Secom/TCE-MT
Ex-governador Pedro Taques entregou novos documentos ao presidente do TCE-MT, reforçando denúncia que questiona operação envolvendo crédito da empresa
O presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, recebeu um aditamento à denúncia sobre pagamentos realizados pelo Governo à empresa Oi Telecomunicações.
O documento foi entregue nesta quinta-feira (9) pelo ex-governador e ex-senador José Pedro Taques.
Após a reunião, Sérgio Ricardo anunciou que vai sugerir ao relator do processo, conselheiro Guilherme Maluf, a realização de uma auditoria completa sobre os pagamentos.
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“O papel do Tribunal de Contas é fiscalizar dinheiro público. Vou sugerir ao conselheiro Guilherme Maluf que esse fato merece uma auditoria sobre essas contas, sobre as dívidas do Governo do Estado com uma empresa, valores, variações de valores”, afirmou Sérgio, na reunião.
O presidente destacou ainda que o caso da Oi não é isolado e que o Tribunal já investiga outros contratos e pagamentos do Governo, incluindo perdões de dívidas a empresas privadas.
“Acredito que devemos auditar esses pagamentos, assim como temos auditado vários outros. Temos tratado de várias outras questões de precatórios e verificado vários perdões de dívidas. Queremos saber qual é o comportamento do governo com relação ao que tem para receber e para pagar. Esse é o papel diário do TCE-MT”, completou Sérgio Ricardo.
De acordo com Taques, a Oi ajuizou ação rescisória contra o Estado cobrando R$ 301 milhões, que não foi contestada pelo Governo do Estado.
O crédito foi então adquirido por R$ 80 milhões e o comprador apresentou proposta de acordo à Procuradoria-Geral no valor de R$ 583 milhões.
Ainda conforme o ex-governador, os pagamentos teriam sido realizados de forma direta, sem a abertura de precatórios conforme determina a Constituição Federal, e depositados em fundos privados.
Parte do dinheiro, segundo ele, teria sido utilizada para quitar dívidas de empresas em recuperação judicial.
“Se o Estado deve para alguém, precisa de uma fila, porque senão o governador pode beneficiar seus amigos e prejudicar inimigos. O precatório é uma fila. Nesta fila nós temos professores aposentados, servidores do Tribunal de Contas aposentados. Aí vêm os amigos do governador furando a fila e passando na frente”, afirmou Taques.
Outra irregularidade apontada pelo ex-governador diz respeito aos cálculos do acordo.
“Quem fez esses cálculos foram os próprios procuradores, não mandaram para a auditoria, para o departamento que faz contas dentro da Procuradoria”, observou.





