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Venezuelano com voo marcado para Cuiabá teme perder emprego por não conseguir sair do país após captura de Maduro



Um jovem venezuelano de 24 anos, que vive e trabalha em Cuiabá há quase três anos, está preso em seu país natal e teme perder o emprego no Brasil após a captura do presidente Nicolás Maduro e o fechamento total das fronteiras da Venezuela. Ele tem uma viagem marcada para retornar a Mato Grosso no próximo dia 10 de janeiro, e agora vive entre incertezas pelos ataques militares dos Estados Unidos.

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O maior medo de Mateus (nome fictício por segurança do entrevistado), no entanto, é que o Brasil também feche sua fronteira com a Venezuela, inviabilizando completamente seu retorno. 

“Eu até poderia ir de carro ou ônibus particular até a fronteira. O problema é que é aí que eu estou preocupado. Porque, se a fronteira brasileira fechar, atrapalha tudo. Aí eu não vou poder sair, vou perder meu voo e posso perder meu emprego. Eu tenho que voltar até o dia 10 para retomar meu trabalho”, desabafou.

Identificado apenas como Mateus por questões de segurança, o trabalhador da construção civil está na cidade de Puerto Ordaz, no estado de Bolívar, a cerca de 324 km de Caracas. Formado em Engenharia Mecânica Industrial, ele viajou para a Venezuela há dois meses devido a problemas de saúde de sua mãe e agora enfrenta o bloqueio total do espaço aéreo e terrestre do país.

“O espaço foi fechado. Tudo, na verdade. Caracas tá fechado. Ninguém sai, ninguém entra. Nem por terra, nem por céu”, relatou Mateus em entrevista ao Olhar Direto. Ele afirmou também que aviões de combate estão cheganda na cidade de Puerto Ordaz.

Seu plano original era sair de Puerto Ordaz por via terrestre, cruzar a fronteira com o Brasil até Boa Vista (RR) – uma distância de quase 900 km – e de lá pegar um voo para Brasília e, finalmente, Cuiabá. No entanto, com o fechamento das rodovias e a paralisação do transporte, a viagem se tornou impossível. Ele também teme um aumento significativo no preço das passagens caso consiga remarcar seu retorno.

O ataque

O ataque dos Estados Unidos contra a Venezuela marca um novo episódio de intervenções diretas de Washington na América Latina. A última vez que os Estados Unidos invadiram um país latino-americano foi em 1989, no Panamá, quando os militares norte-americanos sequestraram o então presidente Manuel Noriega, acusando-o de narcotráfico.

Assim como fizeram com Noriega, os Estados Unidos acusam Maduro de liderar um suposto cartel venezuelano De Los Soles, sem apresentar provas. Especialistas em tráfico internacional de drogas questionam a existência desse cartel.

O governo de Donald Trump estava oferecendo uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem a prisão de Maduro.

Para críticos, a ação é uma medida geopolítica para afastar a Venezuela de adversários globais dos Estados Unidos, como China e Rússia, além de exercer maior controle sobre o petróleo do país, que é dono das maiores reservas de óleo comprovadas do planeta.



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