O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), falou pela primeira vez sobre as acusações de ter recebido dinheiro do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Em nota divulgada nesta quinta-feira 12, o ministro admitiu ser sócio de uma empresa de sua família que vendeu, em 2021, parte de sua participação na administração do resort Tayayá, em Ribeirão Claro (PR), a uma empresa ligada a Vorcaro.
Na quarta-feira 11, a Polícia Federal encaminhou ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, pedido para que o relator seja afastado do caso. Segundo a corporação, uma perícia no celular de Vorcaro identificou menções que envolveriam Toffoli. Em resposta preliminar, o ministro divulgou nota breve na qual classificou como “ilações” as referências apontadas e afirmou que a PF não teria legitimidade para formular o pedido, por não ser parte no processo.
No texto desta quinta, o ministro argumenta que a Maridt é empresa de capital fechado – modalidade societária que não exige a divulgação pública dos nomes dos sócios. E ressaltou que a Lei Orgânica da Magistratura permite que integrantes do Judiciário participem de quadro societário, desde que não exerçam função de administração.
A nota informa ainda que a Maridt integrou o grupo responsável pela administração do resort até fevereiro de 2025, quando vendeu suas últimas cotas. Parte da participação, porém, já havia sido negociada em 2021 com o fundo Arleen, vinculado ao Banco Master — que à época, ainda não era alvo de investigação.
“Deve-se ressaltar que tudo foi devidamente declarado à Receita Federal do Brasil e que todas as vendas foram realizadas dentro do valor de mercado. Todos os atos e informações da Maridt e de seus sócios estão devidamente declarados à Receita Federal do Brasil, sem nenhuma restrição”, afirma a nota enviada pelo gabinete do ministro.
No comunicado, Toffoli também enfatiza que foi designado relator da ação envolvendo a compra do Banco Master pelo BRB apenas em novembro de 2025 — quando, segundo ele, a empresa de sua família já não mantinha participação no Tayayá.
“O ministro desconhece o gestor do Fundo Arleen, bem como jamais teve qualquer relação de amizade — e muito menos amizade íntima — com o investigado Daniel Vorcaro. Por fim, esclarece que jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel”, conclui o texto. Zettel também é alvo de investigações.





