O presidente Lula (PT) começa a semana com 17 novos líderes em sua equipe ministerial. Se, em outros ministérios, a solução veio internamente, uma das pastas mais importantes da Esplanada deve exigir mais a atenção do petista
Trata-se do Ministério das Relações Institucionais, peça-chave na engrenagem política do Planalto. A pasta era comandada por Gleisi Hoffmann, agora pré-candidata ao Senado pelo Paraná. Desde sua saída, o secretário-executivo Marcelo Costa ocupa o cargo de forma interina.
A intenção do presidente é nomear um articulador político com trânsito no Congresso, possivelmente um parlamentar. O timing não é casual. Ainda nesta semana, o governo pretende enviar ao Legislativo um projeto de lei que propõe o fim da escala 6×1, considerada aposta-chave para as eleições.
Diante das dificuldades já antecipadas, o Planalto deve recorrer ao regime de urgência para acelerar a tramitação e evitar que a proposta se perca no ritmo arrastado do Congresso. Na prática, isso impõe um prazo de até 45 dias para análise. Não dispensa, contudo, a negociação política, especialmente com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Pesa também a preocupação com a indicação do atual advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal. A aprovação depende de maioria no Senado e tem exigido esforço concentrado do governo na contagem de votos e na negociação com lideranças da Casa.
Sem um titular na articulação política, aliados do Planalto admitem que o governo perde capacidade de coordenação justamente no momento em que mais precisa dela. A interlocução com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e com a Comissão de Constituição e Justiça é vista como etapa decisiva para evitar atrasos — ou resistências — à indicação.
Lula chegou a avaliar nomes para a função, como o de Wellington Dias, mas preferiu não bater o martelo. A ideia, segundo aliados, é esperar o redesenho político após a janela partidária.






