
Vieira (MDB/SE), tido e havido como implacável em suas posturas, recuou e alegou que não aceitaria transformar a CPI em um palanque eleitoral. Ele recuou da convocação, em vez de convocar também o próprio Mauro Mendes, para que ele e Taques debatessem em cima da farta documentação e dados levantados pelo ex-governador sobre as negociações com o Banco Master e os diversos escândalos que atingem em cheio o Governo do Estado.
Nos corredores do Senado são fortes as insinuações de que boa parte da classe política simplesmente, treme quando o assunto é uma possível apuração ou mesmo delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro, que já provocou um rombo de R$ 50 bilhões no sistema financeiro nacional.
Aliás, as atuais CPIs em curso no Congresso Nacional só demonstraram, até este momento, que existe muita coisa a ser apurada, mas pouquíssima vontade de colocar em prática, de forma efetiva, essas apurações.
Mauro Mendes é notório por não permitir qualquer tipo de apuração sobre os seus quase oito anos de gestão. Tanto é que a maioria dos deputados deputados estaduais se limitam a propor CPI sem resultado prático.
Os próprios deputados, governistas ou de oposição, sinalizam que Mendes atua com mão de ferro quando o assunto é apuração de eventuais irregularidades em sua administração. Que, conforme costuma afirmar Pedro Taques, que é cheia de “furos”.
Como, por exemplo, emendas para aquisição de kits da agricultura familiar; aquisições para a Secretaria de Saúde, durante a Pandemia da Covid-16; o pagamento de R$ 308 milhões devidos a Empresa de Telecomunicações Oi S/A e que foram parar em fundos de Investimentos com os quais seu filho, Luiz Antônio Taveira Mendes, teria sociedade; e os consignados.
Nesse último caso, após mais de um ano de apurações e levantamentos, ainda não se tem informações detalhadas sobre o volume que foi movimentado por meio dos de empréstimos considerados irregulares, aproveitando a boa fé do servidor público. Essa categoria, por sinal, seria tratada como “estorvo” pelo Governo Mauro Mendes, conforme afirmou a deputada Janaina Riva (MDB).
Mauro Mendes teria assumido o papel de interlocução junto ao senador Alessandro Vieira, não apenas em seu nome e diante de sues desafios. Ou seja, existiriam outros interessados – alguns até mais graúdos do que ele – em não permitir que assuntos relativos ao Banco Master e seus tentáculos, que atingem a toda a República, viessem a público.
Para não ficar desconfortável perante a opinião pública, Alessandro Vieira admitiu que receberia a manifestação de Pedro Taques por escrito, bem como a manifestação do governador Mauro Mendes. Depois, ele decidiria se manteria ou não a convocação dos dois políticos.
Em um post nas mídias sociais, Pedro Taques afirmou, numa indireta a Mauro Mendes: “Tem gente como eu que quer ajudar, outros querem é ferrar, só querem atrapalhar”.
Taques informou que ligou para o senador Alessandro Vieira. “Você não precisa me contar sua história. Eu te conheço”, disse o parlamentar capixaba.
O ex-governador foi à Brasília e mostrou todos os documentos relativos à defesa dos servidores públicos de Mato Grossoe as operações consignada.
“Aí, um governador preocupado com a situação, foi lá e pediu para retirar minha convocação da pauta. Tem gente que quer ajudar e tem gente que só quer ferrar, só quer atrapalhar. Sabe o que eu ia falar lá? Eu ia falar que o Banco Master entrou no Estado de Mato Grosso por um decreto dele (Mauro Mendes), de maio de 2025, que permitiu que consignatárias que não têm ou não tinham autorização do Banco Central e entrasse aqui para roubar os servidores do Estado do Mato Grosso. Como a minha mãe, como a minha irmã, que tem câncer. Aí, o Mauro Mendes pega o avião vai lá e me impede de prestar depoimento. Ele tem que responder o porquê fez isso. Ele está com medo do que fez? É isso. Eu assumo meus erros, as minhas responsabilidades. Eu assumo, mas ele tem que assumir as dele”, disse Taques. na postagem.
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